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6 de dezembro de 2011

Radiant Historia

Se a Nintendo DS ficou conhecida pelo seu vasto catálogo de RPGs de grande qualidade, é também verdade que muitos desses jogos não chegam até nós. O exemplo mais infeliz desses casos que nunca chegam ao território europeu é, muito provavelmente, o Radiant Historia. Lançado nos EUA no início de 2011, este não é um RPG feito para revolucionar os jogos da consola nem sequer explorar o máximo das suas capacidades, mas aproveita-as de forma eficiente para contar uma grande história.


Na sua essência, Radiant História é um pouco diferente de um RPG convencional. A base de todo o jogo é a White Chronicle, um livro misterioso onde são registados os eventos importantes que ocorrem ao longo do tempo. Ao receber este livro no início do jogo, o protagonista Stocke depara-se com um dilema em que é forçado a tomar uma decisão que irá alterar o rumo da história. Felizmente, a White Chronicle permite-lhe escolher ambas opções, dando assim origem a duas linhas do tempo paralelas, nas quais irá decorrer toda a acção do jogo. Stocke ganha ainda o poder de viajar no tempo pelas duas "timelines", saltando entre capítulos e pontos ("nós") importantes da história para tentar alterar o curso do tempo e evitar certos acontecimentos trágicos que vai presenciando. Toda a história conhecida é registada e pode ser acedida através de um diagrama que se revela fundamental para este jogo: ir ao passado salvar um personagem graças a um objecto adquirido no futuro, ou conquistar uma amizade numa "timeline" para melhorar o relacionamento na outra, são apenas dois exemplos da mecânica central deste jogo.


Apesar de parecer bastante complexa, a história deste jogo é completamente linear, com a excepção de algumas side-quests opcionais - geralmente, são estas que exigem maior atenção a tudo o que é dito no jogo e envolvem um maior conjunto de viagens no tempo. De resto, há sempre indicações claras que permitem perceber o que é suposto fazer-se a seguir, nem que para isso se recorra ao diagrama descritivo dos vários eventos decorridos. É irónico, assim, num jogo em que toda a história é perfeitamente mapeada, que não exista um mapa dos terrenos a explorar. Os cenários são bastante simples e, na maioia dos casos, a sua navegação é conduzida pela narrativa. A inexistência de um mapa é inconveniente, mas não arruina a experiência de jogo. O sistema de batalhas por turnos baseia-se num esquema de grelha, onde a posição dos inimigos afecta o dano que estes podem causar e receber. As técnicas de combate dos heróis exploram este sistema de uma forma bastante eficaz, com bastantes técnicas para alterar a formação da equipa adversária e até colocá-los em posições sobrepostas para atacar vários inimigos de uma só vez.


Visualmente, o jogo adoptou um estilo muito "old school", fazendo lembrar os gráficos dos tempos da Super Nintendo. Os cenários, completamente tridimensionais, têm texturas bastante ricas e são apresentados com um ângulo de câmara fixo que só se altera em momentos dramáticos ocasionais, o que dá um aspecto 2D bastante interessante ao mundo do jogo. Os personagens, sendo apenas sprites 2D, acabam por se inserir nos cenários sem qualquer contraste gráfico. Não sendo uma maravilha técnica da Nintendo DS, a verdade é que o estilo visual assenta na perfeição toda a envolvência clássica de um jogo que tenciona ser intemporal. A banda sonora é também de enorme qualidade, com excelentes composições. Infelizmente, é também uma das falhas do jogo, com o uso muito repetido das mesmas músicas ao longo da história, acabando por desgastar algumas composições que, à primeira escuta, impressionam qualquer jogador.


Por nunca ter sido lançado na Europa, só os fãs mais dedicados de RPGs japoneses acompanharam o lançamento deste jogo, tendo sido depois responsáveis pelo passa-palavra que o tornou um fenómeno de culto. A verdade é que a qualidade deste jogo, aliada à sua raridade, acaba por justificar a importação dos EUA de um RPG que dificilmente cairá no esquecimento de quem o tiver jogado, apesar do custo acrescido que isso implica. É uma história fantástica e uma verdadeira pérola no meio do oceano de grandes títulos existentes para a portátil da Nintendo que se recusa a envelhecer.