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15 de setembro de 2016

Hue


Hue, termo que em Português se traduz para Matiz, é uma propriedade da cor que nos permite distinguir, por exemplo, entre o amarelo e o vermelho. Hue é também o nome do protagonista deste jogo, cuja história começa quando a sua mãe fica aprisionada num mundo monocromático e ele recebe um dispositivo capaz de alterar a percepção da cor. Neste mundo tão distinto do nosso, elementos coloridos tanto podem servir de plataformas como obstáculos, sendo necessário alterar a percepção das cor de fundo do cenário para afetar a sua visibilidade e utilidade. É um conceito semelhante ao de Runbow, mas para um estilo de jogo completamente distinto.


É muito fácil explicar a mecânica principal deste título, que se resume a explorar um mundo 2D monocromático onde se encontram alguns elementos de cor, cuja visibilidade é alterada ao colorir o cenário de fundo. No início, apenas existe o preto e branco, mas cedo Hue irá receber a sua primeira cor e assim começar a sua aventura. À medida que se vai explorando, novas cores são adicionadas ao seu dispositivo, passando também a surgir uma maior combinação de cores nos objetos encontrados no cenário. Os puzzles iniciais baseiam-se em alterar a cor do fundo para esconder ou revelar plataformas, mas em pouco tempo se vão tornando mais complexos, implicando a deslocação de múltiplos objetos para desvendar a solução. Outros, mais frustrantes, requerem a coordenação entre os saltos e a mudança de cor do cenário para abrir caminho - a regra é que o elemento irá desaparecer se tiver a mesma cor do fundo, mas nem sempre a intuição nos permite fazer a mudança pretendida. É difícil! Para os daltónicos, foi acrescentada uma sinalética que permite distinguir as cores, mas ainda assim é provável que se sintam em desvantagem ao jogar este título nas sequências de ação mais rápida.

Os gráficos simples são bastante eficazes, realçando os elementos de jogabilidade em detrimento de uma arte mais detalhada. A banda sonora, por sua vez, eleva a experiência do jogo com música envolvente ao piano e os relatos da mãe que surgem ao fim de cada sequência, ao encontrar-se uma nova carta deixada para Hue. A experiência de jogo é geralmente linear, mas existe algum backtracking ao estilo Metroidvania, que permite descobrir novos caminhos e segredos em áreas já visitadas mas para as quais não teríamos a cor necessária à disposição na primeira visita. À medida que nos vamos envolvendo no mundo de Hue, as suas revelações tornam-se cada vez mais interessantes, tirando partido da arte simplista para destacar o impacto da cor nos cenários.


Mesmo sendo um jogo relativamente pequeno, Hue é um título colorido, envolvente e desafiante. Não é algo avassalador, mas tem um charme próprio conquistado muito à conta da sua banda sonora.
Nota: Esta análise foi escrita com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela representante da Curve Digital.