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15 de março de 2016

Pokkén Tournament


Desde o início da série Pokémon, sempre houve um fascínio em ver os combates dos pequenos monstros em 3D. Na Nintendo 64 e consolas seguintes, sempre houve algum título que cumprisse esse efeito, para gáudio dos fãs. Hoje em dia, no entanto, os jogos portáteis já são apresentados em 3D e com visuais bem mais impressionantes que o do primeiro "Stadium", tendo baixado drasticamente a necessidade de um jogo desse género. Surgiu então a oportunidade de fazer um jogo de luta de Pokémon bastante fora do comum, em colaboração com a Bandai Namco Entertainment, criadora da série Tekken. E assim surgiu Pokkén Tournament, um cruzamento improvável de duas séries com uma longa história no mundo dos videojogos.

O jogo tem um sistema de combate original e bastante interessante que consiste em duas "fases" numa arena tridimensional, que vão intercalando durante as batalhas. A primeira, "Field Phase", permite aos personagens moverem-se livremente pela arena, com uma câmara aérea que facilita a visualização do ambiente em redor. Há muitos ataques de longa distância e as estratégias de combate podem passar por aumentar ou diminuir a distância do adversário. A segunda, "Duel Phase", ocorre com a câmara vista de lado e distingue-se por um combate mais intenso, onde os ataques de curto alcance têm maior destaque mesmo não sendo a única opção - é sempre uma questão de estratégia. Para alternar entre as fases, basta atingir o adversário com um ataque devastador ou uma sucessão eficaz de ataques normais. Esta dinâmica torna os combates interessantes e pode ser aproveitada para tirar partido das caraterísticas dos diferentes personagens.



Embora o jogo tenha a marca "Pokémon", podemos esquecer todas as regras que aprendemos acerca deste universo. Os tipos das criaturas não importam, mesmo que todos os seus ataques e movimentos sejam inspirados no que estas fariam dentro do imaginário de Pokémon. A única regra aqui é a de que os contra-ataques são eficazes contra os ataques normais, que por sua vez são eficazes contra os ataques de agarrar, sendo estes eficazes contra os contra-ataques. Aprendendo a ler o adversário e prever o que ele fará a seguir, o jogador torna-se praticamente implacável. Ao longo do jogo, cada personagem vai enchendo uma barra de energia conhecida por Synergy. Esta representa a conexão entre o pokémon e o treinador e, quando utilizada, permite a criatura atingir um estado superior, podendo ser uma Mega Evolução no caso de alguns pokémon como o Lucario, Blaziken ou Gardevoir, por exemplo. De cada vez que é utilizada esta energia, é possível também libertar um "burst", que será um ataque devastador e em muitos casos pode decidir o jogo - mas atenção que é possível bloqueá-lo com o botão de defesa.

Outra mecânica importante a ter em conta são os pokémon de suporte, que são pares de pokémon escolhidos antes da batalha e podem ser utilizados após encher uma barra de energia específica. Os pares não são configuráveis, mas existem várias combinações para escolher de acordo com os gostos do jogador e a sua estratégia para acompanhar o pokémon em batalha. Podem parecer dispensáveis ao início, mas à medida que se avança no jogo e se começa a dominar as suas particularidades, os pokémon de suporte podem fazer toda a diferença em combate e ajudar bastante o jogador ou dificultar a vida ao adversário.


Ao todo há 16 pokémon para escolher e, embora o menu de seleção de personagem deixe espaço para conteúdos adicionais, à data de lançamento nada está anunciado. O elenco é diversificado, mas num universo de 721 criaturas catalogadas, havia tanto por onde escolher que será impossível agradar aos fãs. Ainda assim, há que dar mérito pelas escolhas terem incluído opções fora do previsível espectro de pokémon de luta ou apenas com formas antropomórficas. Enquanto alguns deles tenham sido feitos para ser levados muito a sério, outros acabam por ser realmente divertidos, como é o caso do Pikachu Libre, uma versão do Pikachu em "luchador" de wrestling.

O modo principal do jogo coloca o protagonista numa liga de combates Pokkén para se tornar o melhor da região de Ferrum. Não é que o jogo tenha propriamente uma história, mas há um argumento acerca de um misterioso "Shadow Mewtwo" que parece ser impossível de derrotar. Neste modo, há uma série de ligas para vencer por ordem, e que consistem num conjunto de batalhas onde o objetivo é subir no ranking até ser o 8º da liga. Chegando a esta posição, pode-se desafiar os 7 melhores para um torneio, que se terá de vencer para depois enfrentar o mestre da liga, que guarda a promoção para a liga seguinte. É um pretexto como qualquer outro para se combater, mas é também desta forma que se obtém a maioria dos conteúdos desbloqueáveis do jogo, incluindo conjuntos de pokémon de suporte e personalizações do avatar do jogador. Ainda assim, convém dizer que a dificuldade aumenta consideravelmente nas ligas mais avançadas, não sendo um jogo propriamente fácil mesmo que o pareça ao início.


Um jogo de luta que se preze tem de ter opções multijogador, o que não falta neste título que substitui as salas de arcada por combates online. Visto que esta análise foi realizada antes do lançamento do jogo no mercado, a experiência pode não ser representativa do que se irá verificar quando centenas de milhares de jogadores se ligarem. Os meus combates online decorreram sem qualquer latência ou quebra de fluidez no motor gráfico. O sistema que permite encontrar outros jogadores é bastante simples, dando 10 segundos para iniciar um combate ou criar uma partida contra o CPU enquanto continua a busca por novos jogadores. Infelizmente, talvez devido ao número reduzido de jogadores online, não aparentou ter a preocupação em juntar adversários com o mesmo nível de experiência.

Melhor do que jogar com desconhecidos é jogar contra os amigos. O jogo permite organizar partidas online contra amigos, fora do sistema de ranking global, mas é também possível jogar localmente, ficando um a jogar no GamePad enquanto o outro utiliza o Pro Controller para jogar na TV. Infelizmente, neste modo local a framerate é reduzida para 30fps, o que se nota especialmente por contraste à fluidez de todo o jogo nos restantes modos e acaba por afetar a experiência. Um daqueles casos em que acaba por ser preferível jogar com os amigos à distância.


Não há muito mais para dizer acerca do jogo, a não ser que oferece um vasto leque de opções de personalização. Em todos os combates, exceptuando os de treino, o pokémon recebe experiência por ter lutado, que depois lhe permite subir de nível e atribuir "skill points" que irão afinar as estatísticas ao gosto do jogador (mais ataque, mais defesa, etc). Pode-se mudar o aspeto da assistente que serve como tutora do jogo, fazer com que ela fale muito menos e até mudar o idioma do jogo para japonês. A beleza dos gráficos salta à vista, numa impressionante adaptação das mais poderosas máquinas de arcada, com modelos 3D muito detalhados e bem animados. É só uma pena que não tenha mais personagens.

No fundo Pokkén Tournament é um jogo bastante divertido onde as batalhas são um festim para os olhos, especialmente quando se é fã de Pokémon. Mas mais importante do que gostar de Pokémon é ser-se um apreciador de jogos de luta, pois só assim se irá realmente tirar partido do valor investido neste título, que não me parece recomendável a quem só quer ver uns combates bonitos de Pokémon em 3D - esses, podem fazê-lo no youtube.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Wii U, gentilmente cedido pela Nintendo.