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31 de maio de 2018

Smoke and Sacrifice


O uso da ilustração em videojogos tem sido cada vez mais frequente nos últimos anos, muitas vezes explorada através de jogos indies. Entre eles surge agora Smoke and Sacrifice, a primeira aposta da Solar Sail Games que nos entrega um RPG onde exploramos um mundo ao estilo dark fantasy, repleto de horror e um ambiente pesado. A história começa quando Sachi se vê obrigada a cumprir a tradição da sua pequena aldeia, ao sacrificar o seu filho, mas há uma verdade oculta e todo um conjunto de conspirações que vão sendo desvendadas aos poucos, talvez como seria de esperar.


Poucos depois do início da aventura Sachi é transportada para um local desconhecido e bastante diferente do que conhece, repleto de criaturas hostis. Um lugar bizarro onde  horríveis monstros e habitantes mascarados partilham o mesmo espaço, e todo o cenário se encontra escondido por uma espécie de escuro nevoeiro que temos de ir "limpando" aos poucos através de uma lanterna, de modo a descobrir mais sobre este mundo. Um pouco ao estilo dos clássicos jogos de estratégia onde desvendamos o terreno à medida que o exploramos.

A jogabilidade é bastante simples, sendo um RPG de ação com vista isométrica sem aprofundar muito nas mecânicas disponíveis, e um dos pontos fundamentais é a sobrevivência, onde ver o ecrã de Game Over não é assim tão raro e numa espécie de aviso, o jogo não tem auto-save, obrigando-nos a gravar em pontos específicos. Não que o jogo seja muito difícil, mas a escassez de itens para recuperar vida, por exemplo, faz com que pensemos duas vezes antes de atacar um inimigo desconhecido. Aos poucos descobrimos novas receitas que vão desde alimentos a diversas armas ou equipamento que nos preparam melhor, equipamento esses que estamos constantemente a arranjar ou melhorar, embora que no geral estejamos sempre a criar novos itens com o loot que vamos adquirindo ao enfrentar os vários monstros.


Há bastante liberdade para explorar o cenário e vamos desvendando-o aos poucos, mas a progressão em si é feita através de quests que funcionam à base de procurar e criar entregar itens, encontrar personagens ou ir para determinados locais, nada que não estejamos habituados dentro do género mas que ainda assim tornam o jogo bastante repetitivo e pouco entusiasmante. A história é também revelada aos poucos através destas fetch quests, mas no meio de tantas entregas muitas vezes parecia que o essencial, que é a procura pelo filho de Sachi, parece ignorado. No geral dei por mim a explorar pura e simplesmente por estar curioso por descobrir mais, muitas vezes fugindo de enormes monstros pois um simples ataque resultava em morte.

Um dos pontos mais fortes do jogo é o seu estilo artístico, onde tanto os personagens como os cenários estão detalhados, embora algumas vezes estes se tornem confusos quando estão vários elementos uns em cima dos outros. Tem sido bastante mais recorrente ver uma forte aposta na ilustração em jogos indie, e cada vez mais encontramos estéticas interessantes como neste título, e explora uma fusão interessante entre o horror e o género RPG, que não é assim tão comum. Infelizmente a banda sonora não está ao mesmo nível, mesmo sendo calma e enquadrando-se no ambiente do jogo, é facilmente esquecida.


Os fãs do género dark fantasy têm aqui um bom jogo, mesmo não explorando mais a parte do horror ou tensão que normalmente encontramos em jogos mais ao estilo survival horror. Mas é pena que a história deixe um pouco a desejar, com surpresas previsíveis e um motivo principal que é constantemente esquecido ou ignorado, em prol de procuras constantes por itens! Ainda assim a aventura tem bons momentos, e uma bela atenção à ilustração que nos deixa a admirar as várias criaturas criadas (poucos momentos antes delas nos matarem sem remorsos).

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para Steam, gentilmente cedido pela Plan of Attack.