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30 de janeiro de 2014

Satoru Iwata revela planos para o futuro da Nintendo


É do conhecimento geral que as vendas da Wii U estão, atualmente, muito abaixo do esperado. Apesar da grande qualidade de títulos como Super Mario 3D World, Pikmin 3 e Legend of Zelda: The Wind Waker HD, a consola doméstica da Nintendo tem tido sérias dificuldades em ganhar popularidade no mercado, o que levou a empresa a baixar as suas previsões de vendas para o ano fiscal corrente. Neste contexto, havia grande expetativa em perceber como a Nintendo iria dar resposta aos seus problemas no mercado.

Numa reunião de acionistas realizada hoje no Japão, o presidente Satoru Iwata apresentou os planos que a Nintendo irá implementar a curto e médio prazo, relativamente às suas consolas, o mercado móvel e uma nova plataforma de negócio.

   

Relativamente à Wii U, as notícias a curto prazo não são animadoras. Sem contar com o novo título da série Donkey Kong, não foi anunciado qualquer lançamento da Nintendo para a consola até à chegada do novo Mario Kart 8, em maio. O que significa que os primeiros 5 meses de 2014 ficam com apenas dois títulos importantes. Ainda assim, a expectativa é que Mario Kart 8 seja uma alavanca na popularidade da consola e que esse impulso seja aproveitado com uma série de lançamentos em seguida.

O GamePad é visto como um aspeto da consola que precisa de ser melhor aproveitado e publicitado, havendo planos para lançar vários jogos que tirem partido das suas possibilidades, incluindo jogos que usem o sensor NFC. Este será um esforço importante, visto que muitos títulos importantes da consola não fazem do GamePad um acessório essencial para a experiência. Uma atualização que será lançada este verão irá permitir ligar a consola diretamente para entrar num jogo a partir do Gamepad, reduzindo assim o tempo entre pegar no comando e começar a jogar.

Outra novidade é que o serviço de Virtual Console na Wii U irá passar a incluir jogos da Nintendo DS, a portátil que se tornou o maior fenómeno de vendas da Nintendo e que tem um fantástico catálogo de jogos. O exemplo mostrado consiste em mostrar os dois ecrãs da DS no GamePad, mas não se sabe ainda como a TV será utilizada neste contexto.


O tópico mais aguardado era, sem dúvida, a forma como a Nintendo iria abordar os dispositivos móveis, como smartphones e tablets. Iwata revelou que existem planos para criar um serviço dedicado a estes dispositivos, que será lançado até ao final de 2014, com o objetivo de reforçar os laços entre a empresa e os consumidores e comunicar o valor das suas ofertas de entretenimento nas consolas.

O presidente da Nintendo revelou ainda alguns planos para redefinir o conceito de plataforma de jogo, no sentido em que atualmente uma plataforma corresponde a um hardware especifico e que isso tem problemas inerentes. O consumidor tem uma relação direta com uma plataforma e, por causa disso, há uma perda de mercado no lançamento de uma nova consola apesar desta oferecer retro-compatibilidade. Com a criação do Nintendo Network ID, a relação entre empresa e utilizador passou a ser feita através de uma conta e não de um hardware específico, relação que será mantida em consolas futuras.

Além disso, o sistema de manter duas plataformas isoladas para consolas domésticas e portáteis cria uma série de barreiras que a Nintendo pretende eliminar de forma a facilitar o desenvolvimento. O presidente afirmou que não sabe se no futuro haja uma fusão entre o hardware doméstico e portátil, mas que o objetivo é que as futuras consolas funcionem como "irmãos". Também os modelos de negócio estão a ser repensados, incluindo a forma de vender jogos que, com base no NNID, poderá oferecer promoções como reduzir o preço dos jogos a quem compra mais, por exemplo. O objetivo é fazer com que os consumidores comecem a jogar mais jogos por ano, e estas experiências irão começar ainda durante o ciclo de vida da Wii U.

   

Finalmente, a revelação mais surpreendente (e enigmática) foi o anúncio de que a Nintendo está a investir numa nova área de negócio, onde tenciona lançar uma nova plataforma dedicada à melhoria da qualidade de vida (QOL - "Quality of Life"). O objectivo para os próximos 10 anos é lançar um produto que seja divertido e permita uma vida melhor em vários aspetos, começando pela saúde antes de abordar temas como aprendizagem e estilo de vida. A plataforma QOL não tem como objetivo acompanhar a tendência da tecnologia wearable, mas sim dar um salto em frente para algo não wearable. Iwata não especificou o que isto significa, mas prometeu mais informações em 2014, deixando no ar que o produto não será necessariamente algo que fica na sala de estar.

A plataforma QOL será lançada durante o ano fiscal de 2015 (entre abril de 2015 e março de 2016) e irá ser baseada na experiência da Nintendo em criar ofertas de entretenimento como Wii Fit e Brain Training mas, ao longo do tempo, expandir para áreas semelhantes ao que já foi explorado em títulos como o Cooking Guide ou o Art Academy. Desta plataforma irão surgir novas ideias e oportunidades que poderão também ser adaptadas posteriormente às plataformas de videojogos. O objetivo de Iwata é que tanto as plataformas de jogos como a de QOL permitam à Nintendo expandir a médio prazo a sua base de utilizadores globais.
Embora o anúncio de uma nova plataforma à parte das consolas de videojogos seja intrigante, as novidades deixam a sensação de que o plano para a Wii U não vai muito além de tentar tirar a consola do prejuízo e que a 3DS irá continuar a ser a principal fonte de receitas para a Nintendo ao longo do próximo ano. Neste momento, a primeira metade de 2014 parece ser mais um período morto para a consola doméstica que tanto precisa de ganhar energia, mas aguardamos novidades em relação aos lançamentos previstos para aproveitar o esperado salto de vendas com o Mario Kart 8.

Fontes: Nintendo e WSJ