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25 de outubro de 2017

South Park: A Fenda que Abunda Força


É impossível não reconhecer o nome South Park, quer se goste ou não. Esta série de animação que faz agora 20 anos é facilmente reconhecida pelo humor vulgar, gráfico, violento e que não deixa ninguém de fora, que acompanhou gerações. Contou também com alguns videojogos e a sua receção foi negativa, mas com a chegada a Stick of Truth e a sua estreia nos género RPG finalmente acertou na fórmula, e recebe agora uma sequela!


Pouco depois dos eventos de Stick of Truth, Cartman encontra uma nota de recompensa de 100 dólares sobre um gato desaparecido, e aqui ele vê a oportunidade perfeita para usar o dinheiro para salvar a sua franchise de super heróis, os Coon and Friends. Rapidamente todos os personagens largam as vestes medievais e põem os fatos de super heróis ou super vilões, e isto resume tudo o que se passa no jogo: uma brincadeira! Há uma linha bastante ténue entre o que é real e fantasia, mas acaba por ser tudo uma brincadeira de crianças onde reina a fantasia e a imaginação, mas à boa maneira de South Park vários eventos estranhos e dignos da ficção são bastante reais.

Estamos então no meio de uma Guerra Civil entre duas franchises de super heróis, a Coon and Friends liderada por Cartman (The Coon) e os Freedom Pals onde temos, entre outros, Kenny (Mysterion) e Stan (Toolshed). Convém referir que recentemente houve um episódio que serve de prequela para o jogo, e embora não seja preciso vê-lo ele prepara bem o terreno. O novo miúdo do bairro, o nosso protagonista silencioso e que o jogo consegue gozar com isso, encontra-se novamente no centro das atenções, tornando-se vital para os planos do The Coon, e recebemos logo a nossa primeira missão: reunir followers no nosso Coonstagram de modo a combater a popularidade dos Freedom Pals, e tornar assim os Coon and Friends na melhor franchise de sempre!


Há sempre uma missão principal a cumprir, devidamente acompanhada por outras secundárias que dei por mim a achar mais piada que à história principal, embora essa seja também boa. É tudo geralmente aleatório mas genial, e dei por mim a rir com toda uma quantidade de piadas, desde as mais subtis às mais diretas, que iam da crítica social ao ridículo. Como é de esperar há piadas a vários super heróis e às suas respectivas BDs e filmes, e o tipo de escrita e humor presente na série está extremamente bem vincado neste jogo. Isto sem cair no básico como as fart jokes tão tradicionais da série, que embora o protagonista seja o mestre dos peidos, o jogo assume isso como normal e não faz piadas à volta disso.

Sendo um RPG tradicional esperam-nos batalhas por turnos, mas os combates não surgem aleatoriamente durante o jogo e encaixam perfeitamente na história, e tirando os combates opcionais quase todas as batalhas fazem sentido. O sistema é bastante simples e roça o tático, e com a exceção do protagonista não há qualquer evolução nos personagens. Comparando com outros jogos este aproxima-se dos RPGs de Super Mario, em que ao pressionar botões no timing certo torna os ataques mais poderosos. Outra semelhança com os RPGs de Mario é o modo como exploramos o jogo, que vamos desbloqueando habilidades (personagens) que nos abrem caminho para avançar no jogo.


Embora simples o sistema agradou-me imenso, e mesmo tendo um sistema de equipamento limitado ao personagem principal não senti a falta de ter algo mais evoluído. As batalhas não são difíceis nem cansativas, e a maioria dos combates tinham momentos únicos, geniais e com mecânicas diferentes. Também enquanto que em Stick of Truth os ataques eram feitos com imensos utensílios, desta vez podemos ver mesmo os super poderes dos personagens a acontecer, embora tudo isso faça parte da imaginação dos personagens. Deu-me um gozo tremendo costumisar a personagem a gosto, misturando habilidades das classes disponíveis, e mesmo só com 4 ataques consegui criar um super herói que gostei imenso!

Um dos pontos chave da série (e por sua vez do jogo) o humor, e este não dá tréguas. É direto, provocador, consegue ridicularizar tudo e todos e está a par das tendências mais recentes, critica o politicamente correcto mas usa-o também para o seu próprio bem. Ironiza questões sociais como a cor da pele do personagem, que afirma que o jogo se torna mais difícil quanto mais escura for a nossa pele, mas de seguida comenta que isso não muda nada no jogo, apenas no mundo real. Goza com a sociedade, a política, religião, e desta vez o jogo não teve um único ponto de censura (ao contrário de Stick of Truth, que viu partes retiradas do jogo na versão europeia). Rio constantemente durante o jogo, e embora pudesse enumerar várias dessas situações, prefiro não spoilar e deixar isso para a descoberta. Digo só que tentem fazer skip às primeiras cutscenes do jogo, não se vão arrepender!

Mas ao mesmo tempo que vamos tendo missões absurdas e cruzamos caminhos com outros personagens, na tal Guerra Civil entre super heróis, há todo um drama familiar em redor do protagonista. A sua origem acaba por ser um mistério, tão grande que só nos é perguntado o género do personagem umas horas após começar o jogo, e isso resulta numa discussão familiar que lança a intriga. Aos poucos vamos também desvendando o mistério em torno dos gatos desaparecidos, e no geral outros mistérios em South Park. O que não é segredo algum é a identidade dos personagens, mas os locais todos alinham na brincadeira e aceitam tirar selfies connosco, de modo a aumentar a popularidade dos Coon and Friends.


Sendo um jogo feito a pensar nos fãs da série, não afasta os restantes e não entra por caminhos obscuros que apenas os fãs fossem entender. Não só é acessível como o jogo nos provoca e deixamos nos levar por ele, talvez seja apenas difícil de o aturar caso fiquemos ofendidos facilmente. Por último, dou uma especial atenção à legendagem em português, que mesmo sendo só legendas durante os diálogos dos personagens, elas têm algumas surpresas!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela Ubisoft.