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25 de março de 2015

Xenoblade Chronicles 3D


Na anterior geração de consolas, o género RPG encontrava-se de boa saúde na DS, mas o cenário foi bastante diferente quando olhávamos para as consolas domésticas. Sentiu-se uma grande falha nos jogos do género, e mesmo séries já conhecidas tiveram problemas ao adaptarem-se aos novos sistemas. Contudo foi na Wii que surgiu um jogo que veio saciar a fome por grandes aventuras, aquele que por muitos foi considerado dos melhores RPGs da sua geração, mesmo quando colocado ao lado de grandes títulos lançados na DS.


O anúncio da New Nintendo 3DS veio acompanhado pelo primeiro exclusivo a sair na consola, e Xenoblade Chronicles 3D surge em formato portátil, levando-nos novamente ao mundo de Bionis e Mechonis. Surge como motivo que poderá decidir o upgrade de consola, principalmente para os que nunca tiveram oportunidade de jogar o original na Wii. Ou até mesmo um novo modo de explorar os vários cenários do jogo, levando-os consigo para qualquer lado.

Perante nós temos um mundo bastante diferente do habitual, onde nada mais existe que dois colossos que ficaram eternamente parados no tempo, após uma longa batalha, sobre um vasto oceano. Um destes gigantes é Bionis, agora berço de vida para imensas criaturas, que vão desde monstros gigantes a Homs, estes que habitam em colónias onde se desenvolveram como civilização. Do outro lado temos Mechonis, um gigante metálico onde habitam os Mechon, criaturas robóticas que não cessam em atacar os Homs.

De um certo modo, a eterna batalha entre os dois gigantes passou como herança para os povos que agora neles habitam, sem se lembrarem da origem do conflito. No meio desta guerra surge a Monado, uma misteriosa arma cuja lâmina luminosa elimina facilmente qualquer Mechon, e empunhada por Dunban foi a chave da vitória de uma grande batalha, que marca o início do jogo. O ano de paz que se segue depois do conflito é subitamente interrompido por um ataque surpresa, e entre os diversos Mechon surge um misterioso robô que se destaca por ter uma cara.

É nesta invasão que Shulk, o protagonista, se torna o novo dono da Monado, que após o ataque decide partir com Reyn numa aventura, cuja missão é de vingança e de procurar o estranho Mechon com rosto. Deste modo somos levados a explorar os vastos cenários, com planícies que parecem não ter fim, florestas que se vão tornando cada vez mais densas e oceanos que flutuam em pleno ar. As dezenas de horas facilmente de tornam em centenas, com cenários repletos de quests para fazer, e muitos pontos escondidos para procurar. Aos poucos novos personagens se juntam na nossa aventura, todos eles com habilidades e ataques distintos, sem nos obrigar a usar personagens específicos.

Facilmente comparamos este jogo a um RPG Online (MMORPG), devido ao seu sistema de quests, e cenários repletos de monstros. Existem vários NPCs com quests secundárias, que na sua maioria desenvolvem a história desses personagens. Contudo é possível seguir apenas a história do jogo e cumprir os objetivos principais, sempre indicados no mapa, sem qualquer dificuldade. O enredo é bastante simples, embora bem conseguido, e cumpre bem o seu objetivo de lançar os personagens para um mundo desconhecido.

Uma das habilidades da Monado é dar visões do futuro a Shulk, que sem se tornar um spoiler vai revelando a história do jogo, mostrando eventos desconhecidos, e ainda mostra acontecimentos que Shulk irá querer prevenir, mudando assim o destino dos personagens. O curioso desta habilidade é também ser uma mecânica no sistema de combate, mostrando fortes ataques que irão acontecer em pouco tempo, sendo possível preveni-los e evitar perder o combate.

O sistema de combate vai também buscar inspiração aos MMORPG, pois cada personagem tem o seu próprio papel: iniciando a batalha, um personagem com mais HP e Defesa irá segurar os monstros, permitindo aos restantes atacar, curar ou aplicar efeitos secundários. Existem encadeamentos de ataques que nos dão uma boa vantagem na luta, estes que podem ser melhorados, e temos um bom leque de ataques diferentes para experimentar. Existe ainda o Chain Attack, que permite criar uma sucessão de ataques sem que o inimigo possa contra-atacar.

