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23 de janeiro de 2018

Furi


Eu adoro surpresas, principalmente quando elas nos fascinam. Furi foi uma das maiores e o ano ainda mal começou. São fãs dos néons roxos e exóticos dos loucos anos 80, com músicas do género synthwave e electro, ação pura e frenética, têm habilidades e uma inesgotável paciência e adoram desafios a sério? Furi é exatamente aquilo que procuram, então se o adquirirem o para a Nintendo Switch, melhor é impossível.

Ao contrário da maior parte dos jogos que estamos acostumados a jogar, Furi é tal como Shadow of the Colossus, um jogo focado apenas em lutas contra bosses e no intervalo de cada luta temos a parte da narrativa. Esta narrativa está completamente envolvida em mistério, e é acompanhada por uma personagem ainda mais misteriosa que usa uma máscara de um coelho, o qual nos recorda imediatamente o carismático Ravio do The Legend of Zelda: A Link Between Worlds. Esta personagem narra alguns acontecimentos muito por alto e dá-nos dicas acerca do boss que vamos enfrentar, um após o outro, e assim sucessivamente. Nestes intervalos assistimos a cenários engraçados e bizarros. O mais estranho é termos de premir apenas um botão para que a nossa personagem caminhe em direção ao portal seguinte, que dá acesso ao então novo cenário onde se encontra o próximo guardião. Ou seja, não existe exploração alguma, o jogo é totalmente linear. Tanto o nosso protagonista como essa personagem misteriosa que nos acompanha ao longo da nossa jornada encontram-se presos e, assim que somos soltos, damos inicio à nossa fuga. Essa fuga passa por derrotar todos esses bosses. Alguns destes guardiões vão dando dicas do quão perigoso o nosso protagonista é, mas leva algum tempo até descobrirmos porque razão somos tão odiados.


Na verdade, a estória é um pequeno pretexto, o mais importante neste videojogo é o prazer, mas um prazer que não deve ser do agrado de todos. A dificuldade é elevada mesmo no modo normal, isto porque o jogo foi criado para ser desafiante. Embora o primeiro guardião seja como uma espécie de tutorial, mesmo ele vai dar trabalho para ser derrotado. Todos os guardiões têm um padrão de movimentos, mas o problema é que todos eles têm várias barras de saúde, as lutas são bem duradouras e, para complicar, os padrões mudam a cada barra de saúde eliminada. O boss vai ficando sempre cada vez mais difícil de derrotar, o que consegue ser frustrante chegar à sua última barra de saúde e levarmos uma carga de porrada para no fim termos de repetir tudo. Lá está, é um jogo desafiante e exige paciência, bastante.

Se os guardiões têm as suas armas e formas de combater, nós também temos os nossos “truques”. O nosso protagonista conta com uma espada longa ao estilo de um Samurai, que é a nossa arma principal, mas convém referir a importância da nossa arma secundária de raios laser, a qual é controlada pelo analógico direito e pode ser, por isso mesmo, disparada em todas as direções. Para além das armas, o botão B serve para nos esquivarmos, outro aspeto de extrema relevância, até porque vamos passar a vida a esquivarmo-nos de raios projetados pelos guardiões. Por fim, o botão A serve para nos protegermos. No caso de nos protegermos no timing certo do ataque do nosso adversário, há a possibilidade de executar um contra-ataque poderoso. O facto de nos protegermos também enche a nossa barra de saúde, o que é importantíssimo pois sofrer danos neste jogo é constante.

Vamos passar para apresentação do jogo. Os visuais são belíssimos, pelo menos para alguém como eu que tanto adora o estilo anime, retro e a música eletrónica de classe. Primeiro, o visual do nosso protagonista é retirado do Afro Samurai, quem viu o anime irá certamente reconhecer, tanto o cabelo como a atitude, as semelhanças são imensas. O grafismo ao estilo anime, com cores fortes e neons por toda a parte, são um toque dos anos 80 que eu tanto adoro. Para acompanhar este delicioso “prato”, o melhor que o jogo tem, a sua banda sonora. Esta é de longe uma das bandas sonoras mais incríveis de sempre, podem até não gostar muito do jogo pela dificuldade ou por apenas ser focado em lutas contra bosses, mas algo que está excecional é a sua música. A produção é de Carpenter Brut e a qualidade é surreal, se forem fãs de música eletrónica, isto é um obrigatório. De acrescentar que nas opções podem optar por vozes em japonês, o que dá outra vida ao jogo, aconselho a experimentarem.


E este magnífico trailer?

Furi é um dos melhores indies que joguei, pode até ser repetitivo para alguns jogadores ou demasiado difícil, mas é esse desafio, a música e a sua direção artística que o torna tão especial, é fascinante, tudo isso faz com que Furi seja um jogo indispensável na vossa biblioteca de indies, simplesmente genial, estou rendido.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela ICO Media.