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1 de maio de 2018

Donkey Kong Country: Tropical Freeze


Considerando o enorme sucesso da Nintendo Switch após o notável fracasso da consola anterior, seria apenas natural esperar que alguns dos melhores títulos dessa consola viessem parar à popular consola híbrida da Nintendo. Donkey Kong Country: Tropical Freeze é um óptimo exemplo disso, um dos mais sólidos jogos de plataformas dos últimos anos que agora procura uma nova oportunidade no mercado, incluindo um novo modo mais acessível para jogadores inexperientes.

Esta é uma sequela direta de Donkey Kong Country Returns, lançado para as consolas Wii  e 3DS. Desta vez, Donkey Kong está a celebrar o seu aniversário com os amigos em sua casa, quando a ilha onde vive é invadida pelos Snomads, uma tribo que traz consigo o inverno, expulsando os residentes. DK, juntamente com os amigos Diddy, Dixie e Cranky, terá de conseguir regressar à sua ilha natal e afastar de vez esta ameaça polar. Pelo caminho irá atravessar uma série de novos cenários que estão também a ser invadidos pelas criaturas do gelo.

Tropical Freeze é um jogo de plataformas tradicional, semelhante aos restantes da série DKC, onde controlamos Donkey Kong em parceria com um dos seus amigos. Tropical Freeze é um jogo difícil e exigente, mas teve também uma séria preocupação com a acessibilidade. É possível comprar ferramentas para utilizar dentro dos níveis e que oferecem ajudas como, por exemplo, recuperar de um salto mal calculado para um precipício ou obter corações adicionais.


A grande novidade, específica desta versão para a Nintendo Switch, é o novo Funky Mode, que torna o jogo um pouco mais fácil (e menos frustrante), oferecendo corações adicionais e colecionando os segredos encontrados mesmo que se perca e se tenha de repetir o nível, desde que eventualmente se chegue à meta. É neste modo que os jogadores terão a possibilidade de controlar o poderoso Funky Kong em vez de Donkey Kong e seus aliados. Para um jogador experiente, não haverá grande interesse nesta personagem que, além de mais corações, tem a capacidade de fazer duplo salto, manter-se mais tempo no ar e até cair em cima de picos sem sofrer qualquer dano graças à sua prancha de surf.

Seja qual for o modo, controlar o Donkey Kong é uma grande experiência. Com um leque limitado de movimentos, é possível passar qualquer nível apenas com ele, mas os amigos estão lá para ajudar. Diddy Kong tem o famoso jetpack que permite flutuar por uns segundos, enquanto que Dixie consegue fazer uma hélice com o cabelo para prolongar os saltos e atingir assim um salto mais elevado. Já o velho Cranky Kong utiliza a sua bengala da mesma forma que o Tio Patinhas em DuckTales, podendo saltar em cima de inimigos ou espinhos sem qualquer perigo, mas sendo o mais perigoso de controlar em zonas de plataformas mais complicadas, onde Diddy e Dixie oferecem alguma segurança.

No modo multijogador, o segundo jogador pode controlar um dos 3 amigos de forma independente do DK. Embora o Funky Kong não tenha a mesma mecânica de interação com os amigos do DK, é na mesma possível jogar a dois neste modo, com o segundo jogador a controlar o Diddy, a Dixie ou o Cranky. De qualquer maneira, é um pouco frustrante que a única forma de poder jogar a solo com um dos amigos do DK seja em modo dois jogadores, deixando a personagem do primeiro jogador morrer. Qual seria o mal de deixar logo jogar com um desses 3?


O design dos níveis é, sem dúvida, o ponto forte deste Tropical Freeze. Ao todo temos 6 mundos, cada um com uma temática principal, cujos níveis apresentam abordagens completamente distintas ao mesmo tema, incluindo em termos de jogabilidade. Por exemplo, num mundo inspirado em fruta os níveis irão brincar com ideias como fazer sumos, gelatinas ou gelados. Todos os mundos apresentam temáticas diferentes das que se podia encontrar em DKC Returns e até mesmo a ilha onde esse se passava apresenta níveis completamente novos, com referências visíveis ao fundo para quem se recordar do jogo anterior. Os níveis são deslumbrantes e surpreendentes, contando por vezes com uma câmara dinâmica que torna a experiência ainda mais empolgante.

É um jogo difícil, mas que conta com uma curva de dificuldade bastante aceitável. Os níveis são uma surpresa constante, como aliás é tradicional em Donkey Kong, sendo que muitas vezes a "surpresa" é a morte do personagem. Felizmente os "checkpoints" estão bem distribuídos e servem tanto de segurança como de aviso do que poderá surgir mais à frente. O tempo de recuperação após a morte da personagem é bastante rápido e os próprios tempos de carregamento ao entrar e sair dos níveis é bastante aceitável.

Além do grafismo e a exemplar construção dos níveis, existe um grande ponto positivo deste jogo que precisa de ser mencionado: a banda sonora, composta por David Wise, o mesmo compositor dos jogos DKC na Super Nintendo. É um enorme prazer de se ouvir e conta com momentos geniais,desde o tema principal dos vilões com influências nórdicas, ao da savana num estilo digno do próprio Rei Leão, passando pelas melodias subaquáticas que evocam alguns momentos de Metroid Prime. Grande parte da magia deste jogo vive desta banda sonora.


Apesar de não ser um jogo novo, foi um enorme prazer voltar a jogar Donkey Kong Country: Tropical Freeze. Originalmente, foi um título criticado por não tirar partido das funcionalidades da plataforma Wii U, mas o passar do tempo ditou que essa foi precisamente a melhor decisão, com um jogo que encaixa perfeitamente no conceito da Nintendo Switch: gráficos deliciosos para jogar na TV, plataformas demoníacas para continuar a tentar no caminho de casa para o trabalho. O novo Funky Mode assegura que até os menos experientes possam agora usufruir de um dos melhores jogos de plataformas 2D dos últimos anos.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.