Talvez a maior dúvida em torno desta versão seja a conversão feita para o formato portátil, esta que foi feita pela mesma equipa responsável por Donkey Kong Country Returns 3D. O efeito 3D da consola dá uma nova camada à exploração, e embora não seja muito forte transmite uma boa sensação de profundidade nos cenários. A conversão foi bem conseguida, usando modelos e texturas que vão ganhando detalhe à medida que nos aproximamos, de modo a tornar o jogo fluído sem quebras de frames notórias. Mas infelizmente o ecrã tátil foi ignorado, servindo apenas para apresentar o estado da equipa e um mapa, este que está preso a um círculo pequeno, quando poderia estar maior ou até poder ser usado através do próprio toque.

Outra das novidades é poder ouvir a banda sonora do jogo ou poder ver os modelos de vários personagens. No entanto estes têm de ser desbloqueados através de tokens que podemos ganhar usando Play Coins, via StreetPass ou usando o amiibo do Shulk. O sistema de usar tokens é um pouco infeliz, quando podia apenas dar os mesmos elementos à medida que vamos avançando no jogo, ou usando o amiibo para desbloquear logo uma música nova, por exemplo, em vez de tokens.


Como já referido, o mundo de Xenoblade Chronicles 3D é enorme, com cenários que não parecem ter fim. Há muito para explorar como locais secretos, itens colecionáveis e vários monstros, entre esses mini-bosses e outros com níveis demasiado altos, convidando o jogador a voltar a pontos anteriores do mundo mais tarde. Os cenários mudam dependendo da hora do dia em que estamos, ou até mesmo do clima, apresentando monstros diferentes ou até mesmo a posição de NPCs. O pouco detalhe dos personagens (já presentes desde a versão original) é rapidamente esquecido quando nos deparamos com cenários onde tudo se move, cheios de detalhes que dão bastante vida a Bionis. Ao mesmo tempo, durante a aventura temos sempre presente o corpo de Mechonis, que parece observar todos os nossos passos.

Uma das progressões no jogo é o relacionamento dos personagens, quer entre membros da equipa ou a relação que os personagens têm com os diferentes locais. Por exemplo, quando dois personagens têm uma boa relação, é possível usar habilidades desses personagens noutros, que vão desde dar mais dano nos ataques, a poder equipar determinado tipo de equipamentos. Já a afinidade com as diferentes áreas do mundo permite que mais quests apareçam, ou melhores itens sejam possíveis através de trocas com NPCs.

Esta relação entre personagens ganha uma boa dinâmica através das personagens, pois estes estão em constante comunicação, e constantemente durante a batalha os ouvimos comunicar entre eles. Embora este aspeto se possa tornar cansativo, entre os diálogos surgem avisos feitos pelos personagens, sobre precisarem de curar ou até mesmo parar os seus ataques, facilitando bastante a atenção na batalha. O voice acting em inglês é bastante bom e encaixa perfeitamente nos personagens, mas infelizmente esta nova versão não conta com a opção de poder também jogar com vozes em japonês, presente na versão original.

A exploração dos vários pontos do mundo é acompanhada por uma banda sonora excelente, que é sem dúvida um dos pontos mais fortes do jogo. Como exemplo, quando entramos pela primeira vez em Gaur Plains durante o dia, sentimos uma forte vontade de nos perder nesse cenário, ao sermos recebidos por uma música bastante épica. Cada uma das músicas acompanha bem as áreas em que se inserem, e mesmo as diferentes músicas de batalha dão um bom ritmo à ação.

O jogo desenvolve-se bastante e, quando pensamos que já estamos no seu final, surgem novas áreas, mais história e novas quests para fazer. Sem dúvida uma excelente oferta de conteúdo, com várias horas de jogo para quem simplesmente quer acompanhar a história, e ao mesmo tempo um número de horas pouco visto dentro do género, quando procuramos completar todas as quests secundárias, apanhar todas as peças de equipamento e derrotar todos os mini-bosses.


Os exclusivos da New 3DS começam em grande, mesmo tratando-se de um port, e Xenoblade Chronicles 3D é uma aventura colossal em formato portátil, facilmente recomendado aos que procuram uma grande aventura que podem levar consigo para qualquer lado. Os cenários, os personagens que neles habitam e a história que os envolve cativa não só os fãs de RPGs, como os que têm um forte espírito de exploração.