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3 de abril de 2013

Fire Emblem: Shadow Dragon

Análise por Ivo Silva

Enquanto aguardamos, ansiosos, pela chegada de Fire Emblem: Awakening às nossas lojas, decidimos jogar o último título da série a ser lançado em Portugal.  Fire Emblem: Shadow Dragon, que estreou em Dezembro de 2008 na Europa, surge à primeira vista como um simples remake do jogo que originou toda a série em 1990, mas é bem mais do que isso. 

É certo que a história original mantém-se, com Marth a procurar libertar a sua terra natal e, mais tarde, todo o continente da influência destruidora de Medeus, o lendário Dragão Negro. Uma história que embora interessante peca por escassa pelos padrões actuais. Às personagens secundárias, com excepção de algumas como Tiki ou Minerva, é dada pouca relevância e desenvolvimento. Isto pode decepcionar um pouco aqueles que com Radiant Dawn haviam experienciado um maior envolvimento com a história. Os chamados capítulos extras ou Gaidens também estão presentes em Shadow Dragon, embora a forma de os aceder seja um pouco ortodoxa se considerarmos o que acontecia em títulos anteriores. Nestes capítulos, novas personagens, criadas de raiz para este jogo, são apresentadas e surgem como forma de conceder ao jogador, que sofreu baixas inesperadas na história principal, uma chance de refazer o seu exército.

Shadow Dragon é graficamente bastante agradável, com sprites pré-renderizados e com animações bastante fluídas, embora não tão detalhadas como as de jogos anteriores. O jogo faz uso dos dois ecrãs e do estilete da Ds, de forma muito precisa. Com o estilete pode-se movimentar unidades, cuja acção é disposta no ecrã inferior da consola. O ecrã superior tem o status das personagens aliadas e dos seus inimigos, para além de ser onde as lutas têm lugar. A música vem de encontro ao que a série nos habituou e é bem ajustada a cada momento da história.

O gameplay mantêm-se intacto e bastante fiel aos restantes títulos da série, com a introdução de elementos, como o famoso triângulo de armas, que nem sequer existiam no jogo original. Um prólogo de quatro capítulos, não só permite sabermos um pouco mais acerca da fuga de Marth, mas possibilita, também, aos novos jogadores o período de adaptação que lhes vai permitir aprenderem a mecânica do jogo. Um outro ponto que vem conceder ao jogo um cariz ainda mais estratégico é a possibilidade de fazer a mudança da classe das nossas personagens. Por exemplo, um Cavalier, que normalmente apenas iria evoluir para Paladin, pode tornar-se um Archer, Myrmidon, Mage ou Curate. Isto vem abrir um leque maior de possibilidades ao jogador, para além de aumentar a replayabilty do próprio jogo. As únicas classes que não sofrem alteração são as de Lord, Thief e Manakete. A presença de savepoints nos mapas, antes de uma luta com um Boss ou em situações igualmente complicadas, permite ao jogador salvaguardar o seu jogo. A possibilidade de suspender o jogo também regressa. A morte continua permanente, embora a dificuldade possa ser ajustada entre Normal e Hard.

A maior inovação de Shadow Dragon é a componente multiplayer do jogo. Pela primeira vez é possível dois jogadores competirem entre si, em mapas exclusivos deste modo. Os mesmos podem comunicar entre eles, enquanto lutam, via o microfone da DS. Via online, podem ser compradas armas ou outros itens com dinheiro obtido na campanha principal. Os jogadores podem ainda trocar entre si unidades para poderem usar no modo história.


Em última análise, Fire Emblem: Shadow Dragon é uma entrada sólida e bem conseguida na série. Não é um jogo avassalador, mas é um óptimo desafio, não apenas para os fãs do mesmo, mas também para os estreantes. Um jogo que vale bem a pena jogar e que é, sem sombra de dúvida, um dos melhores RPGs de estratégia para a DS.