Notícias

Análises

26 de abril de 2012

Rhythm Thief & the Emperor's Treasure

Rhythm Paradise, Elite Beat Agents, The Rub Rabbits! e Professor Layton. O que existe em comum nestes clássicos da Nintendo DS? Todos serviram de base para criar Rhythm Thief & the Emperor's Treasure, um jogo que tenta marcar a diferença no género de ritmo aliando um conjunto de minijogos rítmicos a uma história forte e uma componente de exploração, tudo com uma boa dose de estilo. Mas será que este conjunto é melhor que a soma de todas as suas partes?

A melhor forma de descrever este jogo é como uma espécie de Professor Layton com desafios rítmicos em vez de puzzles. Desde o foco na história à forma como a exploração dos mapas é executada, há aqui uma influência tão forte que chega ao ponto de fazer o jogador carregar em todos os pixéis dos cenários à procura de tesouros da mesma forma que em Layton se procuram "hint coins". Ao longo da aventura, surge um conjunto de minijogos com vários estilos diferentes, que são apresentados num útil ecrã de título com as respetivas instruções. Alguns jogos requerem o uso do ecrã tátil, outros recorrem aos botões e alguns dão uso ao giroscópio da consola. Esta diversidade de controlos dificulta a aprendizagem das mecânicas de jogo, mas compensa com uma variedade bastante incomum dentro do género. A diversidade dos minijogos, no entanto, é mais limitada do que o jogo dá inicialmente a entender, mostrando-se um pouco repetitivo em alguns momentos - ao fim de pouco tempo, a maioria dos desafios acaba por ser apenas uma variante de desafios já feitos.

A história do jogo acompanha o protagonista Raphael, conhecido como Phantom R, um ladrão de obras de arte conhecido pela forma espetacular como se escapa aos seguranças e por acabar por devolver as peças roubadas um dia mais tarde. Abandonado pelo pai, Raphael segue a única pista deixada, um símbolo misterioso, acompanhado pelo seu cachorro Fondue, para mais um roubo aparatoso no museu do Louvre. Na sequência do roubo, cruza-se com uma misteriosa órfã violinista, que é perseguida pelo Imperador Napoleão Bonaparte, misteriosamente ressuscitado. Estará tudo ligado? Este bem poderia ser um mistério para o Professor Layton, mas a forma como a história torna tudo tão evidente em tão pouco tempo não justificaria a viagem do genial arqueólogo britânico até Paris. Não significa isto que a história seja desinteressante ou que o enredo seja mal elaborado, apenas não se encontra ao nível do jogo que lhe deu maior influência.

Graficamente, o jogo é bastante aceitável para a Nintendo 3DS, embora nem sempre seja dado bom uso ao efeito 3D. Especialmente no que diz respeito aos jogos rítmicos, há vários casos em que é mais fácil perceber o que está a acontecer no ecrã com o 3D desligado. Por outro lado, as sequências de história em desenho animado são excelentes e merecem ser vistas em 3D. A banda sonora é excelente, seguindo a tradição de outros jogos rítmicos da SEGA e, por vezes, pedindo emprestados alguns temas desses clássicos. Aqui não há nada a apontar, sendo que o único problema do jogo reside no sistema de pontuação. A avaliação de um desafio depende apenas do nível de uma barra horizontal cuja escala vai subindo ligeiramente a cada interação bem executada e descendo bruscamente com cada fracasso. O resultado é um sistema injusto que pode dar melhor pontuação a alguém que falhe bastantes vezes no início, mas acabe com uma sequência bem executada, do que alguém que não tenha falhado uma única vez mas tenha o azar de se enganar mesmo no final.

O jogo oferece uma ligeira componente multijogadores, mas pouco interessante, uma vez que se resume a ver no final qual teve melhor pontuação. Há ainda um modo “maratona” com 4 desafios diferentes que se prolongam indefinidamente até que o jogador falhe 3 vezes, guardando o registo da pontuação máxima. E existe também um modo StreetPass que permite povoar uma versão alternativa de Paris com os jogadores encontrados na rua. O problema dos diversos modos acrescentados para dar longevidade ao jogo é nunca serem suficientemente ricos para se considerar que tragam valor acrescentado, mas sim uma amostra do que o jogo poderia ser.


Em jeito de conclusão, o maior problema de Rhythm Thief é a sua curta duração. Se é verdade que a história tem aproximadamente a mesma duração de qualquer jogo Professor Layton, também é verdade que os desafios rítmicos são ultrapassados de forma muito mais rápida do que um puzzle. Será difícil atingir as 10h de longevidade com este título, e pouco mais haverá para fazer após o fim da história, a não ser lutar contra o sistema frustrante de pontuações dos minijogos e tentar obter a melhor pontuação em todos. Ainda assim, é uma experiência recomendável aos fãs de jogos do género. Apenas não será tão memorável como Elite Beat Agents ou outros clássicos. Resta saber se alguma vez terá direito a uma sequela.