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4 de abril de 2018

Through the Ages


Os jogos de tabuleiro estão na moda, hoje em dia é bastante normal ver grupos de amigos, ou até mesmo desconhecidos, reunirem-se para longas sessões de jogo e descobrir novos jogos. Não é de espantar que alguns desses jogos estejam a saltar para o formato digital e depois do seu lançamento para dispositivos móveis Through the Ages é lançado para PC, numa adaptação fiel ao jogo de tabuleiro, sem grandes alaridos mas com alguns elementos que nos vêm ajudar imenso as partidas.


Este é um jogo onde temos à disposição várias estratégias para criar a nossa própria civilização, com o objetivo chave de conseguir pontos de cultura. Simples, não parece? Pois para suportar a nossa civilização existe todo um conjunto de elementos e mecânicas que temos de seguir, e praticamente "tudo" no jogo funciona como um tipo de recurso, e tudo está de alguma forma interligado. Um dos principais motores do jogo é uma linha de cartas que podemos comprar de forma a adquirir novas coisas para a nossa civilização, líderes, maravilhas ou até mesmo cartas que nos dão de imediato alguns recursos. De resto é desenvolver o que temos à nossa frente ao longo de 4 Eras da nossa civilização, começando pela Idade Média e chegando aos tempos modernos.

Talvez fosse boa ideia explicar as mecânicas o jogo aqui, mas o jogo consegue tornar-se tão complexo que talvez seja tão confuso ou desmotivante ter uma parede de texto com as "regras". Ficando-me apenas pelo fundamental, o objetivo é criar uma grande civilização e para tal temos edifícios que produzem comida, recursos propriamente ditos (mas chamemos-lhe "pedra" para simplificar), ciência, felicidade e cultura. A comida é necessária para criar novos trabalhadores, que podem depois construir mais edifícios e produzir mais recursos. A ciência permite-nos descobrir tecnologias que melhoram a nossa civilização, a felicidade é necessária para evitar que uma população grande entre em revolta (em revolta, não produzimos) e por último a cultura são os pontos de vitória.


Juntam-se à festa a força militar, que nos permite atacar os adversários para roubar recursos ou destruir partes da civilização deles, líderes com várias mecânicas em que podemos construir uma estratégia à volta do que eles fazem e maravilhas do mundo, também elas com elementos especiais. Há ainda cartas de governo que, assim que a podemos usar permitem-nos ter mais ações durante o nosso turno, entre outras vantagens. Parece toda uma avalanche de regras e coisas importantes para ter em mente, mas o jogo vem com um ótimo tutorial que nos explica detalhadamente todos os pontos do jogo, evitando assim perder tempo a ver vídeos sobre como jogar. Mas onde esta adaptação brilha é na gestão automática de recursos no final de cada turno, algo que perdemos bastante tempo a mexer cubos de um lado para o outro no jogo de tabuleiro, e aqui é feito em meros segundos.

Nas primeiras vezes que jogamos Through the Ages no tabuleiro é muito fácil empancar em várias situações, mas esta versão digital previne isso mesmo, através dos vários avisos que nos permitem repensar ou até mesmo voltar atrás jogadas caso fizermos asneira. Tudo é devidamente explicado, e o jogo é bastante visual relativo a tudo o que está a acontecer, excepto talvez de não ter a pontuação dos jogadores todos sempre visível (embora a possamos consultar a qualquer momento). A adaptação está bem conseguida e talvez seja recomendável explorá-la, antes de partir para o jogo de tabuleiro em si. O mais curioso é talvez ver como um jogo de tabuleiro, "inspirado" pelos jogos virtuais de estratégia e até tem Sid Meier como um dos líderes, torna-se também ele um jogo de computador.


Embora complexo, é um jogo que facilmente agarra os fãs de jogos de estratégia, e mesmo havendo alguma sorte (mais pelas cartas que vão aparecendo) o jogo não se baseia nisso. Se nos sentirmos intimidados em realizar partidas online com amigos ou desconhecidos, podemos ir treinando através de partidas contra o PC definindo o número de jogadores que vão de 2 a 4. Mas talvez o mais interessante é enfrentar os vários desafios que esta versão inclui, onde jogamos partidas onde construir fica mais barato, usar apenas um líder durante o jogo todo, ou jogos em que não há ataques ou guerras.

Mas que guerras são essas? Durante o decorrer do jogo vamos adquirindo e gastando cartas de eventos, cartas essas onde podemos encontrar eventos que dão recursos a todos os jogadores, cartas de ataque e até mesmo de guerra. Embora o jogo pareça uma partida de Solitário, em que temos outros 3 jogadores connosco, é possível ataca-los para ficar com os seus recursos, e para tal ter uma boa força militar é fundamental. Mas ao desenvolvê-la estamos a sacrificar recursos que podiam ser aplicados para construir logo cultura, e existem mecânicas que ajudam as civilizações mais fracas a defenderem-se.


Há bastante para explorar neste jogo, explorar líderes diferentes e adaptar as nossas estratégias face ao que os nossos adversários estão a planear. Como seria de esperar as partidas online tomam o seu tempo, mas ainda assim longe do que acontece com o jogo de tabuleiro: enquanto que uma partida pode facilmente chegar às 4 horas, no PC entre 30 minutos a uma hora temos o jogo concluído. Durante a análise encontrei vários lobbies com jogadores para enfrentar, e as partidas que tomei parte foram bem interessantes!

Nesta análise decidi omitir alguns elementos mais secundários mas que ajudam no jogo, de modo a não confundir ainda mais, pois embora seja um jogo de tabuleiro bastante interessante (e a versão digital não lhe fica atrás) a sua complexidade pode afastar muitos jogadores. Foram precisas várias partidas, quer de tabuleiro quer agora digital, para perceber bem como funciona "todo" o jogo, e habitualmente agora me vejo a ir jogando partidas no PC.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para PC via Steam, gentilmente cedido pela Czech Games Edition.