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6 de outubro de 2017

Layton's Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires' Conspiracy


A série Layton é bastante conhecida dos nossos leitores, especialmente os que nos acompanham já desde os anos da Nintendo DS. As aventuras do arqueólogo londrino conquistaram-nos desde The Curious Village e, ao longo de duas trilogias de jogos e um filme, construíram um legado memorável. Layton's Mystery Journey representa o começo de uma nova geração com um título desenvolvido a pensar no segmento mobile, agora adaptado à Nintendo 3DS. Mas será mais do mesmo?

Infelizmente, não.

Neste título acompanhamos Katrielle, filha do famoso Professor Layton, numa aventura que começa quando esta decide abrir a sua agência de detetive. Rapidamente surge um assistente, Ernest Greeves, disposto a apoiar nas investigações, e o primeiro cliente: um cão falante com amnésia e que apenas Katrielle e Ernest conseguem ouvir. Juntos irão investigar uma série de casos misteriosos na cidade de Londres, enquanto a protagonista tenta descobrir o paradeiro do seu pai desaparecido. Ao início, parece mais um jogo típico desta saga, mas rapidamente percebemos a sua estrutura. O jogo está dividido em pequenos episódios, cada um representando um caso que Katrielle terá de investigar. O problema está precisamente nesse aspecto do jogo: os casos simplesmente não são interessantes.


Em cada caso de investigação, Katrielle terá de reunir um conjunto de pistas sobre o mesmo, falando com o maior número de testemunhas possível. É como se cada caso fosse uma versão miniatura de um qualquer jogo anterior da série. Por causa disso, nunca encontramos o envolvimento de muitos personagens e as habituais reviravoltas. Aliás, os cenários são construídos de forma tão simples que muitas vezes percebemos a resolução do caso ao fim de três ou quatro falas, sendo depois um esforço ter de acompanhar o resto do caso que, afinal, não era nada de especial. E os personagens gostam mesmo muito de falar!

Na realidade, este Katrielle and the Millionaires' Conspiracy é mais uma "visual novel" do que um jogo de puzzles. Trata-se mais de falar com personagens do que resolver os enigmas, e a maioria dos enigmas que há não estão à altura da série original. O falecimento de Akira Tago, criador dos puzzles da série original, criou uma lacuna que a Level-5 não teve sucesso em preencher, com pouca inspiração e, por vezes, soluções bastante rebuscadas. Curiosamente, este é o título com mais puzzles de sempre de qualquer jogo Layton.


Além da história principal e respetivos puzzles, o jogo vem ainda com bastante conteúdo acessório, sendo possível escolher a decoração do gabinete onde Katrielle tem a sua agência e também mudar as roupas da protagonista. Percebe-se aqui que, ao abordar o mercado mobile, os criadores apostaram também numa maior componente de personalização, também para agradar a um público mais alargado.


Layton's Mystery Journey está longe de ser um mau jogo: apenas não está à altura do legado deixado pelos seus antecessores. Com uma aposta em pequenos episódios, mais ou menos interligados por uma trama principal, não atinge o nível de imersão na história a que estávamos habituados. Não deixa de ser um bom ponto de partida para quem nunca jogou um "Professor Layton" e gosta de histórias de mistério. Mas é caso para dizer "antigamente é que era bom".


Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.