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7 de dezembro de 2017

8-Bit Adventure Anthology - Volume 1


Alguém aqui se recorda das Aventuras Fantásticas, uma colecção de livros publicados pela Verbo nas últimas décadas do século passado? Estes assentavam na premissa de que o herói era o leitor, levando a explorar os mais sinistros e perigosos dos locais, desde castelos demoníacos e mansões assombradas, até estações espaciais abandonadas. Ora, 8-Bit Adventure, trazido até nós pelo esforço conjunto da Abstraction Games e da General Arcade traz-nos uma colectânea de jogos que captam o espírito dessas obras dos mestres Steve Jackson e Ian Livingstone.

São três as pérolas disponibilizadas neste generoso pacote. Todos eles jogos originalmente lançados para o Macintosh entre 1985 e 1987, acabariam por encontrar uma casa nas consolas domésticas na NES e mais tarde no Game Boy Colour onde conquistariam novos fãs, cimentando a sua posição como um dos melhores títulos das mesmas. Falo-vos de Déjà Vu, The Uninvited e Shadowgate. Embora com temática diferente, todos eles assentam no mesmo tipo de gameplay. Mas falemos brevemente da história de cada um deles.


Déjà Vu, uma aventura pulp noir passada em 1941, vê-nos assumir controlo de um antigo pugilista tornado detective, Ace Harding, que acorda sem memória no prédio onde reside, mais especificamente na casa de banho do mesmo (isto seria algo que apenas voltaria a acontecer com o protagonista de Silent Hill 2). Desesperado por recuperar a memória, o herói depara-se ainda com um inesperado homicídio que deverá também resolver.

The Uninvited, por sua vez, assemelha-se menos a um conto detectivesco e tem mais em comum com uma história de horror. Neste jogo, o protagonista sofreu um acidente rodoviário em frente a uma sinistra mansão. Para além disso, a sua irmã mais nova desapareceu, pelo que o herói decide investigar o interior da misteriosa casa em busca dela. Fantasmas, demónios e outras criatura serão o que ele irá encontrar durante esta sua demanda.

Por último, Shadowgate coloca-nos na pele de um guerreiro com uma missão da mais vital importância para o destino do mundo. Impedir o maléfico Warlock de invocar o mais destrutivo dos monstros, o terrífico Behemoth. Um verdadeiro dungeon crawler onde temos todo o castelo de Shadowgate para explorar, evitando as armadilhas e enfrentando os adversários que nos surgem pelo caminho.


Em relação ao gameplay, todos eles partilham de diversos elementos em comum. A acção, em todos, passa-se num quadrado situado no canto superior esquerdo. Este representa a área na qual nos encontrámos, a qual podemos explorar livremente. O canto superior direito está reservado para a lista de itens (goods) que vamos adquirindo durante a aventura. Em Shadowgate e Uninvited temos ainda os Spells, os quais podem ser aprendidos via livros disponíveis em certos locais. A metade inferior do ecrã está destinada às muitas acções que a nossa personagem pode efectuar. São elas o use, take, open, close, hit, speak, leave, look e move. Fazendo uso destas podemos falar com outras personagens que se encontrem no ecrã, usar itens, combater inimigos, entrar em salas, entre muitas outras coisas. Igualmente disponível no ecrã inferior está um pequeno mapa indicativo dos caminhos disponíveis para serem tomados na respectiva área. Em todos os três jogos o ponto fulcral será a exploração, o back-tracking e sobretudo a resolução de puzzles.

De salientar que não existe limite para o número de itens que poderemos transportar no nosso inventário, em contrapartida em alguns destes títulos iremos deparar-nos com situações de tempo limite, pelo que a celeridade de acções pela nossa parte é deveras importante. Vemos o caso do rubi encarnado em The Uninvited e das Tochas em Shadowgate (se a chama destas se esgotarem e não tivermos nenhuma para substituir a perdida, é game over para nós). Jogos longos, mas com morte rápidas que podem estar ao virar de cada esquina, estes três clássicos da década de 80 têm mais semelhanças visuais e sonoras com os ports para as consolas da Nintendo do que com os originais da Macintosh. O que não é mau, uma vez que temos gráficos coloridos e muito bem conseguidos para 8 bits. A música é memorável e fica na memória, ajudando a estabelecer um ambiente que ora é tenso, ora é descontraído.


Uma bela proposta para muitos nostálgicos por esse mundo fora, que apenas peca por não trazer um ou outro extra, como artwork original, making-offs, entre outros. Um must-have para detentores de conta no Steam ou de uma Xbox ou PS4 e que sejam fãs deste género. Que venha daí o segundo volume.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para o PC via Steam, gentilmente cedido pela Reverb Inc.