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27 de maio de 2014

Antevisão: O que é a vida em Tomodachi Life?


Tomodachi Life é o título do próximo grande lançamento para a Nintendo 3DS, um jogo que tem gerado imensa curiosidade e não escapou a uma boa dose de polémicas após o anúncio da sua chegada ao Ocidente. Depois de um grande sucesso no Japão com o título de Tomodachi Collection: New Life e aproveitando a popularidade que Animal Crossing: New Leaf teve em todo o mundo, a Nintendo apostou em localizar curioso jogo onde os personagens Mii de amigos, familiares e quem mais se quiser interagem de formas inesperadas. Mas por mais que se veja imagens, vídeos, ou até mesmo o vídeo de apresentação "Tomodachi Life Direct", é difícil perceber de que se trata o jogo sem o experimentar.

A palavra "Tomodachi" significa "amigo" em japonês, pelo que será mais fácil interpretar o conceito do jogo através do título original como uma "coleção de amigos". O mundo do jogo é uma ilha, que pertence ao jogador e será inicialmente habitada por um personagem Mii que o represente. A partir desse momento, para todos os efeitos, é o jogador que passa a ser considerado o "lookalike" do Mii em questão, e assim será visto pelos restantes personagens que habitarem a ilha. Há uma distinção clara de identidade entre o Mii e o Humano, sendo que o personagem tem os seus próprios gostos e vontades e age de forma autónoma.

O passo seguinte é acrescentar novos personagens, com a possibilidade de indicar quais representam familiares do Humano e quais não estão relacionados. A cada novo Mii, é possível definir as características de voz e a sua personalidade, que irá influenciar o comportamento na ilha e a forma como se relacionam com os restantes personagens. É possível adicionar qualquer Mii, embora a experiência seja mais interessante quando se tratam de pessoas conhecidas, ou então celebridades ou personagens fictícias de quem se tenha uma noção da personalidade. É na interação entre os personagens e a forma como eles se relacionam que está a grande diversão do jogo, podendo estes namorar, desenvolver triângulos amorosos ou até casar e ter filhos, ou então zangar-se e até cortar relacionamentos.


A melhor forma de descrever este jogo é como uma espécie de reality show onde escolhemos os participantes. A partir do momento em que vivem na ilha, o papel do Humano consiste em cuidar dos seus Miis de forma semelhante a um "tamagotchi" ou o Nintendogs, dando-lhes de comer e resolvendo os seus problemas do dia-a-dia. Conforme o tempo vai passando, os personagens vão manifestando as suas vontades em termos de relacionamentos, perguntando se é boa ideia tentar estabelecer amizade com certo personagem, por exemplo. O jogador pode dizer que não mas, mesmo que concorde com a ideia, é possível que eles não se entendam. O mesmo acontece com as ligações amorosas, em que o jogador tem apenas o poder de influenciar certas decisões mas não pode sugerir ou forçar um relacionamento. Quando dois Miis se querem casar, por exemplo, a alternativa é deixá-los com uma enorme depressão. Mas quando se apoia o relacionamento, existe na mesma a possibilidade de tudo correr mal.

O ponto mais importante a ter em conta quando se considera a possibilidade de jogar Tomodachi Life é que este não é um jogo como Animal Crossing ou The Sims, na medida em que não representa um mundo idealizado pelo jogador e que até o seu próprio personagem tem uma vida própria. Existe na mesma uma forte componente de personalização, desde a escolha dos personagens às roupas que irão utilizar, mas todas estas componentes são acessórias ao grande elemento central: o drama. Dois amigos podem zangar-se por causa de um urso de peluche, desconhecidos na vida real podem casar dentro do jogo... a vida em Tomodachi Life é tudo menos o que se pode esperar, quase tão imprevisível como a vida real.

Enquanto Animal Crossing se tornou popular pela ideia de partilhar com os amigos a evolução do próprio personagem, neste título a diversão está em partilhar com os amigos o que lhes aconteceu dentro do jogo. A componente social acontece principalmente fora do jogo, quando se partilha imagens com os amigos (é possível tirar screenshots dos dois ecrãs a qualquer momento) e se revela coisas como "ficaste o melhor amigo do presidente da Nintendo", "acabaste de te casar com a Beyoncé" ou, talvez a melhor de todas: "vais ser pai... no meu Tomodachi Life!".


Por outro lado, este jogo também não exige a mesma dedicação de títulos como Animal Crossing, onde ficar bastante tempo sem jogar penaliza bastante o jogador. O jogo requer algum tempo na sua fase inicial, ao adicionar personagens, definir as vozes, atribuir personalidades e resolver os primeiros problemas e criar amizades. Depois disso, é perfeitamente adequado a um estilo de jogo ocasional, ficando ao critério do jogador decidir quando quer ver o que se passa com os seus personagens. A jogabilidade é extremamente simples e facilita o processo: visitar o apartamento de um Mii, interagir com ele, passar ao seguinte. E se este processo parece rotineiro, o jogo contrapõe com uma situação inesperada capaz de arrancar uma gargalhada e alguns screenshots, prolongando assim a motivação do jogador em lá voltar para saber o que aconteceu entretanto.

Tomodachi Life é um jogo bastante diferente dos restantes jogos "sociais" e que mistura vários elementos já vistos noutros títulos e até de outros géneros, mas que traz também outros elementos inovadores. O facto de não incluir modo multijogador (embora exista uma utilização interessante do StreetPass) faz com que a experiência social seja ainda mais importante, algo que a Nintendo reconheceu ao incluir um prático atalho para o serviço de partilha de imagens nas redes sociais. É também um título divertido para mostrar aos amigos, que geralmente acabam por também querer fazer parte da experiência e ter um Mii a viver na ilha.

Com data de lançamento prevista para 6 de junho, este jogo promete oferecer a cada jogador o seu próprio mundo interativo, como se tratasse em parte de um reality show, mas também de um "tamagotchi" onde se cuida dos Miis, um espetáculo de variedades recheado de comédia e dramas inesperados. Um jogo onde é possível criar uma banda, escrever a letra das músicas e vê-los a cantar, mas também um jogo onde um personagem pode sonhar que é uma sardinha apaixonada por um queijo. É bizarro, é inesperado e muitas vezes hilariante. E em breve poderá tomar de assalto o Ocidente com a curiosidade que desperta naqueles que rodeiam os jogadores.

Para aguçar o apetite, segue-se uma galeria de capturas de ecrã retiradas das cópias para análise do jogo no Meus Jogos DS.