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22 de agosto de 2016

Guia de sobrevivência para a Gamescom


Por Ana Alexandre

Este ano foi o primeiro em que fui à Gamescom. Notem o tom optimista de quem tem esperança de regressar um dia. Primeiro que tudo, há que referir que a Gamescom é uma das maiores conferências europeias de jogos, com representação de uma quantidade simpática de empresas produtoras de jogos. Entretanto vocês já devem ter visto os milhentos vídeos que o Telmo foi postando, por isso não me alongo mais em explicações.

Então, e por que é que sou eu a escrever este post e não o Telmo? Bem, primeiro porque eu o chateei até ele me deixar, segundo porque o Telmo foi como membro da imprensa e acabou por não ter tanto a óptica do público na Gamescom. Aí entro eu, que estive lá os quatro dias em que a conferência esteve aberta ao público.

Para não terem de passar pelo mesmo que eu, que implicou algumas horas mergulhada em fóruns do Reddit e muito Google Translate de alemão para português, deixo-vos algumas explicações e algumas dicas que apanhei em fóruns e outras que aprendi às minhas custas.

Dias

A Gamescom dura cinco dias, sendo que o primeiro é reservado à imprensa e trade visitors. Assim sendo, sobram quatro dias para o público, de quinta a domingo. Quinta e sexta existem bilhetes com a opção de entrada uma hora antes do restante público, que custam mais do dobro do bilhete normal. Dito isto, foi o melhor investimento que fiz, porque a entrada antecipada permite não só desfrutar do espaço e ver os stands, como jogar os jogos que toda a gente quer sem esperar tanto tempo. Posso dizer que mesmo assim estive cerca de 2h na fila para Final Fantasy XV (houve quem estivesse 4h).
Compreensivelmente, os dias mais cheios são ao fim de semana.

A cidade e eventos

Colónia é uma cidade alemã, cujo centro se corre facilmente a pé. A Koelnmesse, local onde decorre a Gamescom, fica do outro lado do Reno, mas mesmo as pontes podem ser percorridas a pé.
O alojamento é facilitado pelo facto de Colónia ser uma cidade que vive à volta do centro de congressos e está preparada com inúmeros hotéis. A menos que se tente reservar à última hora, é fácil encontrar várias opções de preços.
Durante o evento é habitual algumas empresas fazerem locais temáticos, geralmente em cafés ou restaurantes, que podem ser visitados pelo público. Este ano a Blizzard preparou um café temático para o lançamento do World of Warcraft Legion, mas em anos anteriores já houve também cafés temáticos de League of Legends.
Além disso, existem eventos abertos ao público a decorrer na cidade, com concertos e um festival de comida de rua.

Transportes

Os bilhetes diários oferecem transportes gratuitos de e para a feira, pelo que geralmente as necessidades estão cobertas. O aeroporto fica a cerca de 20 minutos do centro da cidade e tem ligação assegurada por transportes públicos.
A linha de metro cobre praticamente toda a cidade, mas como em toda a Alemanha, convém estar psicologicamente preparado para o facto de estar tudo em alemão. Tudo. Em todo o lado.
Para quem parte de Portugal, tanto o aeroporto do Porto como o de Lisboa têm rotas para Colónia em empresas low cost.

Admissão ao espaço

A entrada pode ser feita por quatro portas, mas uma é reservada aos membros da indústria. A mais concorrida é a entrada Oeste, por estar junto ao metro e comboios, pelo que sugiro que se tentem as restantes. A entrada prioritária é efectuada apenas pela entrada Norte.
Existem 3 pontos de verificação dos bilhetes e uma zona de controlo de bagagem. Bebidas e comida são permitidos e são uma boa ideia, porque tudo é caro dentro do centro de convenções.
Devido a actos terroristas no país, a edição deste ano proibiu imitações de armas, mesmo em cosplay.
Por experiência própria, sacos de power banks são facilmente confundidos com bombas.

