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18 de dezembro de 2017

Serial Cleaner


Repetição. Repetição. Tanto pode ser boa como pode ser má. Permite refinar as nossas habilidades ou esgotar a paciência. Infelizmente em Serial Cleaner é a segunda opção. Não é um mau jogo, mas não fez clique comigo.

O trocadilho do nome revela um pouco do jogo: tem a ver com assassinos e limpeza? Bingo. O twist deste Serial Cleaner é que os assassínios não são cometidos por nós, mas pelos nossos amigos mafiosos, nós só temos de limpar os cenários do crime e isso implica retirar os corpos, apanhar armas do crime ou outros objectos ou aspirar o sangue – sim, leram bem. É um conceito engraçado com um estilo apelativo, mas a natureza repetitiva ao longo dos vinte e poucos níveis é um revira olhos.


As mecânicas do jogo são interessantes enquanto o são, começamos em casa a receber uma missão e temos alguns pontos de interacção com objectos e a nossa mãe. Depois recebemos um telefone e lá vamos trabalhar. Os níveis são fixos e não aleatórios, mas a disposição dos corpos e objectos muda sempre que morremos, o que impede qualquer tentativa de erro e sucesso. É frustrante porque não nos deixa aprender o nível, mas faz com que estejamos sempre alerta a cada jogada. Não podemos atacar os adversários (polícias e outros) e quando nos atacam/prendem temos de começar de novo. Existem alguns esconderijos espalhados que nos safam, mas é só isso. Se quisermos evitar a atenção destes temos de ter observar os seus cones de visão, muito à Metal Gear Solid, e não passar à frente. Depois, em alguns níveis, podemos alterar os seus percursos. Os nossos passos fazem barulho e é importante termos esse detalhe em conta, principalmente quando nos metemos a aspirar sangue – a aspirar sangue…

O look anos setenta/oitena trabalha a favor do tema do jogo, com uma estética muito recta e dura. A banda sonora usa os seus baixos e ritmos mais funky para complementar a época. No geral, desde a caracterização da personagem ao mundo, Serial Cleaner é quase uma dedicatória aos filmes de então, Reservoir Dogs, Jackie Brown, Miami Vice, etc.

Agora, se procuram uma narrativa coesa que acompanhe o jogo todo, podem procurar noutro lado. Se apenas quiserem algo fácil de pegar e jogar, têm aqui uma boa aposta. A natureza dos puzles, a dificuldade crescente também oferece desafios a quem gosta de quebrar a cabeça a jogar.


Não é para mim, mas pode ser para vocês. Gostaram do que leram? Arrisquem e aspirem lá esse sangue todo, mas não tentem em casa que ainda estragam o aspirador.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela iFun4All