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Análises

16 de agosto de 2016

Bound


A parte boa de escrever análises é que, de vez em quando, chega-nos às mãos um título de que nunca havíamos ouvido falar e que nos surpreende imenso. Bound, para a PlayStation 4, é um desses casos. Um jogo visualmente arrojado e com uma temática distinta que, provavelmente, nunca teria lugar numa grande companhia de videojogos, mas rapidamente nos conquistou pela sua experiência sensorial.

A história do jogo é do mais subjetivo que pode haver. Contada de forma metafórica e muito ambígua, relaciona-se com problemas e vivências humanas, mas aqui contadas da perspetiva de uma alien bailarina que se desloca graciosamente por um reino em colapso que gostaria de salvar. Há uma narrativa dispersa e personagens ambíguos, mas uma intenção concreta. Sem querer desvendar nada da história, a aventura desenrola-se através de um diário gráfico abstracto, um livro de memórias que podem ser acedidas em qualquer ordem. A direção artística leva essa abstração ao máximo, com cenários dinâmicos e visuais arrojados acompanhados de uma fantástica banda sonora.


Infelizmente, a jogabilidade não acompanha o resto desta produção. As animações e movimentos da personagem estão excelentes, sempre em passos de dança e acrobacias. No entanto, não há um grande desafio além de tentar fazer "speedrun", um modo adicionado após a conclusão da história pela primeira vez. Não há muitos obstáculos ou partes difíceis de atravessar, o que poderá desmotivar muitos jogadores. Por outro lado, há uma enorme variedade na forma como se pode passar o jogo. Como os níveis são baseados num diário gráfico, a sua estrutura é definida pela combinação do que se vê nas páginas do diário. Passando o nível, a página é arrancada, alterando assim o conteúdo do nível seguinte. Isto significa que, ao alterar a ordem em que jogam os níveis, os jogadores estão efectivamente a modificar os níveis que irão encontrar.


Mais do que um eventual "speedrun", o motivo para voltar ao jogo uma vez atrás de outra é claramente o prazer da experiência sensorial. Navegar os níveis pode não ser um desafio, mas é sem dúvida deslumbrante. Contrastes fortes, cores vibrantes, música hipnotizante... é tão agradável jogar Bound como ver alguém jogar. O jogo oferece ainda um robusto modo de fotografia, que permite alterar bastante a imagem e preparar impressionantes capturas de ecrã. Melhor ainda, após a conclusão pela primeira vez, é possível aplicar estes filtros a todo o jogo para uma experiência mais personalizada.


Não dá para evitar comparações ao Journey, jogo que inspirou a Plastic a criar esta pequena pérola, mas o estilo artístico conseguiu demarcar-se bastante e conquistar o seu espaço. Aqui há uma história mais presente, mas que terá na mesma de ser o jogador a decifrar e interpretar. É uma pena que a jogabilidade não seja tão interessante como o resto, e que seja bastante curto. Ainda assim, o preço acessível de lançamento faz com que seja muito fácil de o recomendar a todos os que apreciem este género de experiência interativa. Para os interessados em realidade virtual, fica também o apontamento de que este título irá receber uma atualização gratuita em outubro, que o tornará compatível com o PS VR – uma funcionalidade que, sem dúvida, gostaria de experimentar. Abstracto e deslumbrante, Bound é um dos jogos mais interessantes do ano.
Nota: Esta análise foi efectuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela SCEE.