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20 de abril de 2016

Star Fox Guard


Sabem aquele sentimento constrangedor de quando alguém conta uma piada, sem graça, mas conta-a de novo para ver se já tem? (Ou quando fazem sequelas para o Final Fantasy XIII?) É o Star Fox Guard e o facto de alguém achar que a ideia de olhar para dois ecrãs em simultâneo é boa. Não é. A segunda parte da piada passa por fazer de Slippy Toad uma das personagens principais, a personagem menos apreciada da saga, mas ei, há que insistir com o público e que melhor maneira de lançar um jogo simpático só com ele? Ah, e com o tio Grippy, cujo bigode é o auge do jogo. Um sapo com bigode, quem diria.


A premissa deste Starfox Guard é a seguinte: Grippy, como presidente da Corneria Precious Metals Ltd, contratou o seu sobrinho, Slippy, para proteger uma das suas bases. Porreiro, vamos lá com a nossa Arwing e destruir uns robôs numa missão que podia passar como sidequest. Não! Ao invés disso ficamos a olhar para 12 câmaras de vigilância e temos de disparar assim que surgir algum invasor robótico. À primeira vista parece simples: aparece o robô, selecciona-se a câmara e dispara-se. Na teoria é fácil, mas na prática é todo um outro universo de desespero e stress. Vamos passar às mecânicas e talvez consiga explicar-me melhor.

Antes de cada missão (são cerca de 100), temos de ajustar as câmaras, posicioná-las e mudá-las de sítio de maneira a cobrir todo o terreno, entradas e centro da base. O resultado final é um Gamepad saturado com 12 números (para 12 câmaras) e depois começa a missão em si. Tudo calmo, até que surge o primeiro robôzito na câmara quatro. Mudem para a câmara quatro. Depois surgem dois na câmara sete. Mudem para a câmara sete. Depois mais um na câmara cinco e na câmara um. Mudem para uma delas e rezem pelo melhor! Disparem rápido, mudem de câmara. Câmara sete! Olhem para a televisão, olhem para o Gamepad. Uma e outra vez, o mais rápido que conseguirem e tenham bem a certeza de que carregam nos números certos ou que estes funcionam à primeira. Se deixarem escapar uma entrada, os atacantes começam a entrar, a percorrer os corredores apertados e o tempo começa a escassear. Se não conseguirem dispensar um olho e não impedirem um robô de chegar ao centro, Game Over. Acabou a missão. Por outro lado, se tiverem sucesso e conseguirem uma defesa bem-sucedida, acumulam pontos e passam à missão seguinte. Após cada missão, o cão robô do tio, o Re:bot, canibaliza os destroços dos invasores e ganham “metais preciosos” para evoluírem as vossas defesas.
Este Tower Defense tem outro lado para além da defesa, podem explorar o modo online e formar a vossa força de ataque para partilharem com outros jogadores, muito ao jeito de Mario Maker. À data não foi possível experimentar este modo, mas assim que o jogo sair já será possível. Nem tudo é mau em Guard, tal como Zero, este contém detalhes engraçados como a existência de lag nas câmaras ou a imagem ser de baixa resolução tal como uma real. Os inimigos não são cópias, mas de diferentes tipos com várias características e ataques – há uns que insistem em causar interferência às câmaras, mas não sei se conte o resto, não vá estragar a surpresa de um bom ataque. Se perderem um missão é bem possível que Fox e a equipa vos venham salvar, mas nem sempre!

A nível visual, apesar de não variar muito do mesmo, está ao nível de Star Fox Zero, não partilhassem do mesmo motor, mas passado um pouco é capaz de cansar e a urgência das missões não vos vai deixar apreciar o cenário. Tenho uma opinião mista em relação ao som deste jogo, não compreendo porque razão não deixaram os diálogos a sair da televisão ou darem a escolher. Todas as vozes saem do comando e se quiserem poupar a bateria (já má) do comando, este não é o melhor jogo, mas ainda assim porque as vozes são más, desliguei o som. De resto não é nada marcante.


Star Fox Guard estará incluído na edição especial do Star Fox Zero, mas poderá ser adquirido em separado através da eShop. Não é um mau jogo, mas estando os olhos postos no Zero, este será arquivado como jogo desnecessário. Talvez tivesse sucesso como mini-jogo gratuito ou algo do género, mas pelo preço que pedem, mais vale esperarem por uma promoção.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Wii U, gentilmente cedido pela Nintendo.