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31 de março de 2011

Nintendo 3DS

Desengane-se quem acredita que a Nintendo 3DS é apenas uma DS com um ecrã 3D e melhores capacidades gráficas. A nova portátil da Nintendo chega ao mercado recheada de novidades muito interessantes, das quais o "3D sem óculos" é apenas a que mais rapidamente salta à vista. Não deixa de ser verdade que é o principal chamariz e faz com que os jogos da 3DS tenham um aspecto incrível. Mas há muito mais no interior para descobrir. Pode dizer-se, até, que quase todas as coisas que foram experimentadas em jogos DS passaram a ser funcionalidades nativas da 3DS, acessíveis a todos os jogos que façam para esta consola.

O ecrã 3D é realmente fantástico. Com a capacidade de orientar uma imagem diferente para cada olho, simula na imagem a mesma ilusão de profundidade que sentimos na vida real. E é precisamente isso que faz suscitar a sensação de que as coisas que ali vemos estão mesmo ali, atrás do vidro. Dentro dos jogos ou nos menus da consola, é possível ajustar o efeito 3D para maior ou menor profundidade – cada pessoa tem uma percepção diferente e irá encontrar uma posição que considere mais natural. Em qualquer altura, é possível desligar completamente este efeito, passando a ver-se então uma tradicional imagem 2D. A experiência de jogo deveria ser a mesma, mas na realidade não é. Mais nuns jogos do que noutros, são evidentes as vantagens do 3D para além do efeito "wow" – a sensação de profundidade pode realmente melhorar a experiência de jogo.


A consola em si tem um design mais arrojado que os diversos modelos da Nintendo DS. O material é de melhor qualidade, mais resistente, e conta com uma cobertura anti-dedadas que facilita a limpeza da consola. O "circle pad" é a principal novidade a nível de interacção: um pequeno input analógico que se revelou extremamente confortável e fácil de utilizar. No interior da consola, esconde-se um giroscópio para detecção de movimento e um pedómetro que conta os passos dados ao transportar a 3DS ligada ou em modo de descanso. Há ainda uma entrada para cartões SD (estando incluído um de 2GB com a consola), uma porta de infra-vermelhos, entrada para auriculares, microfone e 3 câmaras integradas.

As câmaras da Nintendo 3DS são, ao mesmo tempo, um dos melhores e piores aspectos da consola. A capacidade de tirar fotografias 3D é verdadeiramente impressionante, conseguindo-se obter efeitos surreais (ou apenas mais realistas do que estaríamos à espera?). É uma forma diferente de captar o momento e dá origem a poses mais divertidas que numa foto tradicional – todos querem ficar numa posição que realce o efeito de profundidade! Por outro lado, a qualidade das fotos (principalmente em 2D) é visivelmente fraca, sendo uma pena que as câmaras não sejam melhores.


Para além do ecrã 3D e das fotos 3D, há uma outra funcionalidade desta consola capaz de surpreender toda a gente, embora seja muito mais discreta. O modo StreetPass é algo que está sempre activo, mesmo com a consola em modo de descanso. Sem que o utilizador tenha que se preocupar com alguma coisa além de transportar a consola consigo, a 3DS procura outras consolas neste modo, de forma a trocar informações. Podem ser personagens Mii, pontuações em jogos, screenshots... fica ao critério de quem desenvolver os jogos, mas tudo é gerido pela consola, mesmo quando se está a meio de um jogo diferente. É uma evolução do "tag mode" de alguns jogos na Nintendo DS, mas com uma muito maior taxa de sucesso. É difícil descrever a surpresa de chegar a casa e ver uma notificação de que se passou, pelo caminho, por outra pessoa com a consola.

Com toda a utilização de 3D, ecrã com brilho no máximo, StreetPass e SpotPass (wi-fi) sempre ligados, seria de esperar que a bateria tivesse pouco rendimento. Ainda assim, após um dia inteiro em modo de descanso com StreetPass em busca de outras consolas, a 3DS consegue aguentar ainda umas 3 a 4 horas de jogo, o que não é muito distante do que a Nintendo DSi faria em iguais circunstâncias. A consola inclui uma pequena estação de carregamento onde basta pousar a 3DS em modo de descanso, algo bastante conveniente e que permite ter a consola sempre carregada. Mesmo assim, para longas viagens poderá ser necessário comprometer o efeito 3D, brilho do ecrã ou StreetPass, para esticar a duração da bateria.


