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27 de junho de 2018

Rainbow Skies


Em 2012 o estúdio independente SideQuest Studios lançou o RPG de estratégia Rainbow Moon. 6 anos depois chega-nos agora Rainbow Skies, um sucessor espiritual que aproveita muito do que já fora estabelecido. Trata-se de um RPG cheio de fantasia que aproveita muito do que foi construído anteriormente, mas agora numa nova aventura, novos personagens e um grande mundo desconhecido para explorar.


A história começa quando Damion, que está a lidar com uma grande ressaca, se prepara para ser finalmente um Monster Tamer, profissão importante para defender a sua cidade de Boreville. Cidade esta que está a voar pelos céus pois a superfície do planeta é, supostamente, bastante hostil e capaz de matar em poucos segundos qualquer um que lá chegue. Acompanhado por Layne ambos se encontram a fazer pequenas tarefas, quando subitamente enquanto enfrentam um monstro, o caos surge e ambos vão em queda livre em direção à superfície.

O jogo apressa-se então a anunciar a morte de ambos (ou não), e acompanhamos depois e por breves instantes a história de Ashly, uma jovem aprendiz de magia devota a terminar com o tédio que é viver pacatamente na sua vila. Sendo uma habitante da superfície que de hostil e mortífera nada tem (surpresa!), ela assiste à queda de Damion e Layne, e acidentalmente lança um encantamento que faz com que o trio seja então obrigado a permanecer juntos, uma desculpa fácil para que o trio inicie, então, a sua grande aventura.

Está assim lançada a história, que faz muito pouco em não ser um conjunto de eventos previsíveis e, por vezes, desinteressantes, em que o principal problema do jogo é logo demonstrado no seu início: a escrita. Esta é fraca, cheia de personagens desinteressantes e o uso abusivo de humor que pouco ou nada tem de bom, talvez ao nível de Malucos do Riso (para quem se lembrar). Existem bons momentos no meio de tanta situação ridícula, e o jogo deixou-me por vezes na dúvida se as piadas seriam propositadamente más, até ele próprio me lembrar que afinal é para levar a sério. O trio de personagens é também desinteressante e desenvolvem-se usando constantemente as mesmas piadas ou clichés: Damion é arrogante e ingénuo, Layne hábil em roubar e louco por comida e Ashly, à falta de melhores palavras, é parva.

Saltando para o campo de combate, o jogo explora bem uma mistura de RPGs por turnos sem encontros aleatórios, e os táticos onde temos de navegar numa grelha isométrica e tirar partido de todas as nossas habilidades. No fundo é um jogo de estratégia com batalhas geralmente rápidas, em que cada personagem tem também vários truques na manga, com Damion a ser hábil no combate corpo a corpo e com espadas, Layne com ataques e habilidades de longo alcance e Ashly bastante boa com a sua magia bastante destrutiva. O sistema é interessante, embora algo básico, mas à medida que avançamos surgem habilidades que nos permitem usar alguma estratégia, embora essa seja pouca e não mude muito o jogo.

O estilo artístico do jogo, sem conseguir explicar melhor, confunde-me. Os mapas do jogo são interessantes mas rapidamente se tornam repetitivos, e embora seja apresentado em prespetiva isométrica tudo nos cenários parece plano, com modelos 3D dos personagens que parecem "flutuar" ou deslizar em cima do mapa. Depois temos os personagens que têm um estilo artístico estranho tanto nos retratos como nos modelos, mas em contraste temos artwork bastante bom no site oficial e na edição física especial e (muito) limitada, com um estilo ausente no jogo. Basta comparar a imagem no topo desta análise, com o desenho dos personagens nos screenshots, para terem uma noção.

Existem vários problemas de execução fora e dentro das batalhas. Por exemplo, sempre que surgia um diálogo em que tínhamos de responder, que muitas vezes eram para começar uma batalha ou missão, por defeito temos escolhido "Não", o que me fez repetir muitos diálogos por estar habituado a carregar logo para continuar. Já nas batalhas os ataques normais eram feitos controlando o personagem contra um espaço onde se encontrava um inimigo, e sendo um jogo isométrico por vezes erros aconteciam ao ir para a direita com o D-Pad, quando queria ir para cima, por exemplo. Não podendo voltar atrás depois de atacar, tive algumas situações frustrantes.

É pena, pois o sistema de combate tem potencial e torna-se mais interessante mais para a frente, mas por essa altura já estava um bocado aborrecido com o jogo. Há muito por explorar, mini-jogos e alguns elementos novos que vão surgindo aos poucos, como puzzles, que vão tornando o jogo interessante enquanto o exploramos. Existe também algum grind esperado, principalmente quando subimos estatísticas através de itens que obtemos ao derrotar inimigos, ou níveis altíssimos por atingir, mas nunca me senti obrigado a estar sempre à procura de inimigos para as melhorar pois o jogo não apresentou muitas dificuldades, mesmo nas batalhas mais críticas.


Há um certo apelo à nostalgia em Rainbow Skies, e nota-se que houve bastante dedicação no jogo, mas peca por não ser afinado ou melhorado em imensos pontos, tudo agravado pela escrita questionável. Mas no fim de tudo acabar por ser um jogo com algum interesse, e com bastante por explorar independentemente do resto. Por último, é um jogo com cross-buy e cross-save entre a PS4, PS3 e ainda Vita, sendo um ponto positivo para quem puder jogar na PS4 ou PS3, e continuar a aventura na Vita quando tiver uma longa viagem pela frente.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela Plan of Attack.