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20 de janeiro de 2015

Análise: New Nintendo 3DS

Quase 4 anos depois do lançamento da Nintendo 3DS na Europa, a Nintendo vem agora refrescar a sua gama de consolas portáteis com a New Nintendo 3DS e a New Nintendo 3DS XL, com lançamento previsto para o próximo dia 13 de fevereiro. Graças à especial "Ambassador Edition" que esteve disponível para compra antecipada no Club Nintendo, tivemos a oportunidade de adquirir e testar já uma consola New Nintendo 3DS (N3DS) e comparar a experiência com anteriores modelos da família de consolas Nintendo 3DS.

Antes de mais, é importante referir que a New Nintendo 3DS Ambassador Edition é uma N3DS branca como qualquer outra, com a única diferença de incluir umas capas exclusivas da Nintendo - note-se que estas são a principal novidade da N3DS e que não estão disponíveis para os modelos da N3DS XL. Além disso, a embalagem inclui umas capas adicionais do Super Smash Bros. e ainda uma base de recarga que, nas lojas, estarão disponíveis em separado.



As principais novidades, além das capas decorativas que podem ser substituídas, são o novo efeito de 3D "superestável", botões adicionais equivalentes aos do acessório Circle Pad Pro, funcionalidade NFC integrada para compatibilidade com as figuras amiibo e ainda um processador melhorado que abre novas potencialidades.

A consola é bastante leve nas mãos e construída num excelente material com textura mate que é muito agradável ao toque, semelhante ao da antiga Nintendo DSi. Curiosamente, a textura das capas incluídas é brilhante e sujeita a algumas dedadas (embora fáceis de limpar), mas outras capas poderão ser feitas em materiais diferentes. O design é bastante bonito, com os botões ABXY coloridos de forma idêntica ao comando da consola Super Nintendo a apelar à nostalgia dos fãs. Os ecrãs são ligeiramente maiores que os da 3DS original embora mantenham a resolução, oferecendo uma imagem melhor sem que se note muita pixelização. Já o tamanho faz com que a N3DS seja bastante fácil de transportar, mas para quem está habituado a jogar numa 3DS XL ou tiver mãos relativamente grandes poderá ser menos confortável em longas sessões de jogo.


3D Superestável é o nome dado à nova tecnologia utilizada nos ecrãs e que permite jogar em 3D muito mais confortavelmente do que antes e contraria todas as especulações de que a Nintendo estaria a pensar deixar de parte a aposta no 3D. Enquanto que a 3DS requer um ângulo muito específico de observação para manter o efeito, a N3DS recorre a um sensor de infravermelhos para identificar a posição do jogador e ajustar a imagem de forma a que nunca se perca a ilusão de profundidade. É uma melhoria enorme e que funciona tal como anunciado, permitindo mexer livremente a cabeça ou a consola sem que surja aquele efeito estranho das imagens sobrepostas que acontece nos modelos anteriores. Se dantes o 3D era uma funcionalidade curiosa da 3DS, com a N3DS passa a ser usado com muito maior frequência por ser algo tão acessível.

Os novos botões da consola são o ZL, ZR e C-Stick, os mesmos incluídos no Circle Pad Pro, e permitem controlar todos os jogos que tenham compatibilidade com esse acessório (uma boa desculpa para revisitar jogos como o Resident Evil: Revelations, por exemplo). O C-Stick é bastante diferente do Circle Pad e mais parecido com aqueles sticks analógicos que os portáteis costumavam incluir, foi feito principalmente a pensar no controlo de câmara e funciona muito bem nesse contexto, mas não é tão bom para jogos do género do Super Smash Bros. como o C-Stick do comando da GameCube em que este foi inspirado.


Um ponto negativo deste modelo é a stylus, que agora fica guardada num local diferente, situando-se na parte inferior da 3DS ao lado da entrada dos headphones. Para além de não ser tão conveniente como a lateral da consola, como acontecia na 3DS XL, jogar às escuras e sacar da stylus normalmente acaba com uma tentativa frustrada de a inserir no orifício errado da consola. Uma questão menor, mas mostra que podia ter havido maior cuidado com este aspeto do design. A própria stylus é uma das piores desde a DS original, não pela qualidade do material mas por ser mais pequena do que o desejável para um uso confortável. Em contrapartida, inclui uma forma que serve como alavanca para ajudar a retirar a capa do ecrã superior da consola quando se quiser trocar.

