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24 de julho de 2017

Cursed Castilla


Quem me conhece sabe que gosto de jogos desafiantes, mas não exagerados como acontece com Ghosts n’Goblins, pois isso já é demais. No entanto, o jogo que vos apresento é totalmente inspirado neste velho clássico da NES, mas de certa forma e na minha humilde opinião consegue estar bem melhor.

Cursed Castilla foi lançado na PS4 anteriormente e eis que a versão 3DS chega com o mesmo nome acrescentando EX no final. Mas recuando uns anos, este jogo teve o nome de Maldita Castilla e foi criado por um estúdio espanhol de nome Locomalito, composto por apenas uma pessoa. O jogo foi lançado gratuitamente para Android, PC e Ouya, a versão 3DS é paga, mas fiquem a saber que o dinheiro é mais que bem entregue.


Se a Capcom nunca mais quis saber de Sir Arthur, este espanhol decidiu pôr mãos à obra e criar um jogo muito parecido e que consegue ser na minha opinião melhor por várias razões. O herói neste jogo é Don Ramiro e, sendo um sucessor espiritual, veste-se de forma idêntica a Sir Arthur e luta da mesma forma. Tal como as armas são relativamente parecidas, os saltos e objetivos do jogo são exatamente iguais. Já no que diz respeito à forma como perdemos vidas, aí as coisas não são tão drásticas e o jogador não é punido da mesma forma que em Ghosts n’ Goblins.

Vão ter três corações que indicam a saúde do protagonista, e assim que perderem todos podem dizer “hasta la vista”. E não, Don Ramiro não andará de boxers até ao final do jogo. Podem e vão ter de atiras as espadas, bombas, foices e muitas outras armas contra os adversários, nas direções de cima, baixo, esquerda e direita, por isso não hesitem em atirar o que tiverem à mão. Além das armas principais temos igualmente as sub-armas, onde vão ter a possibilidade de adquirir fadas que têm como objetivo auxiliar Don Ramiro atirando bolhas azuis aos nossos inimigos. E não são só as fadas que contam como sub-armas, mas também umas botas para um duplo salto ou um escudo para proteger de um ataque inimigo evitando assim a perda de um coração.

Quanto ao visual, e tendo a noção que a criação de Castilla é de uma só pessoa, posso dizer que está magnífico. Desde o grafismo como a banda sonora, esta última em especial de destaque que conta com uma sonoridade ao estilo dos 16-bits da Super Nintendo, e a sua produção está fascinante. O design dos níveis não foi feito à toa, e tudo está perfeitamente visível e compreensível, nota-se uma enorme dedicação e trabalho em Castilla. O efeito 3D podia estar melhor, mas não faz qualquer diferença quando temos um jogo tão bom e de salientar, é portátil, uma maravilha.


Por falar em maravilhas, a jogabilidade está soberba: É fácil de controlar a nossa personagem, responde na perfeição e o mais engraçado desta versão é o facto de no ecrã inferior da nossa 3DS podermos jogar com um mini joystick e botões tal como se fosse uma arcada. Não está no ecrã inferior só para ficar bonito mas sim porque podem de facto dar uso, embora não me pareça de todo uma forma boa de se jogar, tendo em conta a agressividade do jogo. Falando nessa “agressividade”, a verdade é que a dificuldade está extremamente bem equilibrada: nem perdemos a cabeça desesperados como acontece em Ghosts n’ Goblins, nem é um passeio no parque. A dificuldade tem um equilíbrio deveras impressionante, o que fará com que os jogadores menos experientes neste género aproveitem e desfrutem do jogo tal como os experientes vão gostar bastante o desafio apresentado. É óbvio que vão ter de estudar os padrões dos inimigos em várias situações, mas depois disso conseguem ultrapassar bem os obstáculos impostos.

O jogo conta com um modo para alterarem o ecrã para uma dimensão pequena, média ou ecrã inteiro. O esquema de controlos também pode ser alterado, embora não faça muita diferença pois só existem dois botões a serem utilizados, o de saltar e de disparar. Existe sim uma opção para os mais valentes, essa opção é a escolha da visualização do Speed Run, para que possam competir com os vossos colegas/amigos quem termina o jogo mais depressa.

Quanto à estória, seria de esperar que seria um pouco básica visto que é baseado no mesmo universo de Ghosts ‘n Goblins, no entanto acho brilhante alguém ter conseguido criar sozinho um jogo que consegue ter um visual tão bom, uma jogabilidade de fazer inveja à maioria dos jogos do género e que se destaca assim tanto.


Para concluir, se foi um sucesso jogar nas outras plataformas, agora na 3DS podem-no fazer em qualquer lugar, usar até o 3D, partindo numa aventura relativamente curta, mas recompensadora e de que maneira. VIVA DON RAMIRO!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Abylight.