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18 de novembro de 2014

Pokémon Omega Ruby / Pokémon Alpha Sapphire


Pokémon Ruby Version e Pokémon Sapphire Version, lançados em 2002 para a GameBoy Advance, marcaram uma das gerações mais controversas na história da série Pokémon. Embora criticada por muitos fãs da "velha guarda", marcou um grande avanço gráfico em relação aos jogos anteriores e introduziu novas mecânicas que para sempre mudaram a série, como as Habilidades e Naturezas das criaturas, ou até mesmo o sistema de condições meteorológicas. Cada versão tinha uma equipa maléfica diferente, Team Magma e Team Aqua, que tentava dominar o mundo através do seu respetivo pokémon lendário de eleição, Groudon e Kyogre. Dois anos mais tarde, chegaria Pokémon Emerald Version, que conciliaria as duas versões ao opor as duas equipas e respetivos lendários na mesma história, num conflito que só poderia ser apaziguado pelo supremo dragão Rayquaza.

Passou já mais de uma década desde o lançamento da 3ª geração de Pokémon, com Pokémon X e Pokémon Y a marcar uma transição da série para o grafismo totalmente em 3D e a adição de Mega Evoluções, fazendo desta sexta geração uma tão marcante como a de Ruby e Sapphire. Não poderia ser mais adequado, então, que se aproveitasse a ocasião para refazer a região de Hoenn com todas as novidades entretanto apresentadas! Em Pokémon Omega Ruby e Pokémon Alpha Sapphire (OR/AS), os fãs mais antigos podem encontrar um bom motivo para regressar à série e os mais recentes poderão descobrir uma parte interessante do seu passado.

A principal diferença que se observa em qualquer "remake" ou versão remasterizada de um jogo é a melhoria gráfica (ou ausência desta) em relação ao original. Em OR/AS, o mundo de Hoenn é fielmente recriado em 3D, para gaúdio dos nostálgicos e desconsolo de quem se introduziu à série com Pokémon X ou Y. Alguns cenários e certas localizações foram bastante melhoradas em relação aos originais, não sendo uma recriação 1:1 do mapa em 3D, mas o cuidado em manter o espírito dos títulos da GBA fizeram com que este mundo não fosse visualmente tão rico e apelativo como o dos títulos iniciais da sexta geração.

Infelizmente, mantém-se a questão de apenas algumas partes do jogo utilizarem o efeito 3D da consola e haver uma forte quebra de fluidez no grafismo durante as batalhas em 3D, o que faz desta funcionalidade um aspeto praticamente inútil da Nintendo 3DS para estes jogos. Felizmente, os gráficos das batalhas continuam incríveis, com modelos 3D dos personagens praticamente perfeitos. Alguns deles são tão detalhados que se torna compreensível o sacrifício da fluidez, embora seja algo que já deveria estar optimizado na segunda vaga de títulos da série para esta consola. Outro ponto positivo a realçar é a utilização de elementos gráficos dos jogos GBA em alguns elementos do jogo, o que evoca uma agradável nostalgia.

A banda sonora dos títulos originais foi completamente refeita, com boas versões dos temas antigos e ainda a adição de alguns temas novos para acompanhar as novidades de OR/AS, cuja história foi melhorada em relação a Ruby/Sapphire e não ignora a mitologia expandida em Emerald. Para quem não conhece os jogos da 3ª geração, a Team Magma tem um plano maquiavélico para aumentar o território terrestre no planeta com a ajuda dos poderes de Groudon, enquanto a Team Aqua tenciona submergir os continentes e expandir o oceano com a ajuda de Kyogre.

Com a introdução das Mega Evoluções na sexta geração, muitos pokémon "comuns" passaram a ter o potencial de se tornar muito poderosos e competir com vários lendários, pelo que houve necessidade de explicar (e aumentar) o poder destas míticas criaturas com o fenómeno da Primal Reversion, que remonta a tempos ancestrais em que Groudon e Kyogre eram muito mais poderosos. Assim, passa a ser possível ter uma equipa com um pokémon "Primal" e ainda assim utilizar uma Mega Evolução, que mantém a restrição de apenas um Mega por combate. Há ainda algumas ligações interessantes com a mitologia expandida nos títulos mais recentes, que consolidam melhor a "lore" de Pokémon. E não esquecer que com este jogo surgiram ainda mais Mega Evoluções para descobrir (sendo também mais fácil obter as Mega Stones do que em X/Y, agora sem a restrição de horário).

O aspeto mais importante, tanto num remake como numa sequela, é que a experiência geral de jogo seja melhor. Neste aspeto, OR/AS sucede tanto com Ruby/Sapphire como com X/Y, graças à introdução do PokéNav. Este sistema, que ocupa o ecrã tátil fora das sequências de batalha, contém várias aplicações úteis e que fazem toda a diferença para um jogador de Pokémon, começando por um mapa interativo do mundo que permite ver a localização de Berries, treinadores e bases secretas (uma mecânica que regressa dos jogos da GBA) e até mesmo voar diretamente para qualquer localização já visitada, desde que já se possa utilizar o movimento Fly.

O mais interessante do PokéNav, no entanto, é a função de pesquisa de pokémon, que permite identificar qualquer criatura que surja no ecrã e até procurar por criaturas específicas que se saiba existir numa certa área. A cada encontro, o grau de pesquisa por esse pokémon aumenta, permitindo encontrar outros do mesmo tipo com caraterísticas especiais,  sejam ataques muito raros, habilidades secretas e até maior potencial (aquilo a que os veteranos da série chamam de IV's). O melhor disto tudo é que é possível analisar estas caraterísticas ainda antes da captura, permitindo saber de antemão se interessa ou não adicionar a criatura encontrada à equipa ou coleção.

É também a partir do PokéNav que se pode aceder a todas as funcionalidades que estavam presentes em Pokémon X e Y, como o Pokémon Amie onde é possível interagir com os pokémon ou o PSS onde se encontram as funcionalidades de multijogador completamente inalteradas. Como seria de se esperar, é possível efetuar trocas de pokémon com as versões X e Y, o que ajudará a completar o Pokédex. No entanto, à data de publicação desta análise, ainda não é possível utilizar os jogos com o Pokémon Bank.

Como é habitual na série, há uma enorme quantidade de coisas para fazer além da aventura principal. Os concursos de beleza/popularidade entre pokémon estão de volta e agora com o novo Cosplay Pikachu, uma versão especial do Pikachu com uma cauda diferente e que adora cosplay, usando diferentes fatos que lhe permitem aprender ataques específicos e aprender diferentes habilidades. E mesmo quando se termina a história, o jogo deixa muito conteúdo para descobrir e explorar, mantendo os jogadores interessados para além dos tradicionais objetivos como completar o pokédex ou construir uma equipa vencedora para os combates em modo multijogador. A única omissão de funcionalidades mais notória é a ausência da personalização do personagem que existe em X e Y.



Em geral, Pokémon Omega Ruby / Alpha Sapphire é um pouco mais do mesmo, mas com novidades feitas a pensar nos fãs mais dedicados, que acabam por tornar também a série mais acessível aos novatos. Muitas das mecânicas "secretas" da série que surgiram desde Ruby e Sapphire na GBA estão agora na linha da frente e mais fáceis de entender do que nunca. Pode não ter o cenário de fundo mais bonito da série na 3DS, mas é o que oferece a melhor experiência de jogo no geral.