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2 de agosto de 2017

Implosion - Never Lose Hope


Não me canso de elogiar a nossa consola da Nintendo por ser o local perfeito para receber tantos e bons jogos independentes. E foi uma grande sorte ter tropeçado neste jogo. Implosion – Never Lose Hope ou só Implosion para poupar umas batidas de teclado é um daqueles jogos que acabamos a pensar: há mais? E foi o que fiz. Corri à loja, mas não vi nada semelhante. Se estiver errado, falem comigo, dêem-me na cabeça, mas apontem-me na direcção certa.

A Rayark, Inc fez um trabalho impecável com este jogo e é uma pena ter estado preso aos telemóveis durante muito tempo, mas graças à Switch mais pessoas podem experimentar este jogo. Implosion faz lembrar Devil May Cry, mas numa vista isométrica. É mais contido em termos de design, mas as doses de adrenalina e diversão não lhe ficam atrás. Implosion é fantástico, rápido, intuitivo e viciante. Os controlos estão bem atribuídos e respondem imediatamente, o que é preciso num jogo frenético. Para dizer a verdade, não vejo vantagem em jogar este jogo sem botões, a bater num ecrã incessantemente. Não há precisão e, se fosse eu, volta e meia estaria a carregar em terra de ninguém.
A jogabilidade é boa, os controlos são bons, mas e o que interessa? A história! Não é o enredo mais original do bairro: humanos versus aliens, mas quem é que está preocupado com profundidade narrativa quando temos um mapa cheio de mutantes, ciborgues e afins para limpar?


O nosso planeta foi evacuado após um desastre global, mas uma transmissão estranha leva a nossa equipa de volta. Jake, o herói, serve de ligação entre o jogador e o mecha que controlamos, o Avalon. Enquanto os restantes membros da equipa ficam na segurança da nave, lá vamos nós passear por um “planeta abandonado”. Claro que o planeta não está abandonado. Para além das criaturas que por lá andam, acabamos por tropeçar num plano que poderá ditar o fim da raça humana tal a como a conhecemos. Que excitante! Revelações e reviravoltas à parte, o enredo nem é mau de todo. Pelo menos não revirei os olhos e houve uns laivos épicos, polvilhados com alguns sentimentos.

O melhor era a forma de progressão da história através de um estilo banda desenhada que me fez lembrar alguns Metal Gear lançados em consolas portáteis. O estilo e a animação são fenomenais e espero ver mais do artista e do respectivo estúdio, mas ao passo que estas sequências em BD eram servidas entre os níveis ou em pontos fulcrais da história, houve algo que me irritou. Tenho sérios problemas com personagens a falar enquanto estou ocupado a jogar e não consigo parar. É muito difícil estar a ler o que estão a dizer num lado do ecrã enquanto estou rodeado noutro. É bem possível que tenha perdido fatias de história que agora já é tarde para saber. Podiam abordar estes diálogos de uma maneira menos intrusiva, mas nada que vá estragar a experiência geral.

Já no departamento sonoro, a música não fica atrás do que já escrevi. As batidas sinistras acompanham os níveis claustrofóbicos e aumentam de intensidade quando os inimigos surgem no ecrã. As influências dubstep são notórias e até os próprios bosses têm os seus temas característicos. Não é uma banda sonora inesquecível, mas não fere os tímpanos. Os próprios efeitos sonoros dos ataques, habilidades, tiros e até menus estão bem conseguidos – e mais espantoso ainda é o trabalho de voz. Ninguém espera que um jogo de telemóvel tenha vozes ou actores de alto calibre a trabalhar, mas a verdade é que fiquei bem impressionado com o que ouvi. Cada personagem era característica e credível, havia personagens que era capaz de ouvir durante muito tempo.


Implosion reúne todos os ingredientes de um bom jogo. É difícil colocá-lo de lado, ainda por mais quando temos outros bons jogos para experimentar, mas enquanto não acabarmos este não há olhos para mais. E mesmo quando acabamos o modo campanha principal, há uma campanha paralela para jogar com outra personagem. E se isto não chegar, ainda há mais desafios! Não chega? Então podem voltar a jogar todos os níveis para melhorarem a pontuação, desbloquearem mais emblemas e, por conseguinte, mais partes para personalizarem o mecha. Não, esperem, este jogo é ridículo com tanta variedade à disposição. E se não bastar os emblemas que desbloqueamos, ainda há uma loja.

Podem equipar o Avalon como bem entenderem e adaptarem ao vosso modo de jogo. O componente central muda-vos os ataques especiais, escudos, etc. Os restantes componentes aumentam o poder de ataque, regeneração de escudos, entre outras habilidadades. Com tantas peças é bastante difícil jogarem da mesma maneira. Apenas podemos aceder ao menu de personalização entre cada nível. É justo, se não os níveis seriam muito fáceis. O que não são!, quer dizer, se tiverem mais destreza do que eu, passam com um braço atado, mas se quiserem um desafio extra, aumentem o modo de dificuldade.


Não sei o que dizer mais, Implosion – Never Lose Hope é daqueles jogos independentes que aparecem do nada, provavelmente nem será reconhecido pela grande parte dos jogadores e assim desaparecerá. E se puder fazer alguma coisa para mudar o cenário, já fico feliz. Comprem, joguem e se forem fãs do género – do género de jogos bons a bom preço – vão adorar.


Nota: esta análise foi efectuada com base numa cópia final do jogo para a Nintendo Switch comprada pelo autor do artigo.