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4 de julho de 2017

The Town of Light


Desenvolvido pelos italianos da LKA*it, The Town of Light é um jogo de exploração na primeira pessoa. Um título disfarçado inicialmente como um Survival Horror, The Town of Light é na verdade um puro point and click no qual devemos investigar as redondezas em busca de algo que nos fará seguir em frente na história.

O jogo passa-se inteiramente no hospício muito real de Volterra, na província de Pisa, em Itália. E não apenas no interior do edifício, mas também nas áreas circundantes ao mesmo, nomeadamente no cemitério, na estufa ou no jardim. A exploração, como já referi antes, é feita na primeira pessoa, pelos olhos de uma antiga paciente de nome Renée. Com memórias contraditórias acerca dos anos que lá passou, a jovem decide regressar ao local que a viu crescer como mulher (ela foi internada com 16 anos de idade) para tentar descobrir a verdade acerca de si mesma.


Com um argumento muito pessoal, que também serve para percebermos o quão difícil era a vida de alguém diagnosticado com uma doença mental durante a primeira metade do século XX, Town of Light é um jogo desprovido de inimigos. Aqui não existem zombies, vampiros ou monstros demoníacos a perseguir-nos. O que existe é uma sensação de não estarmos sozinhos. A ausência de música, que apenas surge em alguns momentos chave, juntamente com todos os barulhos que normalmente ouviríamos de estivéssemos a explorar um edifício abandonado, ajudam a dar ao jogo um a sensação de perigo iminente e, simultâneamente, de completa e total solidão.

Na verdade, Town of Light tem inimigos. Esses não se vêem, pois apenas existem nas memórias da nossa protagonista, atormentando-a com meias verdades, enquanto esta caminha lentamente (não existe a opção de correr) pelos corredores decrépitos deste hospício fechado em 1978 devido aos seus métodos de tratamento cruéis. Esse é outro tema paralelo à história pessoal de Renée. O dos tratamentos feitos em Volterra. Lobotomias, choques eléctricos, privação, são só alguns dos meios usados pelos médicos da época no tratamento destes doentes, que podem ser vistos não apenas nas memórias que desbloquearmos da Renée, mas também nos muitos documentos espalhados pelas salas do hospício. Dessa forma teremos um vislumbre da vida desprovida de significado dos pacientes.



O propósito de The Town of Light é o de ir recuperando pouco a pouco as memórias de Renée. Tais podem ser desbloqueadas se completarmos uma determinada tarefa, entrarmos num local específico ou reunirmos as páginas do diário da protagonista ou a ficha médica de mesma. Talvez por ser um local relativamente pequeno, existem certas áreas dos hospício que estão inicialmente fechadas ao jogador. Apenas teremos acesso a estas à medida que formos completando os capítulos nos quais de dividem a história. A história de The Town of Light é relatada (por Renée) em doze capítulos, sendo que a partir do sexto as nossas escolhas (via as respostas que dermos a questionários de resposta múltipla) podem dar origem a variantes, o que aumenta consideravelmente a longevidade de um título que é passível de ser terminado sem pressas em apenas seis horas.

Sendo um jogo forte do ponto de vista emocional, Town of Light conta com gráficos bastante aceitáveis e uma representação fiel do interior do já referido hospício. A juntar a isso temos cutscenes apresentadas em desenhos, cujo estilo se conjuga bem com o tema do jogo. Town of Light apenas peca pela sua brevidade (embora possa ser jogado pelos seus caminhos alternativos) e pelos modelos 3D que usa para os NPCs, que não parecem reais, se bem que esse pode ser também um dos objectivos dos criadores.


Com uma narrativa fortíssima e uma direcção artística bem conseguida (a forma como o diário é apresentado é magnífica), The Town of Light é uma experiência refrescante na temática do horror e que nos faz recordar imenso jogos como o Silent Hill: Shattered Memories ou o Ju-On: The Grudge, embora sem a componente dos inimigos. Um pedaço da história médica italiana a ter em conta para quem gostar deste género de títulos e tiver uma conta no Steam ou nos serviços digitais da Xbox e PS4.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para o PC via Steam, gentilmente cedido pela agência Premier.