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8 de outubro de 2016

Mario Party: Star Rush


A série Mario Party teve origem no tempo da Nintendo 64 enquanto adaptação dos jogos de tabuleiro ao mundo digital, com muitos e frenéticos minijogos à mistura. Embora tenha tido alguns altos e baixos a nível de qualidade e popularidade, é um dos trademarks das consolas Nintendo, tanto domésticas como portáteis. Depois do enfadonho "Island Tour" para a 3DS, a saga regressa agora à portátil com este novo Star Rush e uma nova abordagem ao estilo de jogo. Terá sido suficiente?

Em Mario Party: Star Rush, a Nintendo parece ter finalmente percebido um dos problemas em adaptar a série às consolas portáteis, onde se torna particularmente aborrecido esperar pela vez de cada jogador completar o seu turno. Assim, a regra de ouro neste jogo é que todos podem jogar e tomar decisões em simultâneo, o que obrigou à criação de modos de jogo originais. Aliás, modos diferentes não faltam neste título, mas apenas três se destacam por serem mais substanciais: Toads ao Molho, Moedatlo e Papa-Balões. Os restantes são experiências mais descartáveis, como por exemplo um minijogo rítmico que de ritmo tem pouco ou outro parecido com gamão que assenta quase totalmente na sorte dos dados.


Toads ao Molho pode ser um dos melhores nomes de sempre (ler em voz alta) e até o modo mais publicitado de todo o jogo, mas é dos três principais o menos divertido. Os jogos são feitos em tabuleiros de arena onde cada jogador controla um Toad e se pode movimentar livremente num número de casas correspondente ao valor dos dados. O objetivo do jogo é derrotar uma sequência de bosses para ganhar estrelas, mas pelo meio é importante colecionar no tabuleiro moedas, itens e personagens aliados de forma a ter melhor desempenho nos minijogos. O problema aqui é que se perde mais tempo a lançar dados e movimentar personagens do que propriamente em minijogos e interação entre jogadores, acabando por ser um pouco aborrecido.

Já bem mais animado é o Moedatlo, um modo onde cada jogador compete pela maior velocidade a apanhar moedas numa sequência cíclica de 3 minijogos aleatórios, que ficam mais difíceis a cada ciclo. Durante a competição, vai sendo mostrada no ecrã de baixo a posição relativa dos jogadores como se de uma corrida se tratasse. É um modo engraçado para tirar teimas entre jogadores mais competitivos, mas pode tornar-se repetitivo ao fim de algum tempo.


Finalmente, Papa-Balões é o melhor modo do jogo. Com um tabuleiro mais restrito que os do Toads ao Molho, os personagens movem-se livremente na tentativa de colecionar balões de moedas e outros que permitem trocar moedas por estrelas. De cada vez que alguém apanha um balão, há um minijogo, uma oportunidade para todos ganharem moedas e manter a competição acesa. De facto é um modo bem conseguido e do qual se tira melhor partido quando estão 4 jogadores. Ainda assim, muitas sessões de jogo irão acabar por simplesmente partir do menu principal para jogar minijogos aleatórios.

É uma pena não haver alguma forma de pontuação global por sessão de jogo, ou torneios locais que incentivem a jogar modos principais ou sequências de minijogos até se decidir o vencedor da jogatana. Sendo um jogo portátil, é provável que seja levado para sessões de jogo com amigos e que se prolonguem por mais do que 15 ou 30 minutos, e também que haja mais do que 4 jogadores por perto - um modo especial para 8 jogadores seria ideal para acompanhar uma sessão de Mario Kart 7, ainda hoje o melhor "party game" da consola.


Seja como for, desta vez houve um grande empenho em assegurar que até os mais solitários consigam formar um grupo para a experiência Mario Party na 3DS, graças ao Mario Party: Star Rush - Party Guest. Este é um título gratuito, descarregável na Nintendo eShop, que permite participar no modo multijogador com alguém que tenha a versão completa do jogo, com acesso a todos os modos e personagens. Assim, num grupo de 4, basta que um tenha adquirido Star Rush para que todos tenham exatamente a mesma experiência que teriam se os restantes também o tivessem comprado. Além disso, quem tiver o "Party Guest" instalado poderá ainda desfrutar de alguns minijogos no modo para um jogador, dando alguma utilidade ao ficheiro instalado na consola. Em alternativa, é possível utilizar o sistema Download Play da Nintendo 3DS, mas com grandes limitações de minijogos, modos e personagens disponíveis.


Mario Party: Star Rush pode ser a melhor iteração portátil da série até hoje, mas não é muito mais do que um jogo porreiro para curtas sessões multijogador. Oferece diversão muito acessível e é bastante fácil de recomendar a quem já tenha o hábito de se reunir com amigos para jogar, graças à disponibilidade do Party Guest. Remover a espera pelos turnos dos adversários foi bastante inteligente, mas está na altura de aumentar o número de jogadores permitidos e criar modos de jogos mais interessantes. Sabemos que algo está em falta num Mario Party quando, ao fim de algumas sessões de jogo, as amizades permanecem sem um arranhão.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo 3DS, gentilmente cedido pela Nintendo.