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3 de fevereiro de 2011

Golden Sun: Dark Dawn

7 anos de espera marcaram o lançamento do terceiro título da saga Golden Sun. Com o legado dos jogos da série na Gameboy Advance, não só os melhores RPGs mas também dos melhores jogos que a consola alguma vez teve, foi de estranhar a demora em lançar-se um para a DS. Felizmente, houve da parte da equipa de desenvolvimento (Camelot) um grande cuidado em enquadrar a história para quem tivesse este como primeiro jogo da série, apesar de se tratar de uma sequela directa da saga original.
Para quem não conhece a série, este é um óptimo jogo de introdução. Golden Sun é um RPG que mistura de forma única elementos de jogos como Dragon Quest ou Final Fantasy, Zelda e Pokémon. O universo deste jogo é baseado em quatro elementos que formam os princípios da Alquimia: Terra (Vénus), Fogo (Marte), Água (Mercúrio) e Vento (Júpiter). Algumas pessoas (conhecidas por "Adepts") têm poderes mágicos associados a estes elementos e conseguem usá-los em batalha ou no terreno, manipulando objectos para ultrapassar obstáculos ou decifrar enigmas. Os princípios do jogo são bastante simples, mas toda a mitologia em redor consegue ser complexa. Por isso mesmo, o jogo certifica-se que esta nunca se torna confusa e inclui uma enciclopédia, que pode ser consultada a qualquer momento – até durante as falas dos personagens, quando algum nome aparece destacado, como se fosse um link da internet.
A exploração do mundo é feita através do ecrã táctil e/ou os botões da consola, conforme o estilo mais conveniente para cada um. Embora o mapa do mundo não seja particularmente interessante a nível gráfico, os cenários das localidades a explorar são fantásticos (superando até o que se viu em Dragon Quest IX), graças à combinação de cenários 3D com texturas baseadas em sprites fiéis ao estilo já usado na GBA. Já nas batalhas, os cenários são apenas imagens pré-renderizadas, mas é impressionante a fluidez com que os modelos 3D se movem e toda a animação dos ataques e summons. É difícil categorizar como um todo o grafismo deste jogo: muitas vezes fica aquém de algumas obras-primas na DS mas, por vezes, consegue deslumbrar e marcar aquilo de que a consola foi capaz.
O sistema de batalhas é dos mais interessantes que há em RPGs clássicos. Cada personagem tem as suas próprias forças e fraquezas, que aumentam de acordo com a experiência obtida em batalhas. Conforme a sua classe, pode utilizar diferentes magias associadas a elementos, que serão mais ou menos eficazes conforme os elementos dos monstros a atacar. Um conjunto de criaturas elementais (conhecidas como "djinni"), que podem ser coleccionadas ao longo da aventura, permite aumentar as estatísticas dos personagens e até alterar as suas classes, conforme se vão combinando elementos. Cada uma destas criaturas pode ser utilizada em batalha, mas o seu estado será alterado, com duas consequências: o personagem perde as forças bónus, mas pode agora recorrer a essa criatura para uma invocação – lançando, assim, ataques bastante poderosos. Ao fim de algum tempo, a criatura estará novamente pronta para aumentar as forças do seu personagem. Este ciclo (que pode ser controlado até antes de se entrar em batalha) permite uma grande variedade de estilos de jogo e cada jogador terá um diferente em que se sentirá mais confortável. É também bastante mais intuitivo na prática do que explicado, sendo acessível a qualquer pessoa que se interesse pelo jogo.
 A história é interessante, embora algo simples e previsível. Quem jogou os anteriores e ansiava para ver o mundo após o "Golden Sun" terá bastantes motivos para se entusiasmar, pois essa foi a maior preocupação da construção deste jogo. No entanto, quem esperava que este fosse uma aventura épica superior à anterior, ou até mesmo a "derradeira" aventura desta saga, poderá ter uma pequena desilusão. Dark Dawn é uma história independente que serve de prelúdio a uma história que fica por contar. Embora épica em si e com eventos importantíssimos para a mitologia deste universo, deixa claro que este ainda não é o "verdadeiro" Golden Sun que o final de "The Lost Age" prometia. Este aspecto consegue ser desconcertante, mas também um incentivo a aguardar uma sequela – especialmente se for para a Nintendo 3DS.


É difícil classificar Golden Sun: Dark Dawn como um jogo obrigatório na Nintendo DS. Enquanto que os jogos anteriores foram realmente dos melhores alguma vez lançados na GBA, Dark Dawn tem uma competição incrível a nível de RPGs na DS. Ainda assim, os amantes do género cometeriam um grande erro ao ignorar este jogo, que é também recomendável aos que são pouco experientes em RPGs: a grande componente de puzzles ao estilo Zelda e a vertente de exploração são bastante apelativas e fazem deste um jogo acessível aos apreciadores de outros géneros.