Notícias

Análises

25 de julho de 2017

Thumper


Thumper. O que tenho a dizer deste jogo? Sabia que o queria quando vi o trailer; sabia que queria aquele misto de jogo de corridas (e nem sou fã do género!) com jogo rítmico. O que não sabia é que precisava dele, não de imediato – foi amor a algumas corridas. Thumper é um misto de emoções: ansiedade, frustração, adrenalina e uma sensação de alívio tão grande quando passamos de nível. A última vez que senti esta caldeirada emocional foi quando joguei os primeiros cinco minutos de Bloodborne. Será Thumper o equivalente na Nintendo Switch? Longe disso! Os jogos estão em ligas e géneros diferentes, mas as sensações que passam ao jogador estão no mesmo patamar e isso é o mais importante! E são essas sensações que me irão fazer escrever uma boa análise, boa no sentido de que adorei o jogo e quero recomendar a quem estiver a ler – e se não estiverem a ler, espero que estejam com o jogo nas mãos.

Em primeiro lugar, que jogo é este? Thumper pode caracterizar-se como um jogo de violência rítmica que foi lançado no PC, PS4, na nossa Switch e em breve na consola da Microsoft, pelo estúdio Drool. Quem tiver a possibilidade pode jogar com equipamento virtual e acredito que a experiência seja ainda mais alucinante. Uma vez que tal possibilidade não existe na consola da Nintendo, resta-nos o HD Rumble que dá outra vida ao jogo. É incrível a sensação que se espalha mãos, braços acima, até ao cérebro. Só experimentando.


É estranho – e um pouco difícil – explicar Thumper. Os géneros que lhe são atribuídos não costumam combinar bem, mas a verdade é que… temos um jogo de corridas só com um veículo que é uma espécie de escaravelho cromado, notas nas pistas para interagir como num Guitar Hero e que produzem os mais diversos sons, muito à industrial e com baixos poderosos. As luzes e os flashes acompanham as corridas alucinantes e não aconselho nada, mas nada, a quem sofra de epilepsia. É um jogo violento, muito sinfónico e muito rápido. É importante terem excelentes tempos de reação e uma boa visão porque qualquer atraso poderá ditar a derrota. E sim, vão perder imensas vezes.
São nove níveis com várias áreas e existem dois bosses, um a meio e um final. Para os derrotarem precisam de acertar nas várias notas em sequência e, se tudo correr bem, a última será um projétil que lhe tira dano. Mais fácil escrever do que fazer, não? E é verdade. Não basta carregar no botão em cima de cada nota; há um padrão visual a seguir: ora é um toque rápido, vários toques seguidos ou deixam o botão premido enquanto fazem a curva. Não se preocupem, há um guia antes de cada novidade, mas depois estão por vossa conta. Quando derem por isso já reconhecerão a nota pela pista auditiva e fazem tudo com mais facilidade. Fazem, não fazem? Depois os níveis tornam-se mais rápidos, misturam as notas, atiram curvas e contra curvas, os bosses começam a trazer escudos e mudam de estratégia. Pensamento rápido, pensamento um passo à frente. Thumper não é para quem quer, é para quem pode e este que vos escreve está no grupo dos que quer, tenta, falha, afasta-se do jogo e volta mais tarde.

Ah, sim, foi das primeiras coisas que falei: a frustração e ansiedade. Vão sentir-se assim várias, não, muitas vezes. Vão sentir aquele desejo miúdo de atirar a consola contra alguém e praguejar. Se passarem por isso, Thumper cumpriu o seu trabalho. Não se ralem, larguem o jogo por uns minutos, vão beber água, meditar e voltem à carga. Vão conseguir. Sabem que estão a jogar há muito tempo quando as mãos começam a suar e mal conseguem agarrar nos analógicos, falham notas básicas e cometem erros a torto e a direito. O pesadelo é real, o jogo acabar por assombrar o subconsciente, mas é a perfeita definição de só mais um bocadinho – só mais um nível. O síndrome de Estocolmo é forte em Thumper e vão odiar amá-lo tanto, mas quando vencerem e acabarem com uma boa pontuação há aquele alívio e sensação fantástica de serem os reis do mundo no cimo do Titanic.
O jogo lembrou-me uma cena de um filme antigo, Jacob's Ladder, onde a personagem de Tim Robbins é transportada por um corredor que se torna cada vez mais assustador com uma imagem muito forte a fazer lembrar o Inferno. Thumper é assim, uma viagem demoníaca que vai sendo cada vez mais macabra e doentia, mas ao menos a música que fazemos é fantástica!


Para concluir, Thumper é um jogo que tem de ser experimentado. É uma pena imensa que não haja uma demonstração na loja porque assim mais pessoas iriam olhar para ele com outros olhos e ouvidos e não com aquele esgar de que raio de jogo é este, mas é um jogo sequer?

Sim, é um jogo e dos melhores que já tive o prazer de experimentar. Tem sido a minha droga durante estes dias e é bastante difícil largá-la, mas cuidado para não terem uma overdose sinestésica.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela DROOL LLC.