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9 de novembro de 2017

DOOM (Nintendo Switch)


"A Nintendo está condenada" é, provavelmente, a frase mais ouvida pelos fãs da Nintendo desde os finais dos anos 90. Ou porque uma consola vende pouco, ou porque não tem apoios third-party, ou o que tem são demasiado casuais há sempre algo que não está bem e lá vem outra vez o "Nintendo is doomed". Pois bem, tanto pediram, que aí está o DOOM na Nintendo Switch!

O aclamado shooter da Bethesda / id Software foi originalmente lançado em 2016 para PS4, Xbox e PC e teve um grande reconhecimento tanto por parte da crítica, como do público. Com acção frenética e over-the-top, uma banda sonora cheia de energia e gore sem limites, DOOM trouxe uma descida aos infernos que foi um dos melhores anti-stress dos últimos tempos. O que ninguém imaginava na altura era que, um ano depois, o poderia jogar em formato portátil na Nintendo Switch. Mas como assim, a Switch aguenta com o DOOM?


"Ai aguenta, aguenta!", diria um famoso banqueiro português. Claro que algumas concessões tiveram de ser feitas, portanto coloquemos já de parte a ilusão de que esta versão esteja graficamente igual à da PlayStation 4. Ainda assim, foi uma adaptação extremamente competente! Jogar com a Switch em modo "docked", na TV, permite-nos ver que o jogo não é assim tão "HD" como gostaríamos. O que sacrificaram em resolução deu-lhes margem de manobra para uma fluidez incrível: podemos estar completamente cercados de demónios, que conseguiremos na mesma disparar em cima deles todos. Bem, conseguir mesmo pode variar com a destreza do jogador e o modo de dificuldade, mas certamente não será por o jogo ser lento.

Por outro lado, retirando a consola da dock, temos um resultado incrível. No fundo é tudo uma questão de termo de comparação: porquê jogar DOOM numa Switch ligada à TV quando se tem uma versão melhor noutra plataforma? Já em modo portátil... bem, de facto não há melhor forma de jogar DOOM enquanto se aguarda na repartição das Finanças. E o mais curioso é que a optimização do jogo foi tal, que este acaba por ter melhor aspecto em modo portátil do que ligado à TV. Bravo!


O modo multijogador é uma história à parte. Aqui houve uma grande preocupação em manter a velocidade do jogo, em troca baixaram a qualidade da imagem que parece sempre um pouco desfocada. Não tive grande oportunidade de testar este modo a tempo da análise para atestar a qualidade dos servidores e o matchmaking, mas acho bastante interessante que a partir do menu principal se possa ver imediatamente que amigos estão a jogar online e os convites recebidos para jogar. Mostra um grande cuidado nesta adaptação em não "amputar" funcionalidades, mas sim os demónios. Infelizmente, não aproveitaram os comandos Joy-Con para se utilizar a mira com controlos de movimento, mas acrescentaram o HD Rumble para uma maior imersão.

Durante as minhas sessões de jogo, não notei perdas de fluidez ou quebras na jogabilidade. O jogo oferece algumas opções gráficas como a intensidade do "motion blur", algo que podemos reduzir para fazer o jogo parecer mais definido, mas que optei por manter pela imersão oferecida. A maior desilusão será, então, o modo multijogador, cujo grafismo não o torna muito apelativo, embora consiga perceber o que os levou a oferecer uma imagem de qualidade inferior à do modo campanha.

Um reparo importante a fazer tem a ver com a edição física do jogo. Quem optar por esta versão apenas terá acesso imediato ao modo Campanha, ou seja, o modo para um jogador. O acesso ao multijogador irá implicar um download adicional (gratuito) na consola de cerca de 10GB. Embora a prática não seja propriamente amiga do consumidor, pelo menos houve o discernimento de incluir na versão física todo o conteúdo que não irá depender da disponibilidade dos servidores para se poder jogar. Importante também referir que o jogo já inclui de base todos os conteúdos de DLC das versões para as outras plataformas.


O anúncio de DOOM para a Switch foi uma grande surpresa. Juntamente com o lançamento para breve de Skyrim e, posteriormente, do Wolfenstein II, coloca a Bethesda como um dos principais apoiantes third-party para a plataforma. A maior surpresa, no entanto, foi que conseguiram fazer uma adaptação bastante competente de um jogo visualmente exigente para uma plataforma onde não se pensava que fosse possível. Quanto ao jogo, esse, continua frenético, empolgante e principalmente visceral. Recomendado especialmente a quem o tenciona jogar em modo portátil.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.