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17 de setembro de 2013

The Legend of Zelda: The Wind Waker HD


Completou-se este ano uma década desde o lançamento de The Legend of Zelda: The Wind Waker na Nintendo GameCube. Um jogo com um estilo artístico revolucionário para a sua época, e cuja influência se estende até aos dias de hoje, por ter quebrado com a tendência de procurar o máximo realismo possível nos gráficos de um videojogo. Os seus visuais faziam com que o jogo parecesse um desenho animado e deram origem a opiniões bastante distintas, embora o passar do tempo tenha feito com que se chegasse ao consenso de que este foi um dos jogos mais bonitos de sempre.


Passados dez anos, chega à Wii U um remake de Wind Waker em HD, que não se limitou a escalar o jogo para a resolução FullHD de 1080p, mas também lhe trouxe um visual renovado. TWWHD mantém-se fiel ao estilo artístico do jogo original, mas dá-lhe um aspeto mais moderno graças à utilização de técnicas que não teriam sido possíveis na altura, como a utilização de bloom lighting para dar um ar mais vibrante ao mundo do jogo.

As texturas foram também melhoradas para se adaptarem à nova resolução do jogo e a iluminação dos objetos dá-lhes agora uma melhor sensação de volumetria, fazendo com que esta versão seja ligeiramente menos parecida com um cartoon e mais próxima de um filme de animação. A maior novidade, no entanto, foi a adição de sombras nos cenários, com as ilhas e edifícios a projectar sombras de acordo com a posição do Sol ou da Lua, o que também contribui para a maior vivacidade deste mundo.


O resultado destas alterações é que um dos jogos mais bonitos alguma vez feitos ficou ainda mais especial. Apreciar o pôr-do-sol em alto-mar ou assistir ao amanhecer do cimo de uma colina... são visões fantásticas que se repetem sem nunca se tornar cansativas. Quem tiver jogado o original, lembrar-se-á bem das sensações visuais que o jogo proporcionou e ficará novamente deslumbrado com os ambientes desta versão. Nem tudo é apenas uma atualização gráfica, no entanto. Uma célebre sequência do jogo, que era apresentada a preto e branco, tem agora um excelente efeito sépia, assim como outra debaixo de água é iluminada com um filtro azul bastante interessante.

Não foram só os gráficos que sofreram uma grande melhoria com esta versão. A principal novidade é que a quest do Triforce, que fica disponível ao entrar na segunda metade do jogo, foi bastante simplificada: agora, um único mapa permite saber onde se encontram todos os tesouros, sendo que apenas 3 destes continuam a levar para um novo mapa, já que a sua obtenção não constitui desafio. Tudo isto se torna ainda mais simples de obter graças à outra grande novidade: a Swift Sail. Este é um item opcional que permite navegar muito mais depressa e dispensa a utilização da batuta para mudar a direção do vento, mudando-o automaticamente para a direção em que se esteja a navegar.


Além disso, muitas animações e interações do jogo foram reformuladas e simplificadas, reduzindo-se, por exemplo, o tempo que demora a utilizar o grappling hook para obter um tesouro do fundo do mar, ou o tempo que demora a mudar a direção do vento com a batuta. Também a PictoBox e a quest opcional da Nintendo Gallery foram simplificadas graças à possibilidade de guardar até 12 fotos em simultâneo na câmara fotográfica. A adição do GamePad foi também uma grande novidade para o jogo, que agora possibilita ter sempre o inventário ou o mapa disponível.

O GamePad permite utilizar os menus sem ter de pausar o jogo, permitindo assignar os itens aos botões pretendidos a qualquer momento, ou então consultar o mapa do oceano ou das masmorras de forma interativa. O novo mapa do oceano é especialmente útil, podendo-se consultar em simultâneo o mapa do mundo e um mapa de tesouro à escolha, enquanto na TV se vai navegando em busca dos tesouros ou de alguns marcos importantes. Também graças ao GamePad e os sensores de movimento, é possível (mas opcional) controlar alguns itens com o giroscópio, ao estilo do Ocarina of Time 3D na Nintendo 3DS, uma funcionalidade muito apreciada que facilita bastante os controlos.


O jogo suporta também o Wii U Pro Controller, mas sem a vantagem das funcionalidades de movimento. Neste modo, o mapa e inventário continuam acessíveis e utilizáveis no GamePad. É ainda possível jogar em modo Off-TV, usando apenas o GamePad, mas assim será necessário pausar o jogo para aceder ao menu. Além disso, uma aventura deste calibre foi mesmo talhada para ser vivida no grande ecrã da TV e não como uma experiência semi-portátil.