O espaço

A Koelnmesse é imensa e nem sequer chega a ser totalmente utilizada para a feira. Contudo e apesar dos vários milhares de pessoas que participam na feira, a Gamescom está muito longe de ser caótica. Tirando o facto de aparentemente os alemães terem problemas em reconhecer e cumprir uma fila.
O espaço está equipado com WC em todos os pavilhões, que são regularmente higienizados e equipados. Além disso, a organização e equipa de limpeza são muito eficientes e pouca coisa fica com ar sujo, mesmo em casos de derramamentos de líquidos.
Existem também em todos os pavilhões pontos de fornecimento de água potável que podem ser utilizados para encher garrafas.
Quanto à alimentação, o espaço exterior entre pavilhões é ocupado por bancas de comida de rua, além dos diversos cafés espalhados pelo recinto. Só para referência, há que dizer que os alemães adoram água com gás e que a currywurst (salsicha num molho à base de caril) é provavelmente a comida que mais se encontra por todo o lado. Se tiverem problemas de alergias ou intolerâncias vão ter alguns problemas, porque a maioria das bancas não cita alérgenos e as que o fazem geralmente é em alemão. E não, a maioria das pessoas não fala bem inglês, por isso não contem com essa parte.
Existem alguns multibancos nas entradas, mas recomendo que se leve dinheiro, já que apesar da maioria das lojas ter multibanco, os locais de alimentação não têm.

Filas e tempos de espera

Esta questão vai sempre depender daquilo que se quer fazer no espaço da feira. Quem quer testar alguns jogos underground e indie e não paga bilhete com entrada antecipada, consegue facilmente correr alguns jogos durante o dia. Contudo, alguém que queira por exemplo testar o Final Fantasy XV, o Battlefield e experimentar a realidade virtual da PlayStation, não vai conseguir fazer mais nada durante o dia. Incluindo comer e ir ao WC. Parece a brincar, mas juro que com o tamanho das filas, é possível que não conseguissem mesmo.
Isto leva-me à segunda parte deste subtema, que é: o que fazer nas filas de espera. Quanto a nós, andámos principalmente a utilizar a Nintendo 3DS (o evento é naturalmente um óptimo sítio para streetpasses) e telemóvel. Mas se soubesse o que sei hoje, tinha levado um ou dois livros de bolso comigo para a Alemanha ou um baralho de cartas. Vi ambas as situações e disse mal da minha vida por não me ter lembrado disso também.
Além disso, há que realçar o facto de muita gente levar bancos ou cadeiras desmontáveis para estar mais confortável. Aliás, existem uns oficiais da Gamescom e tudo.

Merchandising

Existe uma zona exclusiva para as lojas, mesmo para as que têm stand nos pavilhões principais, como é o caso da Blizzard e da Square Enix, e fica no segundo andar de um dos pavilhões.
O que é que se pode encontrar por lá? Praticamente tudo o que os vossos corações geeks mais desejam. Tanto encontram lojas oficiais com edições de colecionador que habitualmente só se podem apreciar através de fotos na internet, como lojas que vendem diverso material dentro e fora da temática de jogos (animes, manga, séries de TV, filmes, etc).
Há que ter em conta que tudo o que contenha palavras escritas (excepção feita a tshirts) está em alemão, sejam livros, jogos de tabuleiro, caixas de jogos ou cartas.

Freebies

Bem, e o que é que se consegue arranjar sem pagar? O mais comum são coisas pequenas como pins ou fitas. Algumas empresas de comida e bebida também aproveitam o evento para distribuir alguns produtos, mas nada de relevante.
Geralmente estas ofertas são dadas após terminar alguns jogos, mas existem também os stands que põem 50 pessoas aos berros para atirar algumas tshirts e um ou outro jogo ou set de headphones. No meu caso, consegui uma tshirt e duas fitas da Square Enix, alguns pins da Blizzard e uma manga que simula uma tatuagem da XBOX. Depois há sempre aquelas coisas extra, como GIFs de fotos 360° ou conjuntos de fotos impressas.

Eventos na Gamescom

Esta parte, apesar de ser a mais interessante, deixei-a para o fim porque presumo que já devem saber. Na feira vão poder ter acesso a jogos que ainda não foram lançados, muitos deles já jogáveis (outros só com apresentação, mas não é comum), torneios (nalguns podem inscrever-se para participar, noutros podem apenas assistir), concertos, sessões de autógrafos, lançamentos de novos jogos ou DLC, consolas e jogos retro e indie, lançamentos de novo hardware e software e muitas outras coisas que variam todos os anos com aquilo que cada empresa vai apresentar (este ano, por exemplo, houve o lançamento de uma nova curta do Overwatch).