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27 de julho de 2017

Miitopia


Os personagens Mii, aqueles avatars que temos visto nas consolas Nintendo desde a chegada da Wii, foi um extra que rapidamente nos vimos a escolher em imensos jogos desde então. Desde os jogos como Wii Sports e Nintendo Land, onde têm o seu destaque, a extras como em Mario Kart ou Smash Bros., temos visto estes cabeçudos a marcar presença em vários títulos. Mas foi com a chegada de Tomodachi Life e Miitomo que eles receberam o seu destaque como protagonistas.


Chega agora Miitopia ,que de uma certa forma é o RPG do Tomodachi Life, onde em vez dos nossos Miis partilharem uma ilha paradisíaca, vivem num mundo medieval onde a magia e monstros são o pão nosso de cada dia. A história é bastante simples: o terrível Dark Lord decide roubar as caras dos habitantes do reino, e cabe ao nosso Mii partir na aventura para o enfrentar, enquanto recupera as imensas caras que foram sequestradas.

   

O enredo é bastante simples, mas acaba por se tornar bastante pessoal por sermos obrigados a escolher Miis para os imensos personagens, começando logo pelo Dark Lord. Na minha aventura escolhi a Beyoncé para ser o Dark Lord (a cara encaixou perfeitamente!), e o primeiro grupo de aldeões a terem as suas caras roubadas eram composto por cantoras pop. O jogo não me obrigou a tal, mas teve a sua piada ter grupos específicos por local, e mesmo quando não estava satisfeito com um ou outro Mii, podia livremente trocar de pessoa sem quaisquer problemas.

Aos poucos vão surgindo vários personagens a que temos de lhes atribuir um Mii, na sua maioria habitantes de locais específicos, mas temos também alguns personagens especiais e ainda novos membros para a nossa equipa, estes que lhes temos também de atribuir uma classe. Não existe muita estratégia a ter na composição das equipas e nunca tive quaisquer dificuldades durante o jogo, mesmo quando na minha equipa não havia ninguém com a capacidade de curar. É possível ir buscar Miis ao Tomodachi Life ou à Mii Plaza, e ter um bom grupo de Miis ajuda imenso, mas também podemos buscar Miis através de códigos QR e ainda Miis que o jogo nos sugere.

   

À boa maneira dos RPGs clássicos, cada local tem uma série de problemas, sendo que a maioria envolvem o Dark Lord ter roubado a cara aos habitantes. Para tal é preciso partir à aventura mas essa é, infelizmente, não só linear como automática: os nossos personagens andam sem parar, enquanto vão encontrando todo um conjunto de situações. A exploração é reduzida a escolha de caminhos, abrir tesouros entre outras situações, que pouco ou nada mudam a aventura. No final de cada caminho existe uma Inn, em que os nossos heróis têm o merecido descanso, podem comer e até comprar equipamento.

Na maioria do tempo senti que o jogo era uma espécie de screen-saver, onde até mesmo comprar equipamento era automático, e assistia aos acontecimentos bizarros que o jogo criava. O sistema de combate também é quase todo automático, e sem ter muitas opções por escolher acabei por jogar (quase) sempre com batalhas automáticas. Por muito peculiares e cómicos que fossem os eventos, sempre joguei no modo fast-forward para despachar a estrada. Não senti muita motivação em seguir com a história, e o único propósito que tinha era chegar à próxima Inn para seguir em frente.

   

É pena, pois existem algumas mecânicas interessantes e classes que encaixam perfeitamente no espírito algo estranho de Tomodachi Life e Miitomo, desde os mais simples como guerreiros e feiticeiros, aos mais peculiares como flores, gatos e tanques de guerra. Elementos como as relações que as personagens têm (e os dramas de ciúmes consequentes), que desbloqueiam habilidades bastante úteis para as batalhas, uma zona de conforto onde podemos colocar personagens em perigo de modo a curar e recuperar energias. Mas é bastante desinteressante como tudo se resume a um jogo automático desde o seu início, mas acompanhado por uma banda sonora bastante catchy!

Por vezes questionava-me se Miitopia não teria sido um jogo para ser lançado na StreetPass Plaza, mas que se tornou num jogo completo que dispensou o StreetPass (que é praticamente impossível de encontrar nos dias de hoje), ou se poderia ser um jogo como um extra bastante vasto para Miitomo. Não digo que não me tenha divertido com o jogo: pegar nos meus amigos, atribuir uma classe e levá-los a enfrentar os lacaios da Dark Lord Beyoncé criava situações hilariantes, mas simplesmente faltava a vontade de repetir exactamente o mesmo tipo de jogo vezes sem conta.


Senti que houve potencial desperdiçado, que talvez um RPG "a sério" tivesse funcionado mil vezes melhor, do que sentir-me como um espectador a situações várias, muitas delas que me fizeram rir. Existem até surpresas durante a aventura, cenários interessantes e ainda inimigos, não só geniais pelo seu aspecto, como o próprio nome é perfeito. A própria história tem a sua piada, mas no final do dia sentia que a progressão era repetitiva.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.