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1 de agosto de 2017

Patapon Remastered


Começo com uma simples questão para todos os que estiverem a ler esta análise de Patapon. Quem é que não dá importância à música nos videojogos? A música sempre fez parte da nossa vida, sempre transmitiu sentimentos de alegria, outros de tristeza, sempre nos acompanhou para todo o lado, de todas as formas e feitios, para todos os géneros e idades. Nos videojogos é igualmente uma forte componente. A música sente-se, vibramos com ela, e dá-nos inequivocamente outro brilho, outra emoção, outro prazer. Um jogo que traz sensações ao nosso ouvido é Patapon, impossível não ficar com o ritmo na cabeça e no coração.

Patapon transpira musicalidade. Se existem à venda jogos cujo significado puro do seu conteúdo é ritmo, este exclusivo da Sony revelou ser um deles. O jogo já fora lançado no passado para a portátil da Sony PSP e é claramente um dos melhores jogos da consola. Após anos do seu primeiro lançamento, Patapon recebe agora um tratamento HD para a Sony PS4.

Muito há a dizer sobre Patapon caso não tenham jogado, mas pouco há a dizer caso já o conheçam da PSP. Como muitos jogadores podem ter deixado passar este clássico portátil ao lado, ficam desde já a conhecer o porquê do seu grande sucesso, que ainda contou com duas sequelas.


Os Patapon são criaturas pequenas, com apenas um olho e espírito de guerreiros para lutar pela sua sobrevivência e exterminar o mal que invade as suas terras. Com o tempo, os pequenos Patapon perderam a terra que lhes pertencia, tudo devido ao malvado exército Zigoton. Para piorar a vida destes seres, o “Deus todo-poderoso” conhecido por “Almighty” no jogo, desapareceu com os seus tambores mágicos que tanto motivava os Patapon a lutar. Assim sendo, esta raça vivia momentos de desespero.

O futuro era funesto, mas um pequeno Patapon da tribo conhecido por Hatapon, acreditou que um dia os tempos de glória estariam de volta. O dia em que isso fosse acontecer, Hatapon estaria disposto a carregar a bandeira da tribo e liderar este povo minúsculo marchando contra este exército maquiavélico dos Zigotons. Eis que o Todo-Poderoso regressa para ajudar os Patapon e assim derrotar os seus inimigos de longa data.

Em Patapon nós somos o Todo-poderoso. O nosso poder é precisamente comandar as tropas de Patapon através dos tambores em nossa posse, criando ritmos específicos: uns servem para atacar, outros para defender como uns para marchar. No inicio do jogo não teremos o poder total dos tambores que estão espalhados pelo mundo. Ao longo de umas vinte missões vão ter de aguentar com os poderes mais básicos até atingirem o poder máximo dos tambores. Depois disso, a jornada na motivação destes seres pequenos toma um rumo ao futuro da reconquista das suas terras.

O uso dos poderes é simples, na verdade apenas terão de seguir o ritmo apresentado nos cantos do ecrã. Este ritmo, conhecido como o pulso da terra, é um ritmo de quatro tempos. Para sermos bem sucedidos, temos de manter o ritmo pressionando os botões para executar os movimentos pretendidos. Por exemplo, para marchar teremos de premir três vezes o quadrado e uma vez o círculo, dando a entender às nossas criaturas que é hora de marchar, assim que vemos um amigo pressionamos duas vezes o botão círculo, uma vez o quadrado e por fim o círculo novamente, que indica ao nosso exército que está na hora de atacar. Estes comandos são executados por nós, o Todo-poderoso, que ao som dos tambores irá manter o exército controlado guiando-os à vitória.


Podem e devem manter o ritmo bem alto, ou seja, ativar o modo Fever, que aumentará a velocidade de cada um dos soldados como também o seu ataque. Este modo será ativo assim que aitingirem um combo de 10 ritmos bem executados, o problema é mesmo manter essa febre. No caso de falharem, os pequenos Patapon terão de voltar a entrar no ritmo, começando do zero até criarem de novo o tal combo.

Conforme progridem no jogo, vão notar a importância do modo Fever. Até porque cada Patapon tem as suas habilidades. Uns são arqueiros, outros guerreiros que ficam na linha da frente e uns com lanças. O mais curioso é termos a liberdade de colocar os nossos soldados conforme desejarmos, mas como é evidente e pela lógica, os arqueiros ficam sempre numa linha de defesa enquanto que os bravos guerreiros de machados e espadas ficam na linha da frente. Assim que avançamos no jogo, até Patapon que montam cavalos teremos ao nosso dispor para batalhar os nossos inimigos. Apesar da aquisição de todo o tipo de tropas para o exército, só poderão organizar três esquadrões por cada missão que realizarem, o que faz com que tenhamos uma gestão minuciosa para surtir efeito em cada batalha, tornando o jogo mais tático e não básico como possa dar a entender à primeira vista. Para reforçar os soldados e as suas armas, vão ter a possibilidade de adquirir vários itens ao longo da vossa aventura, tais como caçar animais, derrotar Zigotons os quais irão deixar esses itens preciosos para melhorar todo o equipamento e as tropas. Há também a questão do dinheiro que neste caso tem o nome de Ka-Ching, o qual servirá para comprar unidades para o exército ou até mesmo ressuscitar soldados abatidos em combate através da Árvore da Vida (Tree of Life).

O exército Zigoton conta com uma enorme variedade de inimigos e mosntros, o que torna o jogo completamente refrescante. Os monstros por vezes são o triplo do vosso tamanho, por isso é preciso muita cautela e não falhar na combinação dos botões seja a defender ou a atacar.


Os mini-jogos estão presentes tal como na versão PSP, e são desbloqueados sempre que obtiverem almas dos Patapon’s abatidos em combate. Podem contar com uma variedade boa e agradável de mini-jogos muito bem conseguidos em Patapolis.

Quanto a esta versão do jogo, para além de contarmos com o belo HD e a qualidade de som melhorada, mesmo não tendo o botão para pausar o jogo nas missões tal como sucede na versão anterior, desta vez no caso de quererem pausar podem-no fazer usando o botão home da PS4, já que antes teriam de levar a missão até ao fim e por vezes custava um bocado.

Os únicos pontos negativos a apontar são o facto de o jogo continuar a não ter a língua lusa e uma vez mais as cutscenes estarem com uma qualidade de imagem inferior ao jogo em si. Não consigo entender o porquê da continuidade da Sony em fazer um upscale ao jogo e manter a imagem deslavada, tal como aconteceu em Parappa The Rapper e Loco Roco, que analisei anteriormente. Um outro pormenor que poderiam muito bem ter alterado e que já vem do passado é a impossibilidade de adotarem um nome de jogador mais longo que quatro letras. Se já na altura podiam ter feito algo quanto a isso, porque não permitir um nome mais longo? Parece que estamos de volta às arcades, em que só nos era possível escrever três letras. O último ponto negativo é o facto de não se poder repetir várias missões tal como aconteceu na versão original do jogo.


Contudo, estes pequenos pontos negativos não estragam de todo a experiência, a longevidade é bastante boa e Patapon continua tão charmoso, divertido e viciante como foi no passado. O HD é um regalo para os olhos, a música bombeia nos ouvidos, o ritmo é fascinante, se realmente são daquelas pessoas que nunca jogaram Patapon antes, esta é a altura ideal para o fazer.


Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela SIEE.