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16 de dezembro de 2016

Call of Duty: Infinite Warfare (Campanha)

Todos os anos, um novo Call of Duty. Assim tem sido há mais de uma década com uma franquia que se tornou um marco incontornável dos videojogos, por entre múltiplas iterações e arcos de história como Modern Warfare e Black Ops. Desta vez, a guerra leva-nos ao espaço neste Infinite Warfare, onde podemos encontrar missões com naves espaciais e combate em gravidade zero, para além de uma participação especial de Kit Harington ("Game of Thrones").

Para começar, há que enquadrar esta análise no meu perfil de jogador, visto que não sou propriamente um grande apreciador e muito menos um especialista no que diz respeito a shooters na primeira pessoa. Normalmente a temática militar é algo que não me desperta o interesse, mas o isco que me chamou a morder o anzol foi a vertente sci-fi. Talvez por isso tenha gostado tanto de jogos como o Destiny mas passado ao lado de quase todos as outras séries de shooters.


Infinite Warfare começa com uma missão no planeta Europa, onde estamos encarregues de investigar um ataque dos vilões Settlement Defense Front (SDF) a uma base secreta da United Nations Space Alliance (UNSA). No jogo, pertencemos a uma unidade da Solar Associated Treaty Organization (SATO) e, enquanto bons da fita, compete-nos defender a UNSA. Embora o jogo não dê um grande contexto logo ao início e todas estas siglas possam ser algo confusas, em pouco tempo nos familiarizamos com a história e as posições das diferentes facções. Quanto mais não seja, porque o vilão Admiral Kotch rapidamente arruina a nossa primeira missão, colocando as altas patentes no planeta Terra em alvoroço.

Acontece que a humanidade esgotou os recursos naturais da Terra e agora necessita de minar os planetas e asteróides do Sistema Solar para sustentar a espécie. E se ter humanos espalhados pelo espaço parecia boa ideia, as coisas começaram a degradar-se quando uma facção decide proclamar "Mars Aeternum" e revoltar-se contra a UNSA. Agora que a SDF decidiu atacar a Terra, temos de assumir o papel do comandante Nick Reyes à frente da nave espacial Retribution, de forma a retribuir na mesma medida. A história desenvolve-se de forma pouco linear e nunca se torna muito interessante, mas devo destacar o papel de duas personagens femininas, Nora Salter e Audrey MaCallum, pela óptima representação que fazem do género de uma perspetiva de igualdade. Isto porque enquanto militares são das personagens mais importantes para a trama, mas não são personagens diferentes do protagonista no que diz respeito à sua firmeza, dedicação e até inseguranças.


Se há coisa em que a série Call of Duty tem imensa experiência é no departamento de jogabilidade e isso nota-se a partir do primeiro minuto em que se pega no comando. Os controlos são extremamente precisos e intuitivos, mesmo nas missões com gravidade zero onde até o "cima" e "baixo" podem perder o sentido. O modo campanha divide-se entre missões militares, assaltos a naves espaciais (gravidade zero) e "dogfights" entre naves espaciais. Em termos de conteúdo disponível, há um bom equilíbrio entre os três tipos de missões, mas de uma forma geral a história resume-se essencialmente às missões tradicionais como as de qualquer outro Call of Duty. Talvez tenha havido receio em alienar a audiência, mas a maior parte das missões no espaço foram colocadas como opcionais.

Durante a primeira metade do jogo, sentimos que estamos realmente a alternar entre os tipos de missões à medida que vamos avançando. Ao seguir a história, a partir de certo ponto, temos um vasto conjunto de missões disponíveis quando somos confrontados com um ponto sem retorno e o jogo nos informa que, ou as fazemos, ou vamos diretos para a reta final. Sendo passadas ao plano secundário, as missões espaciais acabaram por não ser tão desenvolvidas e tornar-se um pouco repetitivas - uma grande pena pois graças à sua excelente jogabilidade poderiam ter sido o ponto principal de venda do jogo. Podemos pedir à Infinity Ward para desenvolver um space shooter ao estilo "Star Fox" mas com base neste motor?

O departamento gráfico é mais um factor de excelência deste jogo, com cenários e personagens extremamente realistas, pecando apenas um pouco na expressividade das caras. As missões no terreno utilizam cenários bastante variados e com efeitos impressionantes, onde destaco uma próxima do final situada num asteróide em rotação, que leva a luz do Sol a surgir e desaparecer ciclicamente, com impacto também na jogabilidade. É um nível fantástico e que mostra uma grande criatividade. Infelizmente, estes momentos brilhantes sabem a pouco e o modo de campanha acaba por ser demasiado curto. Valha-nos a rejogabilidade ao tentar em modos de dificuldade superior e a opção de selecionar diretamente missões a partir do menu principal.


Call of Duty é mais do que o modo Campanha. Infelizmente, o modo Multijogador é muito pouco (ou nada) acessível a novos jogadores, pelo que é necessário um grande esforço para entrar na cena competitiva. Por outro lado, o modo Zombies oferece uma experiência cooperativa bem mais acessível a novos jogadores. Embora tenha a temática "Zombies in Spaceland", o jogo não se passa no espaço e utiliza apenas as mecânicas de jogo tradicionais de Call of Duty.

Infinite Warfare é um jogo bem mais interessante do que esperava quando o comecei a jogar, o que foi uma óptima surpresa. O foco na vertente sci-fi é muito bem executado com algumas missões excelentes, mas o modo Campanha é de curta duração e não explora suficientemente as novas mecânicas de combate em gravidade zero ou as "dogfights" entre naves espaciais. Assim, apesar de ter uma óptima experiência de jogabilidade e oferecer a ação intensa que todos esperam de um Call of Duty,  é um jogo que infelizmente não atinge o seu potencial e deixa a desejar por mais.
Nota: Esta análise foi efectuada com base em código final do jogo para a PS4, gentilmente cedido ao Meus Jogos pela PlayStation. Nesta análise, as componentes de jogo online não foram consideradas na atribuição da nota final.