Trocar a capa da parte superior pode ser muito fácil, mas o mesmo não se passa com a parte inferior da 3DS. Por algum motivo que não se consegue perceber bem (poderá ou não ter decorrido dos testes de resistência), é necessário utilizar uma chave de parafusos para remover a tampa inferior da consola. Uma inconveniência surpreendente para um sistema cujo marketing se foca tanto na funcionalidade de troca das capas. Mas maior inconveniência de todas é que a chave de parafusos não venha incluída com a consola! Felizmente tinha uma chave compatível (#0) por perto, que foi adquirida com uma bateria de substituição para o GamePad da Wii U, mas a maioria dos utilizadores provavelmente não terá uma à mão no momento em que adquirir uma N3DS.

O mesmo se passa com o cartão de memória, que fica guardado por baixo da tampa e requer a mesma chave de parafusos para que possa ser substituído. A consola já inclui um cartão microSD de 4GB mas, se precisarem de trocar por um de maior capacidade, devem ter em conta que é necessário retirar a capa. A consola suporta cartões microSD dos tipos SD e SDHC até 32GB, o que será suficiente para a maioria dos jogadores dado o tamanho típico dos jogos (os maiores da 3DS não passam dos 2GB), mas pode ser limitador para quem compra muitos jogos e recorre quase sempre ao formato digital.

   

Ainda assim, as capas são um dos aspetos mais apelativos da consola e vêm em diversas cores e padrões, incluindo edições especiais alusivas a vários jogos como Monster Hunter 4 Ultimate ou Pokémon Omega Ruby / Alpha Sapphire, por exemplo. Será que é uma funcionalidade suficientemente apelativa para justificar a compra deste modelo em vez da N3DS XL? É sempre uma questão de gosto pessoal, especialmente agora que o ecrã da N3DS não é tão pequeno como o da 3DS ao mesmo tempo que oferece uma imagem mais definida que o da 3DS XL. No entanto, só comparando a N3DS com uma N3DS XL nas mãos se terá melhor noção de qual o sistema mais recomendável.

O novo processador melhorado permite que certos jogos desenhados a pensar no novo sistema tenham características melhoradas na N3DS, como é o caso do Super Smash Bros. for Nintendo 3DS que tem tempos de carregamento muito mais rápidos do que no sistema anterior, além de que já permite a utilização do browser ou do Miiverse quando se acede ao menu Home. Outros títulos como o recém anunciado Xenoblade Chronicles 3D serão exclusivos para este novo sistema, utilizando totalmente as suas capacidades. Outra novidade graças a este processador é que agora é possível ver vídeos no browser da consola, que inclui suporte para stream de vídeos em 3D!

A consola inclui ainda um sensor de NFC por baixo do ecrã tátil, que permite interagir com as figuras amiibo, entre outras coisas. O primeiro título a tirar partido desta funcionalidade será novamente o Super Smash Bros., que receberá uma atualização em fevereiro para suportar a utilização das figuras. Por enquanto, tudo o que é possível fazer com os amiibo na N3DS é aceder a um menu de gestão das figuras idêntico ao que existe na Wii U.

A N3DS na base de carregamento e um amiibo à espera da atualização do SSB
Resumidamente, a N3DS é em quase todos os aspetos uma enorme melhoria em relação à Nintendo 3DS original, mas com algumas contrapartidas quando comparada com a 3DS XL que já por si era um sistema melhor. Apesar desta análise ter entrado em maior detalhe nos pontos negativos, todos se tratam de questões menores ou com as quais o utilizador se irá deparar muito poucas vezes. A única questão em torno desta consola, para quem já tem uma 3DS, é se o upgrade se justifica.

É previsível, tendo em conta os ciclos de vida habituais das consolas, que daqui por 2 anos seja lançada uma nova geração de portáteis. Se jogam muito na vossa consola, então justifica-se bem a atualização pela melhor experiência de jogo que oferece. Se jogam apenas ocasionalmente, então será melhor aguardar pela geração seguinte e ir jogando na 3DS. Por outro lado, se ainda não têm uma 3DS e querem aproveitar o vasto catálogo de jogos de qualidade que esta oferece, então nem há que pensar duas vezes, até porque pertencem à mesma gama de preços: a N3DS é o sistema a escolher.

A única dúvida que fica no ar, sem ter experimentado a consola de maiores dimensões, é se será melhor jogar na N3DS ou na N3DS XL. Algo a que esperamos poder responder em breve, embora a decisão final, naturalmente, dependa sempre do gosto pessoal de cada jogador.