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25 de julho de 2018

Mega Man X Legacy Collection (1 & 2)



A série Mega Man celebra 30 anos de vida, uma das séries mais icónicas da indústria, criada por Keiji Inafune. Esta série é reconhecida por todos, sendo uma série que sempre fez os jogadores provarem o sabor da derrota dezenas de vezes com o seu nível de dificuldade absurdo. Aqueles que terminaram o primeiro Mega Man tal como eu, recordam-se perfeitamente do percurso até chegar ao Dr.Willy - mas que desespero! No entanto é tão bom e viciante que isso ajudava imenso a motivar na tentativa de terminar o jogo. Após anos surgiu Mega Man X, uma outra versão do herói, que também conseguiu conquistar os corações dos fãs apesar do seu design foi alterado. E é precisamente desse que se trata esta dupla coleção de títulos retro.

Esta coleção de “ouro” chegou às consolas da nova geração, num pacote duplo para os 8 jogos da série X: em Legacy Collection 1 temos os primeiros 4 jogos, em Legacy Collection 2 temos os últimos 4. Para os fãs da série, o pacote completo é a única opção, mas será que vale a pena adquirir? A questão é de facto pertinente, isto porque para quem se recorda, os capítulos 7 e 8 deixam um pouco a desejar devido à sua troca do 2D para o 3D, que fez com que Mega Man se tornasse semelhante aos jogos 3D de Sonic, piorando a qualidade e mesmo o seu nível de dificuldade. Mas o melhor é mesmo falar um pouco de cada um dos capítulos.

O primeiro é um marco, seja pela música famosa ou a introdução do fiel companheiro de X, Zero, mais o carismático vilão Vile, as novidades foram aplaudidas pelos fãs acérrimos. Para além das duas personagens, o próprio herói tem a capacidade de fazer “wall jump”, uma habilidade de uso imperativo, para desviar de todo o tipo de ataques ou até mesmo atacar inimigos que estejam fora de alcance. Uma outra habilidade que já existia num dos capítulos do velho Mega Man na NES é a possibilidade de deslizar, neste caso é um pequeno boost de corrida que também facilita imenso para esquivar de todo o tipo de ataques. E como se isso não bastasse, em certos níveis, é possível controlar um pequeno Mecha para desbravar caminho.


Mega Man X 2 é o jogo famoso da SNES que anda pelo eBay à venda por um balúrdio e introduziu outro tema que foi um sucesso pelos amantes das bandas sonoras de videojogos, além de que neste capítulo se pode conduzir determinados veículos. Como sempre, existe um nível introdutório antes de começar o jogo a sério, para que o jogador se habitue a controlar a personagem, no entanto neste segundo capítulo poucas são as diferenças quando comparado com o anterior. De referir que sendo um jogo SNES, a emulação está igual, ou seja, os momentos em que existiam os slowdowns, vão ser encontrados nesta versão (testada numa Xbox One) tal como se de um cartucho SNES se tratasse.

Mega Man X 3 é um outro clássico puro, com um dos temas mais famosos da série que até está disponível no Cross Over lançado na Nintendo 3DS Project X Zone, impossível ficar indiferente. É neste capítulo que se joga um pouco com Mega Man e de seguida tomamos controlo de Zero, o seu fiel companheiro e "badass" da série que tem uma espada parecida a um sabre de luz, que para ser utilizada tem de se pressionar o botão de ataque para recarregar e só depois é possível fazer um ataque, algo que mudou em jogos posteriores.

O último desta coletânea já foi lançado na PS One. Com um vídeo introdutório que ficou super famoso por estar em anime e com aquela qualidade fabulosa dos anos 90, Mega Man X 4 é também um dos grandes jogos da série. Graficamente também está muito melhor, mas manteve o seu estilo 2D. O que diferencia este dos outros é a possibilidade de escolher inicialmente com qual dos dois Mavericks se quer jogar, Mega Man X ou Zero. Tendo este capítulo cutscenes em anime pela história fora, é possível jogar a versão em japonês caso se escolha a versão Rockman X 4 em vez de Mega Man X 4, no entanto também os textos são todos apresentados em japonês. Esta é a primeira vez que Zero usa o seu sabre como arma primária.


Passando à segunda coletânea, na minha opinião um pouco mais fraca devido à qualidade dos dois últimos jogos, não deixa de ser algo especial. Tal como seria de esperar, todas as novidades introduzidas na primeira também estão aqui presentes, o que muda são os jogos disponíveis.

O quinto jogo da série apresentou algumas diferenças em termos de jogabilidade. Desta vez Mega Man e Zero já conseguem agachar para evitar ataques diretos, o que facilita imenso quando comparado com os jogos anteriores. Além disto, algo que não me agrada é a habilidade de voar por um determinado tempo. Num jogo em que se carrega constantemente para saltar, é inevitável pressionar acidentalmente duas vezes e fazer com que a personagem fique a voar, quando na verdade a intenção era mesmo fugir de ataques ou objetos que possam causar danos. Infelizmente esta novidade apenas atrapalha. Há também um nível treino para os novatos, com um boss final que referencia os hadoukens de Ryu, personagem que não precisa de qualquer introdução.

