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26 de julho de 2018

The Banner Saga 3


Pensei em várias maneiras de começar esta análise e todas malhavam em sequelas. Admito que tenho uma relação de amor-ódio para com elas. Se gostar do material de origem e quiser mais daquele mundo e personagens, abraço as sequelas e anseio por elas. Se um foi suficiente e não precisar de mais, acho que fico bem, obrigado.

O mundo e lore de The Banner Saga é bastante rico e com pano para vários banners de jogos (gostaram?). Se não houvesse mais sequelas depois do fim do primeiro ficava satisfeito. Foi uma boa conclusão. Se já acompanham as minhas análises, falo muito pouco do enredo porque um passo em falso e posso estragar a experiência, mas como estamos a falar de um terceiro jogo da série e se estão a ler isto, vou deduzir que acabaram os dois anteriores. Se não jogaram, não peço desculpas.


The Banner Saga introduziu-nos a um mundo inspirado em folclore viking, onde o Sol deixou de se mover (respirem…). O prenúncio de maus tempos confirma-se quando os Dredge, uma espécie que julgavam extinta, surgem para aniquilar as raças humanas e os gigantes Varl. Começamos com duas caravanas, a de Rook e a de Hakon, e o objetivo do primeiro jogo é simples: procurar refúgio. Apenas isto e simples. Ao longo da campanha, a relação destes dois líderes com as restantes personagens e mundo aprofunda-se, criamos laços e tomamos decisões que irão ter impacto nas pessoas que nos acompanham. Adorei o jogo pelo cariz contemplativo e pelo efeito imediato das nossas decisões. Perdi personagens importantes porque quis ser bom samaritano e quase acabei com a caravana. O clímax do jogo é visceral e agridoce, independentemente do que escolhemos alguém vai morrer e as sequelas seguem com isso.

The Banner Saga 2 começa imediatamente após o final do primeiro jogo. Sem muitas demoras e com a guerra aos calcanhares, os protagonistas fogem para Arberrang, o último refúgio seguro. Nem a meio do jogo, a caravana divide-se em duas com os sobreviventes a seguirem viagem e Bolverk, o líder dos mercenários Raven, encarregue de uma missão secreta para despejar os conteúdos de uma certa caixa no rio. Ao passo que a primeira narrativa é linear e sólida, com umas pinceladas de jogos de poder e uma corrida contra o tempo, a narrativa de Bolverk é mais confusa. Não ajuda o facto de as grandes questões desta saga estarem deste lado. Do que fogem os Dredge? Onde andarão os deuses? Quem parou o Sol? E qual o papel de determinadas personagens? E a serpente? Infelizmente, foi o lado que gostei menos porque quando acabou parecia que tinha chegado ao final de um capítulo ou ao meio do jogo. Quando vi os créditos a varrer o ecrã, a minha reacção foi de han? E não era o único porque a comunidade estava igualmente a coçar a cabeça e a elaborar teorias sobre um final insonso.


E eu estava em vantagem. Se os fãs esperaram anos pela conclusão, eu esperei umas semanas e assim começamos o terceiro capítulo de The Banner Saga. Importamos o save, começamos em Arberrang e a narrativa passa para um episódio normal de Game of Thrones. Desde tentativas de regicídio, mais jogos de poder e um cerco aflitivo que dura capítulos, o jogador tem a corda ao pescoço e os dias contados A segunda parte da história começa da mesma forma como acabou: confusa e com uma aura de que raio se está a passar? Adormeci e perdi alguma coisa?

Para o bem e para o mal, as duas partes estão interligadas não só em história, mas em jogabilidade, mas o jogo parece que se esqueceu de nos avisar. Ou então perdi o recado!, mas na boa, fiquem com o aviso: tudo o que fizerem, e não fizerem, em Arberrang resultará em tempo para as outras personagens. Quantos mais dias ganharem em Arberrang, mais tempo os outros têm para chegarem ao destino e à resolução final. Se a matemática não me falha… Se formos muito bons numa parte do jogo, mais rápido acabamos o jogo? É isto? Admito que só entendi esta mecânica quando descansei dois dias e fui castigado por não ter mais tempo. Até aí foi jogar contra o tempo e admito que me deu uma certa adrenalina porque a escuridão estava lentamente a aproximar-se para acabar com o mundo. E nesta havia um certo toque Lovecraftiano.

A nível técnico, tenho a impressão que a Stoic estava com pressa para lançar o jogo e que se esqueceu de partes do mesmo. E isso, meus amigos, é um erro grave. Mecânicas introduzidas no primeiro Saga que ficaram a meio do segundo jogo e inexistentes no terceiro? Como a possibilidade de usarmos a nossa caravana em batalhas? Algo que podia ter sido explorado com os mercenários… Personagens subaproveitadas? Problemas técnicos que não foram corrigidos e outros que surgiram? Ufa. Até me custa malhar em The Banner Saga, mas quando gostamos de alguma coisa temos de ver para além dos óculos cor-de-rosa e por cada coisa boa, há uma má. Fui alertado que ia sair um Day One patch para corrigir muitos problemas, mas como tive a sorte/azar de jogar antes do lançamento posso afirmar que tive uma experiência má com o jogo a soluçar em batalhas, conversas e a fazer loadings aleatórios. Gente, que se passou? Quando eu fico ansioso antes de cada batalha por causa de bugs e quero acabar o jogo para partir para outro, não é bom sinal! Lá cheguei ao fim, lá me responderam a algumas perguntas e lá fiquei satisfeito com a subversão de alguns clichés. E se o final caminha para um Deus Ex Machina, nos instantes finais há umas escolhas fortes e de tão chateado que estava só me apetecia optar pelo final mau, mas não. Tive o final igual à minha experiência com o jogo: agridoce.


Posso ter passado uma imagem negativa, mas eu consegui gostar deste jogo e a série tornou-se nas minhas favoritas de 2018. A culpa desse amor também se deve ao sistema de batalha táctico que é dos meus géneros favoritos. The Banner Saga não reinventa a roda, mas safa-se e perder batalhas importantes não tem penalização e ainda não decidi se isso é bom ou mau…

Quanto ao estilo visual e à banda sonora, estes continuam impecáveis, as composições e as músicas são de uma melancolia e dão-me uma saudade de algo que não consigo colocar em palavras. Será que é isso que as personagens sentem? E a animação? Não há mais que possa dizer, mas eu adorava que houvesse mais sequências de vídeos e não apenas em pontos fulcrais. É linda e também ela é nostálgica, fazendo-me lembrar de filmes antigos da Disney. Já usei esta comparação, não já? Então vamos lá acabar a análise porque já esgotei o que tinha a dizer.
The Banner Saga 3 é o fim de uma saga, ah! Não é o fim que merecemos, mas é o fim necessário. E se tivesse de medir a minha satisfação em percentagem diria que gostei do jogo setenta e oito por cento e isso é um saldo positivo! O suficiente para voltar mais tarde e tomar outras decisões - e para ver se está mais fluido.


São jogos feitos com carinho e uma certa ambição, convenhamos, mas somadas todas as partes, o resultado final é um jogo lindo a vários níveis, desde o combate à história, sem esquecendo os gráficos e banda sonora, apenas teve o azar de sair de casa com os atacadores presos e se ter espalhado no chão, mas levantou-se e continuou a caminhar e espero que nunca pare. Que facture bastante e que encha a barriga e a alma dos jogadores.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Plan of Attack.