Se, por um lado, a versão original de Wind Waker já era considerada um jogo fácil, poderia dizer-se que estas novidades o tornariam ainda mais fácil. Na verdade, apenas o tornam mais simples e acessíveis, fazendo com que seja mais fácil desfrutar da experiência. Ainda assim, esta versão HD introduz um "Hero Mode" que permite jogar com um maior grau de dificuldade, onde Link dá menos dano aos inimigos e recebe mais dano dos seus ataques. Neste modo, não existem corações de recuperação espalhados pelo mundo, sendo necessário recorrer às tradicionais fadas e poções mágicas para recuperar energia. Terminada a aventura, tal como no jogo original, é desbloqueada a Second Quest, que deixa jogar toda a história com Link vestido no seu pijama azul do início do jogo e já com a PictoBox desbloqueada, para fotografar personagens que só aparecem na fase inicial.


Infelizmente, as funcionalidades associadas ao Miiverse não estavam disponíveis a tempo desta análise. A Tingle Bottle é uma garrafa especial para enviar mensagens para o Miiverse que, depois, irão aparecer nas margens das ilhas de outros jogadores. Da mesma forma, também a PictoBox permite publicar diretamente no Miiverse as fotografias tiradas, bastando para isso premir um botão enquanto se vê as fotos guardadas. Algo que seria impensável há dez anos, mas faz todo o sentido na atualidade com a moda de tirar fotos para partilhar em redes sociais. A Nintendo parece estar tão atenta a este fenómeno que teve a brilhante ideia de permitir usar a PictoBox para tirar as chamadas "selfies": basta carregar num botão para entrar em modo auto-retrato e utilizar as direções ou o click do analógico esquerdo para mudar as expressões.

De facto, não irá faltar vontade de tirar fotos e partilhar momentos vividos no mundo de Wind Waker. Se uma das principais componentes da série Legend of Zelda é a exploração, então este é o jogo que melhor capta a essência de uma aventura, logo desde o início em que Link abandona a sua ilha em direção ao desconhecido. Em qualquer ponto do oceano, incluindo na ilha nativa do Link, é possível observar no horizonte a silhueta de outras ilhas, o que desperta sempre a curiosidade, mas nem todos têm a coragem de explorar - uma habitante de Windfall é o perfeito exemplo disso, ao afirmar que sonha em conhecer a ilha Dragon Roost, mas nunca saiu da sua zona de conforto.


De cada vez que Link parte no seu barco, vê a ilha em que se encontrava a desvanecer no horizonte até se tornar uma mera silhueta, enquanto outra ilha se vai aproximando e ganhando cor, simbolizando o começo de uma nova aventura. A maior parte das ilhas no grande oceano são apenas pequenos ilhéus desabitados, cuja visita é meramente opcional, mas que escondem sempre alguns tesouros ou estão associadas a uma side-quest. O grande volume de conteúdo existente no jogo que não é necessário para concluir a história é um incentivo à aventura e exploração, dedicado aos que se apaixonam pela beleza daquele oceano e os mistérios que nele se encontram. Tudo isto acompanhado por uma banda sonora remasterizada, que dá ainda mais vida às músicas deste universo.

A aventura principal tem uma duração de cerca de 30h, se contarmos com alguns desvios inevitáveis feitos pelo prazer de explorar aquele mundo, mas talvez mais do dobro do tempo se quiserem completar tudo o que há para fazer neste jogo. Em comparação com outros jogos "principais" da série, este tem poucos templos e masmorras para explorar, sendo que os da primeira metade do jogo são relativamente lineares. Ainda assim, templos como a imponente Tower of the Gods ou o sombrio Earth Temple são bastante memoráveis. Há ainda batalhas contra bosses épicos, especialmente um conhecido por Molgera, que se mantém entre os melhores da série.


Toda a aventura culmina numa fantástica batalha final, que irá impressionar tanto os veteranos (devido aos novos gráficos) como os que jogam Wind Waker ou até mesmo um jogo da série Legend of Zelda pela primeira vez. De facto, este é um dos jogos mais acessíveis da série e um excelente ponto de entrada para quem nunca tiver jogado. Desde o novo estilo artístico colorido e vibrante, mas em alta definição, às preocupações com a acessibilidade a todos os jogadores, The Wind Waker HD remove as barreiras que poderiam impedir alguns de desfrutar desta experiência. É uma aventura sublime, que retoca as arestas menos polidas de um grande clássico, enquanto aguardamos um Legend of Zelda criado de raiz para a Wii U. É também uma obra de arte? Sim.