Com o Mega Man X 6 é preciso ter atenção antes de o jogar, isto porque contém spoilers logo no vídeo introdutório, que relata de os acontecimentos do jogo anterior. Para quem liga à história e não a conhece bem, é importante jogar pela ordem certa. Este jogo é narrado em japonês com legendas em inglês através de imagens fixas, descartando as sequências em anime. Desta vez, X utiliza o sabre de Zero juntamente com o seu X-Buster, onde um botão serve para atacar com o sabre e outro botão para utilizar o X-Buster, tendo assim dois ataques. X também tem um visual totalmente diferente. Já a habilidade de voar foi descartada e foi reposta por um speed dash enquanto está no ar.



Mas foi no Mega Man X 7 que tudo mudou. Lançado na era da PlayStation 2, neste capítulo a aposta foi no 3D, com boas cutscenes e bons gráficos para a altura também. Além disso foi introduzido uma nova personagem jogável de nome Axl. A sua arma é a Axl Bullet, por alto pode-se dizer que é uma pistola de raios laser. Até aí tudo bem, mas o facto de ter uma mira automática para atingir os inimigos, torna tudo muito diferente e estranho. Sendo uma mira automática, dificilmente é controlável, embora exista um botão para escolher o alvo pretendido. A dificuldade foi reduzida, logo a experiência não será a mesma para os fãs. O jogo está em 3D, por momentos joga-se num 2.5D, em outros cenários joga-se num ambiente completamente 3D, mas a aposta não foi muito bem conseguida, acabando por tornar Mega Man X 7 o pior da série.

Para encerrar a segunda coletânea, Mega Man X 8 manteve o 3D mas jogado em 2.5D, embora conte com secções onde se joga uma espécie de mini jogo no qual se conduz veículos num ambiente totalmente em 3D. Neste capítulo também foi introduzida uma nova mecânica, a possibilidade de jogar com duas personagens, que podem ser trocadas durante o jogo, tornando o jogo fresco e a experiência diferente. Ainda assim não é tão bom como os anteriores jogos até ao 6.



Quanto às verdadeiras novidades nestas coletâneas, são as seguintes: o tamanho do ecrã, os filtros, wallpapers, Museu, Modo Rookie Hunter, Modo Challenge e a possibilidade de escolher entre a versão americana ou japonesa, ou seja, Mega Man X (conhecido no ocidente) ou Rockman X (como é conhecido no oriente).

O Screen Size está disponível em todos os jogos excepto os dois últimos, os originalmente lançados na PS2. Com 3 tipos de tamanho, o tipo 1 apresenta o jogo no seu tamanho original mas expandido para encaixar no ecrã, já o tipo 2 apresenta o jogo no tamanho real, neste caso um tamanho bastante reduzido, por fim o tipo 3 apresenta o jogo no ecrã inteiro, o que sinceramente está bastante bom e perfeitamente jogável, isto se incluírem um dos 3 filtros disponíveis que irei referir de seguida.

Os filtros também são 3, o primeiro com uma imagem limpa sem pixeis, já o segundo apresenta o seu estilo retro como se de um monitor CRT se tratasse, terminando com a terceira opção que é na verdade sem filtros, sendo que apresenta os gráficos originais, mas escalado de forma a caber nos ecrãs dos dias de hoje. Quanto aos wallpapers, servem apenas para preencher as laterais, mas são engraçados e baseados nos diferentes jogos disponíveis.


O Museu é uma delícia, aqui é possível ver a artwork dos jogos, inclusive o anime 0VA Day of Sigma na melhor das qualidades, que até serve aos jogadores como uma introdução de da série Mega Man X, aconselho a todos assistir primeiro a este OVA. Mas não é só isto, o Museu tem verdadeiros tesouros, incluindo os trailers japoneses dos anos 90, um fan service extraordinário para os fãs. Há ainda um Music Player, onde eu passei um bom tempo a escutar os excelentes temas dos primeiros capítulos, e também o Product Gallery, uma galeria repleta de produtos Mega Man, desde action figures a trading cards e acessórios, pura magia.

O modo Rookie Hunter apazigua a dificuldade, tornando o jogo mais acessível para jogadores que não estão habituados a jogos tão severos, mas que ainda assim querem dar umas jogatinas. De facto fica bem mais fácil, por isso é curioso haver também o modo Challenge. Este é um dos modos mais interessantes para quem gosta de um desafio e este é decididamente o verdadeiro teste às habilidades dos jogadores que se consideram uns profissionais no Mega Man. Enfrentar dois bosses em simultâneo é uma tarefa para experientes, começando por bosses mais fáceis e simples até chegar a duplas de bosses que criam dores de cabeça a sério.


Estas colectâneas, principalmente a primeira, são obrigatórias para os verdadeiros fãs, tanto pelos jogos como pela quantidade de conteúdo que estes trazem. No total, são dezenas e dezenas de horas, desafio e nostalgia, entretenimento no museu e bastante replay value. Um tesouro chegado da Capcom que os fãs irão, sem dúvida, adorar. Despeço-me com um X-BUSTER!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final dos dois jogos para a Xbox One, gentilmente cedido pela Ecoplay.