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27 de junho de 2017

Super Rude Bear Resurrection


Desenvolvido por Alex Rose, Super Rude Bear Resurrection é uma das mais recentes propostas digitais, no que a jogos de plataformas 2D diz respeito, a ser lançado para a PS4, Xbox One e Steam. Super Rude Bear coloca-nos na pele da mais improvável das personagens. E não me refiro ao facto de ele ser um urso britânico com um sério caso de antipatia, mas antes na profissão que este escolheu. O Rude Bear é um gangster.

A adicionar a esta insólita personagem temos uma sidekick inesperada, na figura de uma fada extremamente irritante que nos lembra uma certa Ñavi, e um maquiavélico vilão, o Wizard. Para derrotar o Wizard, Rude tem que viajar ao passado medieval inglês e ultrapassar com sucesso todas as armadilhas mortais que o primeiro irá deixar pelo caminho. É esta a história que serve de base a um jogo que para além das plataformas, dá grande ênfase à resolução de puzzles de física e a uma dificuldade acentuada. Os níveis estão repletos das mais mortíferas armadilhas. Os inimigos propriamente ditos são quase inexistentes e, tirando os bosses finais de cada área, totalmente desnecessários. O foco reside portanto nos diferentes obstáculos que cada mundo nos apresenta.


Começámos com os simples picos afiados e pêndulos com machados, para avançarmos para bonecos que cospem fogo e armadilhas com setas que mais parecem retiradas de um filme do Indiana Jones. Como referi, o jogo está dividido em diferentes áreas/mundos, sendo que cada um deles tem o seu próprio conjunto de níveis, que iremos ultrapassar cada vez que lograrmos alcançar a porta da saída, culminando por fim num último nível no qual temos que defrontar um boss. A batalha com o boss é, mais que uma demonstração de força, um teste à nossa perícia como jogador, uma vez que para vencermos temos que activar um determinado mecanismo para conseguirmos derrotar o nosso adversário. E esta é a palavra-chave de Rude Bear. Perícia. Temos que a ter e em muita quantidade, pois Rude Bear é um jogo difícil se optarmos por jogá-lo sem fazer uso da acumulação de corpos (algo a que irei voltar mais à frente nesta review).

A dificuldade reside não apenas nos obstáculos, mas sobretudo na jogabilidade de Rude Bear. Bear é capaz de saltar bastante alto, no entanto peca por ser demasiado leve. Essa característica, em muito semelhante à de Luigi em Super Mario Bros II, torna Bear numa personagem cujo salto é bastante impreciso e difícil de controlar. Ainda assim, a adição do wall jump e do slide compensa esta lacuna que, a meu ver, é intencional. É em tudo isto que conseguimos vislumbrar as muitas semelhanças de Rude Bear com o popular título de 2010, Super Meat Boy. Felizmente, Rude não é um jogo tão difícil como Meat Boy. A dificuldade de Rude é, como já disse momentos atrás, aquela que desejarmos que seja. Com vidas infinitas e a existência de múltiplos checkpoints espalhados pelos níveis (e representados ironicamente por caixões), Rude Bear torna-se num jogo bastante acessível. Isso, juntamente com a possibilidade de usarmos os restos mortais das nossas tentativas anteriores, faz de Rude Bear uma versão bastante mais fácil de Meat Boy.


Os corpos de Rude podem ser usados como escudos contra ataques inimigos, rampas, contrapesos e até mesmo plataformas. Esta é uma mecânica bastante caricata e o maior ponto de venda deste título. Os níveis, que vão-se tornando progressivamente mais longos, podem ser examinados a qualquer altura, usando a habilidade de controlar a fada, o que nos permite saber de antemão os perigos que espreitam mais à frente. A mesma fada serve ainda como destruidora, ao reduzir a pó os corpos que formos deixando para trás, fruto de inúmeras tentativas falhadas. Esta habilidade é bastante útil, tendo em conta que o avolumar de cadáveres também pode constituir um obstáculo para a nossa progressão.

Do ponto de vista visual, Super Rude Bear não é um daqueles jogos que nos deixará de boca aberta. Não digo que seja graficamente feio, mas também não é nada de soberbo, com cenários diferentes, mas pouco inspirados. Parecem-nos sempre algo que já vimos noutro local. Em relação à música, as suas líricas depressa nos desaparecem da memória. O outro ponto forte deste título, para além da já referida mecânica dos corpos, é sem sombra de dúvida o seu bom humor e inúmeras referências a jogos do passado, quer visualmente, quer via as falas da fada.


Em suma, Super Rude Bear, apesar das suas falhas, é um jogo interessante e recomendável para quem quiser um desafio ao estilo de Meat Boy e desejar experimentar uma mecânica única.


Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para o PC via Steam key gentilmente cedida pela Alex Rose Games