Notícias

Análises

7 de setembro de 2011

Novo periférico para a Nintendo 3DS: está tudo doido?


Comecemos pela grande notícia do dia: a revista japonesa Famitsu anunciou hoje o lançamento do jogo Monster Hunter Tri G, baseado no Monster Hunter Tri já existente para a Wii, para a Nintendo 3DS. Para além de visuais idênticos aos da versão original, MH3G promete ainda novos monstros, missões e um modo multiplayer para 4 jogadores em wireless local. O jogo será publicamente apresentado durante a Tokyo Game Show na próxima semana, onde deverá ser revelada informação quanto à existência de algum modo online e utilização de outras funcionalidades da 3DS.


No entanto, o anúncio do Monster Hunter Tri G acabou por ser abafado por uma notícia com muito maior impacto: chamado "Expansion Slide Pad" é um novo periférico para a Nintendo 3DS, que lhe acrescenta um segundo circle pad e 3 botões laterais. Segundo o responsável pelo jogo, Ryozo Tsujimoto,  este periférico irá permitir controlar o MH3G tal como na Wii (com o Comando Clássico Pro que vinha incluído com o jogo) e ainda oferecer melhor ergonomia. Olhemos então para este novo acessório:


Basicamente, tem um aspecto terrível. A reacção observada por toda a internet foi bastante negativa e (como é habitual) até bastante extremista. A falta de informação adicional relativamente ao periférico não ajuda a dispersar questões como este ser apenas um método de controlo extra para o Monster Hunter 3G (opcional ou até incluído em bundle com o jogo), ou se a Nintendo tenciona lançá-lo como um novo "must-have" para a 3DS até sair uma versão remodelada com 2 circle pads e 4 botões laterais integrados – há rumores nesse sentido, agora reforçados com este anúncio.


Parece que todos endoideceram de vez. A probabilidade de um periférico destes ser bem sucedido além de um ou dois jogos é tão alta como foi a do acessório "MotionPlus" para o comando da Wii – eventualmente, acabaram por integrá-lo e criar uma versão melhorada do Wii Remote, mas nem isso ajudou a que fossem lançados mais jogos com suporte para o periférico. É certo que a existência do "Wii Remote Plus" seja justificada por ter possibilitado a criação do Legend of Zelda: Skyward Sword para a Wii e, da mesma forma, é possível que algum jogo (como o MH3G?) justifique a existência deste periférico.

Mas a principal questão que se coloca é: a Nintendo 3DS precisa destes novos botões? Independentemente do aspecto deste acessório, ou de um novo modelo da consola, oferecer um esquema de botões idêntico ao do comando clássico da Wii não é, sequer, tão interessante como refinar a precisão do comando da Wii. Ao mesmo tempo, é aproximar as possibilidades de input da 3DS às que estarão presentes no comando da Wii U – a próxima consola doméstica da Nintendo. Em algumas entrevistas, Shigeru Miyamoto revelou estudar a possibilidade da Nintendo 3DS ser utilizada como comando adicional da Wii U. Neste caso, a diferença no número de botões poderia ser um entrave a muitos jogos feitos a pensar no comando principal.


Por outro lado, se esta é a estratégia da Nintendo para a 3DS, fica no ar a dúvida se teriam pensado nisso antes. A Nintendo DS Lite foi lançada no mercado cerca de um ano depois da Nintendo DS original. As suas grandes novidades foram tão simples como o novo design e os ecrãs melhorados. A nível funcional, nada mudou, mas foi uma melhoria considerável e um grande trunfo pela simplicidade. A 3DS, por si só, é uma consola bastante mais complexa. Ao introduzir um ecrã 3D widescreen, "obrigou" a que os jogos mudassem de foco – o hardware é mais propício a que desenvolvam um jogo de aventura ou RPG tradicional ao estilo do Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D do que a algo mais original como Legend of Zelda: Phantom Hourglass. Pode alegar-se que muitos dos grandes jogos da DS não teriam existido sem as limitações que a consola impunha, e que a popularidade da consola se deveu em grande parte à simplicidade de interacção.
Afinal, foi este o grande trunfo da Nintendo DS e até da Wii: menos botões ao todo, complementados por novas formas de jogar. E embora a nova Wii U prometa trazer o melhor de dois mundos com um comando "completo" e funcionalidades inovadoras, a 3DS parece caminhar em direcção a uma complexidade exagerada. O circle pad foi realmente uma excelente adição ao hardware inicial da consola, em termos de jogabilidade. Só o tempo dirá se realmente era necessário um segundo controlo analógico, ou 4 botões laterais. É uma questão de tempo até anunciarem um novo modelo da 3DS e descobrirmos se irá ou não integrar estes novos botões. Se quem comprou o modelo original irá ficar frustrado por ter de comprar uma consola nova (ou um periférico com aspecto terrível) só porque algum jogo obriga a utilizar dois analógicos.

Até lá, tudo isto pode não ser mais do que um periférico de utilização opcional para o jogo Monster Hunter Tri G. O importante não é a existência do acessório em si, mas a mensagem que transmite. Resta à Nintendo esclarecer o quanto antes qual a sua estratégia para a Nintendo 3DS, antes que o receio de comprar um modelo "obsoleto" (com ou sem razão, não sabemos neste momento) acabe por arruinar até as vendas deste Natal. Na próxima semana, a Nintendo irá anunciar novos produtos num evento em nome próprio, antes da Tokyo Game Show. Aí saberemos se toda a confusão em torno deste periférico é despropositada, ou se a Nintendo terá de oferecer mais 20 jogos grátis na eShop para acalmar os early adopters.