Mesmo quem compre a 3DS sem mais nenhum jogo, não terá razões de aborrecimento a curto prazo. Há uma vasta quantidade de software excelente já incluído no sistema, além das fotografias e da criação de Miis. A Praça Mii StreetPass é o local onde se coleccionam os personagens Mii encontrados via StreetPass. Estes poderão ajudar a completar puzzles no modo "Troca-Puzzle" ou ser recrutados para o jogo "O Resgate Mii", um RPG inspirado em Dragon Quest em que os Mii tentam derrotar uma série de monstros para salvar o dono da consola. Já em Face Raiders são utilizadas as câmaras para raptar a cara do jogador, quem estiver em redor ou até quem aparecer em fotografias guardadas no cartão SD – o jogo utiliza o giroscópio e consiste num shooter viciante e hilariante em que o objectivo é acertar nessas mesmas caras. Finalmente, há os populares Jogos RA (Realidade Aumentada), que dão uso aos diferentes cartões incluídos com a 3DS para dar vida a mini-jogos inseridos em cenários reais. Aliados ao ecrã e câmaras 3D, estes jogos criam muitas vezes a ilusão de que há mesmo ali algo com que se possa interagir.

Para o futuro breve, está previsto o lançamento da eShop, uma loja virtual com acesso a diversos conteúdos, incluindo jogos clássicos Gameboy, jogos DSiWare e até demos de jogos. Mais para a frente, será adicionado um canal de vídeo 3D (neste momento existe um pequeno vídeo de demonstração) e, segundo as últimas entrevistas dadas pela Nintendo, será ainda possível gravar vídeo 3D com a consola.


Se a Nintendo 3DS irá ou não deixar um legado à altura do da Nintendo DS? É difícil saber. A consola tem tudo para que tal aconteça mas, no final, o que irá determinar o seu sucesso serão os jogos. Neste momento, é uma consola surpreendente e entusiasmante, sempre com uma carta na manga para fazer sorrir o jogador ou os seus amigos e colegas. É uma consola feita para acompanhar o dia-a-dia e recheada de aspectos sociais como o software já integrado, o modo StreetPass e o serviço online. A Nintendo não só mostra que aprendeu com tudo o que a DS teve para oferecer, mas também melhorou e depois integrou na 3DS: este é um novo começo nas consolas portáteis mas, desta vez, não começamos do zero.


Segunda opinião, por Nuno Mendes

Desde o primeiro momento que vemos e seguramos na consola, concluímos que estamos perante uma nova geração de consolas portáteis, mais avançada. Que acompanha os tempos actuais e adivinha um pouco o futuro, algo que a DS conseguiu provar com o seu ecrã táctil que saíra antes dos telemóveis com touch-screen. Uma nova caixa de surpresas, que mesmo desligada já impressiona devido à robustez dos materiais, e de um conforto excelente, sendo a consola portátil mais confortável que alguma vez usei. Estes detalhes não são apenas exteriores, pois quando usamos a 3DS pela primeira vez é-nos introduzido o tradicional menú de configuração, esse que sabe apresentar o efeito 3D, seja para os já habituados ao cinema 3D ou para quem nunca tenha visto o efeito.

Já "dentro" da consola, ao lidarmos com o cenário estranhamente realista, reparamos nos pequenos detalhes que nos surpreendem ainda mais. Para além das figuras que funcionam como logotipos de cada jogo ou aplicação, o modo como o texto é destacado graças aos diferentes níveis de profundidade, apenas possível com o efeito 3D, e a imagem presente no ecrã ir "para trás" ao voltar ao menu Home são pormenores que apenas reforçam as capacidades únicas da 3DS, e não cai no exagero ou no absurdo (mesmo a utilização da lista de contactos como cartões pessoais com um Mii é interessante). É simples, agradável, eficaz e apela muito facilmente. São coisas que realmente deixam as pessoas a comentar "olha, vai para trás!", "parece que está a voar, ou até colado no ecrã" ou até "até acredito que está mesmo aqui qualquer coisa, mas é impossível".


Há muitos motivos para gostar de ter uma 3DS e andar com ela, sempre ligada em StreetPass, com ou sem jogos. É uma sensação única quando temos uma luz verde a piscar sem saber por onde e por quem passamos que tenha também uma 3DS, e dá vontade de continuar a andar com a consola. Mesmo o Registo de Atividade, esteja ele a funcionar como um pedómetro ou até mesmo para registar o tempo que gastamos em cada jogo se torna interessante (principalmente quando usamos jogos DS que também contam para o registo, um pequeno pormenor que parece estar a "adoptar" esses jogos). São factores que tornam a 3DS num objecto bastante pessoal, mas que nos dá sempre vontade de partilhar e mostrar aos que nos rodeiam, esses que partilham um sentimento comum, o de espanto.

É um caso de ver para acreditar. Dá vontade de saltar no tempo e ver como estará a 3DS e o seu público daqui por um ano, mas também irá ser bom acompanhar a sua evolução. A Nintendo conseguiu novamente dar uma nova vida aos jogos portáteis, torná-los cada vez mais interessantes devido ao que a consola consegue fazer, naquele que é actualmente o mercado mais vasto de jogos. Vejo facilmente cada vez mais pessoas pegarem numa consola portátil quando estão num local público, mas vejo também esse mesmo público usá-la em casa, em vez de ignorar os 2 ecrãs por um bastante superior, muito porque, pelo menos por enquanto, apenas a 3DS consegue dar aquele factor "wow" a um preço muito reduzido.