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23 de julho de 2016

Carmageddon: Max Damage


Para muitos de nós o nome Carmageddon traz imediatamente muita nostalgia: o jogo arrojado de carros, onde tínhamos de atropelar peões, principalmente velhinhas e grávidas por pontos extra (assim o dizíamos), enquanto destruíamos os nossos oponentes da estrada. Foi uma série que nos marcou, envolvida desde em vários escândalos dos anos 90 de ser "demasiado violento" ou até mesmo no uso de censura (um tema hoje bastante aceso), em que trocavam os peões por zombies ou robôs em vários países, de modo a poder estar à venda.

Após o lançamento de Reincarnation para o PC, eis que chega Max Damage, uma versão melhorada e que chega finalmente às consolas PS4 e XBox One, com lançamento previsto para PC posteriormente. É o regresso à infância de muitos, agora com novos cenários e veículos, mas com tudo o que recordamos dos clássicos: explosões de corpos em sangue, power-ups, carros a explodir após os esmagar-mos contra as paredes, etc.

Para quem jogou os clássicos irá-se sentir novamente em casa, e rapidamente se irá encontrar a lançar o caos quase 20 anos depois depois do lançamento do primeiro jogo. Mas quem nunca jogou facilmente irá-se adaptar ao jogo, por ser bastante acessível, através de eventos simples e uma boa liberdade em nos deixar fazer o que queremos. Contudo se quisermos avançar no jogo temos de respeitar todo um conjunto de missões que nos dão pontos, estes que nos permitem desbloquear novos cenários com novos veículos a enfrentar (e adquirir, ao destruir os mesmos), e alguns extras que nos permitem ter uma melhor prestação na estrada.

Mas é aqui que a magia da nostalgia se perde um pouco: embora seja divertido pegar no comando e queimar algum tempo, o jogo torna-se bastante monótono ao repetir várias vezes os mesmos cenários, que embora nos deixem explorar desde debaixo de água, ao topo dos edifícios, são bastante monótonos. As próprias missões pouco variam, e mesmo podendo fugir (geralmente) um pouco ao que é pedido, para concluir a mesma, acabamos por seguir a missão até ao fim para podermos avançar no jogo.

São pontos que, talvez, há 15 anos atrás não daríamos tanta atenção, ou talvez por se manter fiel às origens acaba por se perder um pouco atrás no tempo. Mesmo o aspeto gráfico do jogo recorda-nos bastante os originais, só que com visuais mais atuais, que embora seja bastante simples, sem abusar de efeitos gráficos, por si traz-nos boas memórias dos anos 90. Já a nível sonoro, o jogo recupera os anúncios de voz clássicos (que curiosamente me trouxe memórias de Destruction Derby 2), sendo esse o único ponto positivo nesse aspeto, já que a banda sonora é para esquecer.

Existem outros fatores em que o jogo ficar preso nos anos 90 não é propriamente positivo. Os controlos do jogo são bastante medíocres, e grande parte dos veículos parecem estar constantemente a derrapar, parecendo que estamos a conduzir em cima de manteiga. Quer travar como desacelerar, para fazer melhor as curvas ou atingir veículos rivais, acaba por se tornar num festival de derrapanço sem fim. Torna-se muito frustrante quando temos de lidar com inimigos a empurrarem, power-ups difíceis de obter (por serem pequenos barris na estrada) ou ainda passar por checkpoints, e acabamos por nada conseguir fazer pois o carro nos "foge" das mãos.

Numa de tornar o jogo ainda mais frustrante, a inteligência artificial é bastante estranha: várias vezes me dei a seguir em frente, tranquilamente a prosseguir por checkpoints, e subitamente veículos que estavam a fazer o mesmo, decidem em conjunto mudar bruscamente de direção e atacarem em grupo. São várias as situações de "tudo contra nós", sem qualquer motivo, e para piorar ainda mais as coisas existem pequenos carros da polícia, autênticos "Smarts" imortais, difíceis de atingir, destruir e que parecem só querer vir atrás de nós.

São pontos que podiam ter sido refinados, tornando este novo Carmageddon num jogo bastante melhor, acompanhando bem a nostalgia que está sempre presente no jogo. Desde as frases absurdas (muitas delas infantis, que nos fazem revirar os olhos, mas a ideia está lá) até mesmo as opções de censura que muda a cor do sangue, há todo um fan-service que é bastante estragado por o que é o grande grosso do jogo: a condução. Existem ainda loadings extensos, mas estes acabam por ser um pouco esquecidos ao passarmos largos minutos a conduzir, a todo o gás, pelos níveis que são consideravelmente amplos.


Não é um jogo facilmente recomendável, mas a nostalgia por vezes fala mais alto, e mesmo com os vários problemas apontados este seja um bom jogo para os mais velhos reviverem a sua infância. É verdade que não tínhamos idade para jogar um jogo classificado para adultos, mas tal não nos impedia, fazendo parte de toda a magia. Carmageddon: Max Damage talvez seja o suficiente para nos levar de novo à infância, ao nosso sofá ou chão, em frente a uma TV analógica com um napron que servia como base para um jarro de flores (plásticas), no topo da mesma.

Nota: Esta análise foi escrita com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela Stainless Games