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7 de fevereiro de 2013

Rayman Legends: De título de lançamento a condenado ao esquecimento?


Rayman Legends foi um dos primeiros títulos revelados para a Wii U e também um dos primeiros a mostrar o que as características da consola podiam trazer de inovador para o mundo dos videojogos. Prometido para o dia de lançamento, depois adiado para a "janela de lançamento" até confirmarem a data de 26 de fevereiro e, finalmente, adiado mais uma vez para o mês de setembro.

A poucas semanas da suposta data de lançamento, altura em que é esperado que o jogo esteja pronto e em fase de produção para ser entregue a tempo às lojas, a Ubisoft anuncia que, afinal, só em setembro será possível jogar um dos títulos mais aguardados para a consola. O motivo do atraso? Não encontraram de repente um problema grave que exigisse alguma remodelação de última hora para justificar 7 meses de espera. Simplesmente decidiram fazer também uma versão para as consolas PS3 e Xbox 360, desenvolvida pela mesma equipa e, por isso, lançar as 3 versões em simultâneo.

Uma boa parte da imprensa dos videojogos aproveitou para anunciar uma espécie de grande golpe contra a Wii U, os mais sensacionalistas até ameaçando a consola de se tornar irrelevante ao perder a exclusividade de mais um título (também nesta semana, foi anunciada uma adaptação de Ninja Gaiden 3: Razor's Edge para as restantes consolas domésticas, com os conteúdos existentes na versão Wii U). Os fãs da Nintendo já conhecem a velha e famosa história de que "a Nintendo está condenada", expressão que se ouve sempre que sai uma nova consola desta empresa. Ainda há bem pouco tempo a Nintendo 3DS ia ser um "fracasso"... Mas o que mais saiu prejudicado com este anúncio, ironicamente, foi o próprio jogo.


É perfeitamente natural que se façam versões de um jogo para diversas plataformas. Em termos de mercado, é normalmente o investimento mais seguro para se fazer, embora tenha havido algumas excepções: "de Blob" e "uDraw" foram exclusivos da Wii bem sucedidos que se revelaram enormes fracassos nas restantes consolas, tendo levado ao fim das respetivas séries. Veja-se como bom exemplo o da SEGA com a série Sonic, que ofereceu títulos diferentes para a Wii e para PS3/360 de forma a tirar melhor proveito das plataformas em questão. Mesmo com Rayman Legends, será interessante ver se (e como) replicam nas outras plataformas as funcionalidades do jogo da Wii U que tanto o fizeram destacar pela originalidade – é possível que as adaptações acabem por oferecer uma experiência inferior.

O que não é natural ou compreensível é a decisão de adiar o lançamento do jogo em sete meses, quando este está (hipoteticamente) pronto para ser posto à venda. Rayman Legends era o principal título previsto para a Wii U em fevereiro (e o único à venda nas prateleiras das lojas físicas), numa altura em que muita gente terminou os jogos de lançamento e tem sede de algo novo. Não tirando mérito à qualidade do jogo, este era o timing perfeito para cativar o público da consola, até porque em março começa a invasão de grandes títulos como os anunciados na última Nintendo Direct. Com os anúncios feitos para o verão e outono, especialmente o remake de The Legend of Zelda: Wind Waker, a atenção dos fãs da consola irá virar-se para outros títulos mais aliciantes. Acrescente-se a isto os eventuais anúncios da próxima E3, incluindo o grande sucessor de Super Mario Galaxy 2 e o novo Mario Kart, e é fácil perceber que quem tiver uma Wii U terá de fazer contas no final deste ano e escolher os jogos que pode adquirir. Se fosse no final deste mês, a escolha seria bem mais fácil.

Por um lado, lançar as três versões em simultâneo evita a situação dos fãs das outras consolas acharem que é um jogo "velho" por já ter saído há mais de meio ano na Wii U. Por outro lado, deixar os fãs da Wii U à espera de um jogo que foi importante na decisão de compra da consola faz com que estes se sintam desiludidos – algo que já se reflete nas comunidades de jogos da Ubisoft no Miiverse, especialmente a Uplay Community que é dedicada aos jogos da empresa na consola. Pior ainda, o planeamento para setembro parece ignorar não só a oferta que estará disponível na Wii U, mas também o que estará disponível para PS3 e 360: GTA V será lançado em meados de setembro e promete roubar completamente a atenção dos fãs das respectivas consolas.


Rayman Legends não vai ficar um jogo pior por sair mais tarde. Não vai deixar de ser inovador, apesar de poder não ter o mesmo impacto devido à maior oferta de experiências criativas com a consola entretanto lançadas e apresentadas. Não é um golpe trágico para a Wii U só por ter uma versão para as consolas da concorrência, mas pode ser um golpe para as vendas do próprio jogo. O anterior Rayman Origins, lançado para todas as consolas possíveis, vendeu apenas 50 mil unidades no primeiro mês e rapidamente baixou de preço, acabando por ser um jogo lucrativo a médio prazo. Nunca saberemos realmente, mas podemos facilmente especular que Rayman Legends teria boas hipóteses de ser melhor sucedido que o anterior se a versão Wii U fosse lançada na altura inicialmente prevista, seguido de uma adaptação PS3/360 mais próxima do Natal.

A Ubisoft colocou Rayman Legends numa posição ingrata de passar de um dos jogos mais aguardados no lançamento da Wii U para um jogo que terá de competir pela atenção com vários títulos bastante fortes em plataformas diferentes, pagando o preço acrescido da frustração e desilusão de imensos fãs que contavam jogá-lo ainda este mês. Está nas mãos da empresa fazer com que o entusiasmo de há poucas semanas se mantenha e seja transmitido aos fãs das restantes consolas, apesar de todas as adversidades, para que este continue a ser relevante. Seria uma grande pena ver um título com tão bom aspecto e qualidade cair no esquecimento dos jogadores.