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22 de abril de 2015

Pandora's Tower


Lançado para a Wii em 2012, Pandora's Tower foi uma espécie de ovelha negra de um conjunto de 3 títulos japoneses exclusivos da consola e dedicados a um público considerado mais "hardcore". Enquanto The Last Story foi aguardado com elevada expetativa pelos fãs do género RPG e Xenoblade Chronicles se mostrou uma entrada fenomenal na mesma categoria (considerado o melhor RPG da anterior geração de consolas), Pandora's Tower passou um pouco despercebido por vários factores, sendo talvez o principal a falta de algo "extraordinário". E talvez tenha sido esse o motivo deste ser o primeiro dos 3 a chegar digitalmente à Wii U (não esquecendo que Xenoblade Chronicles foi recentemente adaptado para a New Nintendo 3DS).


Pandora's Tower é um jogo estranho e cujo apelo não é imediatamente perceptível, mas que se torna bem mais interessante após experimentar. A história acompanha a aventura de Aeron's, um paladino algo genérico que deve salvar a sua namorada Elena de uma terrível maldição que está a deformar o seu corpo, transformando-a num monstro. Para impedir tal metamorfose, Elena terá de seguir uma rigorosa dieta à base de carne crua arrancada de monstros que habitam 13 torres suspensas, ligadas por correntes que impedem o mundo de se dividir em pedaços. Não fosse esta já uma maldição cruel, ainda por cima Elena é adepta de uma religião que impede os seus adeptos de ingerir qualquer tipo de carne. Resumindo, Pandora's Tower é um jogo onde temos de alimentar uma vegetariana com carne crua para que não acabe transformada em monstro.

Este é um bom título de ação onde Aeron terá 13 torres para explorar enquanto recolhe a carne dos monstros, com o objetivo de chegar ao topo e enfrentar as "master beasts", bosses cuja carne terá um efeito mais poderoso contra a maldição. No seu arsenal, conta com uma espada e uma corrente mágica que permite não só atacar os monstros, mas também resolver pequenos puzzles que surgem pelo caminho. Durante a aventura, é possível observar o estado da maldição de Elena, que irá necessitar de visitas frequentes para comer mais carne dos monstros. Conforme as torres vão ficando maiores e mais complexas, é fundamental ir descobrindo atalhos para poder ir visitar a namorada e regressar à aventura.


Embora seja relativamente opcional a decisão de interromper a exploração para a ir alimentar, as visitas a Elena e as interações que se tem com esta são de grande importância para a história. Disto depende a qualidade do relacionamento entre ambos, que levará a um de seis diferentes finais possíveis. Será possível salvar a namorada desta maldição, ou irá ela sucumbir e tornar-se numa criatura maldita?


Introdução e fase inicial do jogo

É possível jogar Pandora's Tower apenas com o GamePad da Wii U, com o mesmo esquema de controlos do Classic Controller ligado ao Wii Remote, mas o melhor método para jogar é com a combinação Wii Remote + Nunchuck devido à facilidade de apontar diretamente para o ecrã vs. deslocar o cursor com um botão analógico. Mesmo sendo um jogo com uma componente artística muito bonita, o seu grafismo já sofria com as limitações da Wii, que não tinha suporte para alta definição. A baixa resolução está longe de ser ideal para um jogo cuja arte pedia muito mais detalhe, mas adequa-se bem ao ecrã do GamePad, pelo que alguns jogadores poderão preferir comprometer alguma facilidade nos controlos em benefício de um visual menos pixelizado que o obtido na TV. Já muito mais impressionante é a banda sonora do jogo, que combina orquestra e coros e contribui de forma eficaz para os diversos ambientes.

Quanto à experiência de jogo, a componente do relacionamento pode parecer um mecanismo desnecessário à primeira vista, mas aos poucos torna-se mais interessante, sendo também algo que faz da exploração das torres uma experiência mais ponderada: continuar a explorar ou ir visitar a Elena? As torres são interessantes de explorar, com múltiplos caminhos que podem ou não dar a algum lado e pequenos puzzles que devem ser decifrados para se avançar significativamente. Por outro lado, os combates são um pouco monótonos e repetitivos, embora os bosses sejam mais interessantes. Em geral, é um jogo bem mais envolvente do que pareceria à primeira vista e pode muito bem ter sido uma das pérolas esquecidas da Wii. Apesar da bizarra premissa da história, é um título que, não sendo uma obra-prima, facilmente se recomenda ao fãs de exploração de masmorras.


Exploração da primeira torre do jogo