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19 de novembro de 2012

Epic Mickey: Mundo Misterioso

A série Epic Mickey surgiu com o intuito de trazer à ribalta velhos personagens da Disney, que após terem sido esquecidos, foram parar à Terra do Nada. O primeiro jogo da série foi bem sucedido em fazer de Oswald the Lucky Rabbit um personagem (novamente) conhecido, com direito a um destaque ainda maior na sequela agora lançada para as consolas domésticas. Epic Mickey: Mundo Misterioso é uma pequena aventura paralela à história principal, que tenta misturar os conceitos da nova série do Mickey com os clássicos de plataformas 16-bit Castle of Illusion.

A bruxa má, Miszrabel, não suportou ter caído no esquecimento. Então decidiu raptar vários desenhos que são adorados por muitos (como o Simba, a Rapunzel e o Pateta, por exemplo) e aprisioná-los num castelo de ilusão na Terra do Nada, onde recriou vários dos mundos originais dos personagens. Quando a Minnie é também raptada, Mickey decide partir em mais uma aventura, acompanhado do pincel mágico que lhe permite usar tinta ou diluente para fazer aparecer ou desaparecer objetos e personagens. Os fãs da Disney mais novos irão adorar encontrar os múltiplos heróis e princesas existentes no jogo, mas os mais exigentes irão estranhar a forma como estes parecem ter sido inseridos à toa e sem um motivo real além da referência por si só.

O jogo segue o tradicional estilo de plataformas 2D que todos bem conhecem e, de uma forma geral, é muito bem executado. Os controlos não requerem muito tempo de habituação, os níveis são bem estruturados e a dificuldade crescente conforme se progride na aventura nunca se torna demasiado frustrante, o que faz deste um jogo acessível a todos os jogadores. Infelizmente, a inclusão a mecânica de usar o pincel para criar ou fazer desaparecer objetos, característica da série Epic Mickey, revelou-se um tiro no pé: em muitos níveis, é necessário interromper constantemente a ação do jogo para "desenhar" uma figura e assim fazer aparecer uma plataforma. A forma como implementaram a mecânica não é divertida quando surge pela primeira vez e, com o tempo, só se torna enfadonha e desgastante.

Os personagens salvos pelo Mickey são levados para a Fortaleza, um sítio seguro onde existe um quarto para cada um, especialmente desenhado de acordo com o seu mundo de origem. Aqui é explorado um conceito interessante, onde os desenhos oferecem missões ao Mickey, em troca de recompensas que facilitam a aventura no jogo principal. Muitas missões consistem apenas em falar com outros personagens, outras envolvem repetir níveis já feitos à procura de desenhos ou objetos desaparecidos. Havia aqui potencial para algo bem mais elaborado na construção de relações entre personagens de mundos distintos, que poderia ser bastante divertido, mas nunca é explorado muito a fundo.


O ponto forte deste jogo é mesmo o aspeto gráfico, com um excelente trabalho tanto a nível dos sprites, como dos cenários e até mesmo as sequências de história. Os desenhos são do melhor possível e estão em tudo à altura do que se espera da Disney. O facto de estar completamente em Português é outro ponto positivo, especialmente para os jogadores mais novos e que podem não conhecer os nomes de alguns personagens em Inglês. Infelizmente, o jogo não é muito extenso e pode ser acabado em menos de 8 horas ao todo. Se não fosse por algumas oportunidades desperdiçadas e pela inclusão da mecânica de tinta e diluente, teríamos aqui material para um verdadeiro clássico da Nintendo 3DS. O resultado final acaba por ser um bom jogo, apesar de ter algumas falhas, mas muito longe de ser "épico".