Notícias

Análises

26 de maio de 2017

Parascientific Escape – Gear Detective


Desenvolvido pela Intense e pela Circle Entertainment, Parascientific Espace – Gear Detective é a sequela de um jogo lançado para a 3DS no ano transacto. Não sendo de todo uma sequela directa, Gear Detective traz-nos um novo protagonista na figura do jovem Kyosuke Ayama, que perdeu o olho e braço direitos numa violenta explosão, cinco anos antes do início da história.

O acidente em questão vitimou o pai do jovem e este, atormentado pela ideia de que o dito acidente na verdade não o fora, aceita submeter-se a uma complicada operação cirúrgica que o vai dotar de um novo braço biónico. Mais importante que o braço restaurado, vai ser o novo conjunto de habilidades psiónicas que Kyosuke vai desenvolver graças a este procedimento, levado a cabo pela companhia IXG. Capaz de manipular certos períodos de tempo (e alterá-los, desde que não tenha passado mais do que cinco dias), o protagonista torna-se num detective e passa a dedicar a sua vida a tentar descobrir o que realmente aconteceu no dia em que o pai faleceu. Kyosuke irá contar com a preciosa ajuda da sua assistente, a estudante Mari Sasamine. Ao mesmo tempo, terá que batalhar com um misterioso serial killer que possui habilidades temporais bastante similares às suas. Esta é a história de Gear Detective. Um conto de mistério, onde todas as personagens têm algo a esconder.


Relativamente ao gameplay propriamente dito, este é o que se poderia esperar de uma visual novel, dividindo-se em dois momentos claros. O primeiro vê a personagem principal conversar com os diferentes intervenientes da aventura, avançando a história e respondendo a questões fundamentais para a obtenção de um dos três fins possíveis em Gear Detective. É que este título funciona um pouco como dating game, uma vez que podemos demonstrar afecto quer pela dedicada assistente, Mari, quer pela misteriosa Tsukiko.

Contudo, é no segundo momento que está o grosso da acção deste título. É sobre este que irá recair a investigação que nos fará avançar na história. Recorrendo às habilidades PSI do protagonista, o jogador, que se verá preso em diferentes locais (e na companhia de diferentes personagens) devido à acção do tal serial killer, deve vasculhar os mesmos em busca de pistas que lhe permitam fugir de tal situação. Uma vez encontradas as pistas, normalmente na figura de datas ou horas, o jogador deve usar os poderes de Kyosuke e ver o passado, procurando por objectos (que irão para o nosso inventário) que possa manipular e usar para alterar o presente (dando origem às Time Scars).

Graficamente, Gear é bastante agradável à vista, apresentando personagens bastante interessantes e cenários bem trabalhados. O jogo apenas peca pela música, que poderia ter um timbre mais distinto em vez de ser tão genérica e repetitiva. No que à dificuldade diz respeito, Gear não é de todo um jogo difícil, havendo inclusive a possibilidade de mudar a dificuldade mesmo durante o jogo. Ainda assim, traduções pouco conseguidas e pistas contraditórias podem ser um obstáculo nos puzzles iniciais. A longevidade também poderia ser maior. Gear é um jogo relativamente pequeno, contando com apenas quatro capítulos (cinco, se contarmos com o prólogo). Ainda assim, o facto de haver finais alternativos acaba por ser um estímulo para que se inicie uma nova jornada.


Parascientific Escape – Gear Detective é no seu âmago um policial na onda de títulos como Hotel Dusk e Ace Attorney, com o ênfase a ter que ser dado ao uso da mecânica das habilidades PSI. Uma aventura gráfica sólida, embora claramente low cost, numa consola repleta de jogos do género.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.