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22 de novembro de 2016

Sword Art Online: Hollow Realization


A série de animação Sword Art Online (SAO) ganhou rapidamente imensos fãs, ao cativa-los para o seu universo de videojogos futurista (embora não tão futurista como já pareceu). Para quem não conhece, esta é a história de Kirito, que juntamente com dezenas de milhares de outros jogadores, ficam presos em Aincrad dentro de um MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game), em que um Game Over significava a morte do jogador na vida real. Muitos foram os que conseguiram sobreviver e escapar do jogo quando esse foi concluído, mas Kirito entre outros amigos que fez durante a sua aventura, mantiveram o seu gosto pelos MMOs.

(Imagem da versão PlayStation 4)

Da autoria de Reki Kawahara, SAO surgiu nos romances, embora tenha atingido a sua popularidade com a série de animação. Como seria de esperar conta também com videojogos, e embora estes partilhem a maioria das personagens e ainda os MMOs da série, têm uma história algo diferente da que podemos assistir no anime, tendo personagens exclusivas e ainda outras que "não fazem sentido" aparecer.

Como seria de esperar o protagonista do jogo é Kirito, embora que possamos criar o nosso próprio personagem com várias opções de aspecto ou mesmo género, mas tal resulta numa experiência estranha pois, nas sequências de animação e mesmo na história em si, o personagem que aparece é sempre Kirito. Por falar em personagens, várias caras familiares surgem de imediato logo no início do jogo, quase que bruscamente, e todos estão entusiasmados por explorar um novo MMO.


É aqui que surge uma novidade para o universo de SAO! Em Hollow Realization exploramos o mundo de Ainground, dentro do jogo Sword Art: Origin, um exclusivo no universo dos videojogos. É bastante semelhante a Aincrad, pois muita da informação (leia-se: base de dados) de SAO foi aproveitada para criar este mundo, contudo com algumas diferenças: o castelo voador foi trocado por um mapa plano, mais tradicional, e os jogadores não morrem caso haja um Game Over. Afinal essa história já é passado, embora os fantasmas estejam presentes durante esta nova aventura.

O jogo começa quando vemos um curioso NPC (Non-Playable Character), uma jovem rapariga que acaba por seguir Kirito e companhia, que mais tarde acabam por lhe chamar Premiere. Vista como um bug ou um NPC inútil, por vários outros jogadores, acaba por se aproximar de Kirito, tornado-a uma personagem vital para o desenvolvimento da história. Novamente Kirito vê-se envolvido com uma rapariga, facto recorrente na série e algo que é apontado, em piada, por outros personagens da série.

(Imagem da versão PlayStation 4)

Apenas temos controlo absoluto das habilidades e equipamento de Kirito, tal como apenas o controlamos a ele, embora seja possível dar ordens simples aos restantes membros da equipa. A jogabilidade é bastante acessível e semelhante ao que poderíamos encontrar num MMO, com um leque de ataques e várias armas e equipamento para encontrar. O jogo não é complexo, geralmente é bastante fácil, a não ser que quisermos atacar um inimigo com muitos níveis acima do nosso, o que pode resultar num Game Over, que nos envia de volta à cidade sem graves penalizações.

Falando um pouco das personagens que convidamos para a nossa equipa, estas não servem apenas para nos ajudar nos combates, mas é possível interagir com elas, de modo a ganhar a sua confiança. O jogo incentiva-nos a falar com estas personagens, a convida-las para as levar a explorar o mundo, e mesmo durante as batalhas é possível dar um "thumbs up", o que lhes aumenta a prestação em combate, por exemplo, através de estatísticas que nada são mais que emoções, ou até mesmo a sua própria personalidade.

 (Imagem da versão PlayStation 4)

Estando disponível tanto para a PS4 e Vita, o conteúdo do jogo é idêntico, embora a sua apresentação seja bastante diferente. Esta análise foi feita através da versão Vita, e deparei-me com imensos problemas, alguns deles bastante graves. O jogo está extremamente instável a nível de fluidez, que já conta com um frame-rate bastante baixo, com mudanças bruscas à medida que vão aparecendo elementos no ecrã. Por exemplo, pouco tempo depois do início do jogo surge um boss, numa batalha em que são vários personagens contra o mesmo boss, o que resultou numa espécie de slide-show de imagens, nada aconselhável.

Outro dos problemas, embora menos grave, surge principalmente na cidade em que os vários personagens demoram muito tempo a carregar, e muitas vezes eram importantes para avançar com a história do jogo, ou em várias missões. Contudo dava para selecionar o personagem (ainda invisível) para avançar, o que algumas vezes resultava numa sequência de diálogo em que Kirito olhava para o infinito. Visualmente o jogo peca um pouco, com texturas de pouca qualidade ou até mesmo devido à câmara, que ficava presa em árvores e não me permitia ver a batalha, mas os personagens estão bastante detalhados.

Ao comparar com a versão PS4, os problemas acima referidos são inexistentes, com visuais bastante detalhados e personagens que se aproximam bastante ao estilo anime. A escolha acaba por ser qualidade contra portabilidade, ao optar por uma das versões. Como é habitual em jogos nestas 2 consolas, podemos transferir o save entre versões, algo bastante prático.

(Imagem da versão PlayStation 4)

A qualidade visual acaba por ser importante quando exploramos o mundo de Ainground, pois à semelhança de um MMO, existe muito a explorar, e jogadores a encontrar pela cidade ou até mesmo a lutar contra inimigos, ao que podemos ajudar nas suas luta. Claro que não conta com uma escala de milhões de jogadores, nem estes estão parados em estado AFK (Away From Keyboard) junto a NPCs ou em locais importantes, mas o resultado é um mundo bastante vivo, repleto de personagens com quem podemos ter conversas bastante breves. É ainda possível jogar o jogo com amigos através do multiplayer, mas tal foi algo que não consegui fazer durante esta análise.

Existem imensas side-quests sempre disponíveis ao longo do jogo, que embora sejam as típicas de matar uma determinada quantidade de um certo inimigo, ou conseguir vários itens, podemos aceitar as quests que quisermos, enquanto vamos explorando. Contudo as recompensas não são as melhores, maioritariamente dinheiro. É ainda possível melhorar as estatísticas do nosso equipamento, e dei por mim a usar a mesma armadura durante mais de 10 horas, mesmo subindo imenso de nível, e este nunca foi outdated.


Os fãs de Sword Art Online têm um bom título para explorar, com bastante fanservice e muito conteúdo, mesmo que seja possivelmente repetitivo. Também os que não estão familiarizados com a série, este é um bom título para pegar, embora seja recomendável começar por Hollow Fragment se quiserem perceber melhor a história e as personagens que aparecem. Ou podem também ver a série de animação, embora que tal como foi dito anteriormente, o universo dos jogos seja uma versão alternativa. Infelizmente a versão Vita sofre de vários problemas a nível gráfico, o que incomoda atendendo que é um jogo cheio de ação. Ao comparar com vários vídeos da versão PS4 estamos diante a versão "definitiva" (embora não portátil) do jogo, por isso se tiverem de optar, e portabilidade não seja um factor essencial, é bastante recomendável essa versão.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para PS Vita, gentilmente cedido pela Bandai Namco Entertainment.