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29 de novembro de 2017

Zero Escape: Zero Time Dilemma


Pela primeira vez tive a oportunidade de jogar um jogo da série Zero. Para quem não conhece, são jogos que nos dão a volta à cabeça, puzzles e mais puzzles, escolhas e mais escolhas, numa estória envolvente ao contrário de outros jogos do género. Se já os dois primeiros capítulos são considerados bons, este, na minha opinião, está igualmente muito bom.

Em Zero Time Dilemma temos 9 personagens, todas elas acordam encarceradas em celas, divididos em 3 grupos. Zero, a mente por detrás dos puzzles que vão ter de solucionar ao longo do jogo, aparece momentaneamente para se apresentar, desfiando uma das personagens a escolher entre um dos lados da moeda. Esta moeda contém duas cores diferentes, na frente a cor vermelha, no verso a azul. A primeira vez que escolhi um destes lados, o inesperado aconteceu, terminei o jogo. Isto é algo que sinceramente me fascinou, porque uma das cores obrigava-nos a entrar no jogo deste vilão misterioso, a outra cor representava a nossa liberdade. Como escolhi aleatoriamente uma das cores, a liberdade foi a que obtive, ou seja, terminei o jogo após 5 minutos de o ter iniciado. É evidente que o engraçado do jogo é passar pelos desafios que Zero nos preparou. O mais engraçado nisto tudo, é a forma como Zero nos troca as ideias, estamos praticamente a jogar um “Saw” por assim dizer.


Infelizmente, este jogo tem ligação com os dois jogos anteriores, alguns diálogos remetem a personagens do passado, acontecimentos e pormenores que fazem alguma diferença para os que jogaram 999 e Virtue’s Last Reward. No entanto, se não tiverem a possibilidade de os jogar, não existe mal algum em iniciar esta jornada com Zero Time Dilemma tal como eu. Sendo isto um jogo ao estilo de "Saw", as regras são simples e claras: apenas 3 pessoas podem sair do abrigo instalado no subsolo, as outras terão de morrer. Pois aí está o problema, porque vamos jogar com os três grupos, logo iremos afeiçoar-nos a algumas personagens, a questão aqui é, qual dos grupos merece sobreviver? Existe sequer uma possibilidade de se salvarem todos? E algo mais interessante é ter de tomar decisões que podem afetar os outros grupos levando-os até à morte, por isso as vossas escolhas terão grande peso e vão ter de sofrer as consequências. As mortes estão bem explícitas, o sangue jorra pelas paredes, por isso preparem-se para uma violência brutal.

Muitas personagens, personalidades diferentes, passados por contar, isso torna Zero Time Dilemma interessante. Nas primeiras horas podem gostar imenso de uma personagem, como a vossa opinião pode mudar instantaneamente devido a atitudes que ela possa eventualmente ter em certas circunstâncias. A banda sonora desempenha um papel importantíssimo e envolve completamente os jogadores no ambiente que este jogo nos apresenta proporcionando momentos de tensão e dificuldades em escolhas de grande relevância. O voice acting é do melhor, até porque podem optar pelas vozes originais japonesas ou então as inglesas, ambas muito boas. O grafismo em estilo anime está bom, mas o que mais se destaca mesmo são as personagens, o resto acaba por parecer um pouco “despido e simples”.


A quantidade de puzzles é grande e nenhum deles é aborrecido, todos eles são bastante variados o que ajuda o jogador a estar sempre entusiasmado e ligado ao jogo para resolver os enigmas apresentados. Algo que poderia estar melhor é a dificuldade de encontrar certos puzzles em certas salas, pois nada nos indica onde eles estão, no entanto é isso que nos obriga a explorar todos os cantos da sala e pequenos detalhes que nos saltarem à vista para que possamos interagir.

Zero Time Dilemma não é perfeito, mas é um jogo muito bom para ser jogado num playthrough e ficar completamente agarrado até ao fim, até porque conta com mais de 20 horas para ser terminado, uma estória envolvente e com muitas surpresas que vão deixar o jogador simplesmente boquiaberto.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela Aksys Games.