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29 de novembro de 2017

Xenoraid

Análise por Diogo Ribeiro

Estou a ficar velho. Não, não estou com crise de identidade, nem amargado pela vida, nada que se pareça! Mas pensar que ainda “no outro dia” estava a jogar os muitos títulos que ao longo dos anos foram inspirados nesse grande clássico que é Space Invaders, dá que pensar. Provavelmente considerado um dos jogos mais reconhecíveis de sempre, Space Invaders influenciou vários criadores de jogos, e há uma era da indústria após o seu lançamento. O conceito é simples: a nossa nave espacial deve atirar sobre os alienígenas que aparecem à nossa frente, evitando sermos alvejados pelas suas munições. Ao longo de todos estes anos vimos muitas variações deste conceito: com gráficos melhores ou piores, jogado de forma horizontal ou vertical, mais ou menos difíceis, uns mais espalhafatosos que outros. Xenoraid é talvez para mim, dos muitos que pude experimentar, dos melhores jogos deste género nos últimos tempos.

O foco aqui é a jogabilidade. O jogo não se trata apenas de disparar balas de forma ad libitum, destruindo inimigos pelo caminho, sem ter muito em que pensar ou simplesmente evitando as balas inimigas. Há um forte elemento de precisão e estratégia a vários níveis. Por um lado, controlamos a nossa nave apenas vertical e horizontalmente, sendo que quando nos deslocamos para um lado ou outro, a frente da nave acompanha esse movimento, alterando a direcção das nossas balas (apesar de ser possível desligar esta funcionalidade nas opções). Isto faz com que ao mesmo tempo que estamos a desviar-nos dos inimigos, não conseguimos sempre acertar-lhes nos ângulos ideais e é preciso escolhermos a melhor forma de nos posicionar. O jogo permite-nos ainda ir trocando de nave durante as lutas (num máximo de 4 à escolha), o que é especialmente importante pois algumas naves são mais apropriadas a uns inimigos que outros, já que cada uma tem habilidades e munições diferentes. Acresce ainda o factor de que existe morte permanente, e por isso é preciso gerir bem a vida de cada nave. Daí deriva o segundo elemento estratégico do jogo: entre missões, somos apresentados com um sistema de gestão de recursos que ganhamos com o sucesso da nossa prestação. Podemos melhorar as nossas naves, vender e comprar outras, consertá-las dos danos sofridos, escolher alguns “perks” que ajudam na próxima missão, e até contratar novos pilotos para uma nova nave, caso tenhamos perdido alguma em combate.

Após terminarmos o modo de 1 jogador pela primeira vez, podemos escolher uma dificuldade “Hard”. E aí sim começa realmente o jogo! Nas missões mais difíceis é realmente um grande desafio, e algo que demonstra o quão cativante é a jogabilidade deste Xenoraid. Os inimigos não seguem um padrão pré-determinado: em vez disso, estão programados por Inteligência Artificial e calculam o local da nossa trajectória e perseguem-nos, além de se desviarem de obstáculos, como asteróides, que circulam pela área de forma aleatória. Há momentos que devido à grande confusão de balas que circulam pelo ar, quase parece milagre que conseguimos sobreviver! E muitas vezes dei por mim a soprar de alívio quando finalmente conseguia passar um encontro mais difícil. Apesar de ser um jogo simples, a adrenalina de desviar constantemente das muitas balas, tendo ainda a possibilidade de trocarmos de nave, ao mesmo tempo que calculamos a vida que cada uma tem para não a perdermos para a próxima missão, é algo super entusiasmante.

Não fosse este jogo uma inspiração moderna do Space Invaders, não poderia claro faltar um modo de arcada (aqui apelidado de modo “Survival”). Filas infindáveis de inimigos vão aparecendo no nosso ecrã, e o grande desafio é não morrer e obter a maior pontuação possível. E se acharmos que sozinhos não vamos conseguir ultrapassar a pontuação máxima, o jogo permite tanto neste modo como no modo de campanha pegarmos em mais 3 amigos e desatar aos tiros. Infelizmente aqui deparamo-nos com um dos problemas da adaptação do jogo para a Nintendo Switch. Por algum motivo, o jogo não permite jogarmos com apenas um Joycon na forma horizontal, sendo que é sempre necessário 1 par de Joycon (ou um Pro Controller) por jogador. Isto torna a experiência de poder jogar casualmente na rua com um parceiro algo mais complicado, já que é preciso andarmos com mais um comando na mochila. E vale a pena o esforço? Vale, porque o jogo é realmente muito desafiante, e a experiência de o partilhar com outro(s) jogador(es) é realmente muito, muito satisfatória!


Ao preço proposto de 10 Naves, Xenoraid é uma pechincha. Apesar de ser um daqueles títulos que pegamos casualmente, a sua jogabilidade é incomparável dentro do género “shooter”. Quando um jogo nos captiva, sabemos geralmente desde o primeiro instante que o pegamos. E Xenoraid faz isso: os seus controlos são tão responsivos e claros, a sua jogabilidade tão fluida e excitante, que logo no primeiro momento sabemos que estamos perante um jogo com qualidade. A junção do sentimento clássico a mecânicas e ideias mais modernas fazem deste título um título imperdível para amantes do género.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela 10tons